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domingo, 4 de dezembro de 2016

o não poema…

Obras: pouco mais do que uma centena...
Encomendas nunca tocadas: 9
Obras encomendadas tocadas por quem as não encomendou: 4
Obras dedicadas e não tocadas: 10
Obras nunca tocadas: cerca de 40
Obras que ficaram pela estreia: 22

domingo, 18 de novembro de 2012

GENEROSIDADE


Ontem, no Theatro Circo em Braga revivi com emoção a música e a pessoa de António Pinho Vargas. Já não o ouvia a tocar desde o final dos anos oitenta, numa altura em que o seu piano era apoiado pelo irmãos Barreiros e pelo José Nogueira em quarteto, isto no Teatro Carlos Alberto no Porto. Foi arrepiante ouvir outra vez, a dança dos pássaros, Tom Waits, etc. Está tudo lá ainda, mas mais refinado, as articulações a expressividade, os súbitos e curtos silêncios em jeito de hoquetus, e, acima de tudo, aquelas melodias, de uma beleza inexplicável, infinitamente lusitanas no seu contorno e perfil linear. Enfim, para além de toda aquele grande jazz português que reouvi, as palavras de APV – que separaram, em jeito de prelúdios, os momentos exclusivamente musicais – sempre sábias, lúcidas e, mais do que tudo, generosas. Se alguma palavra pudesse definir o dia de ontem, antes do concerto – em que tive o prazer da companhia de APV num longo café adiado há muito tempo, anos mesmo – durante o concerto, e depois do concerto essa palavra será GENEROSIDADE. Possivelmente, para alguns parecerá um lugar comum, mas não o é, uma vez que é cada vez mais difícil encontrar esta palavra expressa e encarnada na alma das pessoas. Numa altura em que tanto se “partilha” e tão pouco se dá as “gentes” são cada vez menos generosas, e uma grande parte não o é sequer.
Obrigado, António.

(foto da culturgest)

sábado, 13 de outubro de 2012

Um astro doido a sonhar


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...


Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...


Paris - maio de 1913.

Mário de Sá-Carneiro

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Antes quase, do que nada...


Hoje, quando penso em mim e no meu percurso enquanto ser humano ocorrem-me muitas coisas, umas boas outras más, que a memória não soube apagar. Vejo aquilo que quase fui e aquilo que quase sou e chego serenamente, e conformado, a uma conclusão. Antes ser quase um compositor, antes ser quase um bom professor, antes ser quase um ser humano livre, um daqueles que vive pela sua própria consciência, do que estar em vão a pavonear as vaidades supérfluas dos que se acham coisa alguma. Estou, agora com a idade a avançar, a perceber como tudo isto é tão verdade. Não me revejo naqueles que acham que são mais do que quase nada. Pessoalmente acho muito mais compensador ser quase nada do que nada ser. Quase tudo e todos os que me rodeiam assim são, cheios de certezas, glórias e aparentemente “felizes” com a sua prestação cada qual no seu pequeno mundinho. Olho para eles com algum desdém uma vez que o que entendo, do meu infinito e quase nada íntimo, é a inutilidade das suas vidinhas que debaixo da aparência do todo total nada mais são do que nada.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

pessimista/revolucionário

Bom, já vi que a conversa fugiu do conceito "banana"!
Mas voltando então, 12 horas depois, ao assunto anunciado em cima... ele há bananas e bananas, é como os chapéus! Há aquelas meias podres, moles e com mau sabor, há as pequeninas e madurinhas da madeira, e ainda há as grandes e verdes da Colômbia. Note-se que não sou de nenhum dos géneros apontados. Digo isto porque sou duro (salvo seja) de roer, porque a ser banana não era qualquer um(a) que me descascava!!! Bem, agora mais seriamente, apesar do meu discurso lá de cima, muito lá cima, nos comentários ser de desilusão total com a classe a que pertenço, sou, e sempre assim fui, do género pessimista/revolucionário. Quem me conhece sabe que é verdade, gosto pouco de gente hipócrita, detesto o "lambebotismo" militante que se instalou nas escolas e, acima de tudo, custa-me a suportar a ignorância disfarçada de coisa esclarecida.

Por tudo isto proponho para este debate outra fruta que não as bananas e melancias.
(comentário extraído do mural de Paula)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Google Places (6)

2011, Braga

Google Places (5)

2000-2011, Porto, Travessa da Ferreira

Google Places (4)

1976-2000, Porto, Praça Marquês de Pombal

Google Places (3)

1972-1976, Porto, Rua João Oliveira Ramos

Google Places (2)

1967-1972, Vila Pouca de Aguiar, Castanheiro Redondo

Google Places (1)


1967, Vila Pouca de Aguiar, Praça 25 de Abril (só depois de 74, pois claro!)

Google Places (0)



quarta-feira, 13 de abril de 2005

Portrait

The portrait need not resemble the model, only the artist.

Arnold Schoenberg (1911)
2 Comments:
At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, Luís aquino said...
Este Arnold não é aquele que é governador da Califórnia e em tempos foi Mr Músculo? Just kidding!
Realmente esta citação está muito conseguida; é uma definiçao possível de arte
plástica, não?

At Sábado, 23 Abril, 2005, Sérgio Amaral said...
Or the observer...

terça-feira, 12 de abril de 2005

auto-retrato (5)


2 Comments:
At Segunda-feira, 11 Abril, 2005, Patrícia said...
Os seus cabelinhos em pé demonstram talvez, um ar ougado... ponho-me imaginar de quê. talvez de um certo reconhecimento que muito tarde conseguiu. ou não. talvez ele próprio goze com a realidade q lhe “encomendaram”, de não o levar muito a sério. Enfim... o seu sentido de humor é contagiante e de louvar. Grande Satie! Grande compositor, e porque não grande pintor! (foi só para rimar)


At Segunda-feira, 11 Abril, 2005, pb said...
tá ougadito o satiezito!? tadito...

:-)

domingo, 10 de abril de 2005

auto-retrato (3)


Darius Milhaud
3 Comments:
At Domingo, 10 Abril, 2005, Luís Aquino said...
Desconheço o Darius, mas (talvez por isso mesmo) me faça lembrar Mário de Sá Carneiro. A mesma tristeza balofa no rosto, uma depressão que tresanda a mofo...e no entanto uma escrita cheia de lucidez:
«Quando eu morrer batam em latas Rompam aos saltos e aos pinotes Façam soar no ar chicotes Chamem palhaços e acrobatas Que o meu caixão vá sobre um burro, ajeizado à andaluza Que a um morto nada se recusa E eu quero por força Ir de burro!...»

At Domingo, 10 Abril, 2005, pb said...
Pois é... realmente este auto-retrato lembra a figura de Mário de Sá Carneiro... E, como nada é por acaso, eu estava a pensar um dia destes publicar um post com um poema de Mário de Sá Carneiro.

At Domingo, 10 Abril, 2005, luis aquino said...
Boa ideia! Era uma forma de colocar a tónica em domínios mais alargados do teu blog. Procurar musicalidade noutras formas de arte, como a literatura (epá,esta frase agora soou-me um bocado pirosa, mas se calhar é só por hoje ser domingo).