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quarta-feira, 30 de maio de 2007

subordinação inconsciente e feliz

O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
A síndroma provinciana compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progreesso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.

Fernando Pessoa, Textos de Intervenção Social e Cultural - O provincianismo português, 1928

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (9)

Como já devem ter reparado os leitores deste blog coloquei aqui ao lado um espaço denominado Tónica Dominante (1) onde reponho alguns textos, citações na maior parte das vezes, da primeira versão do Tónica Dominante. Desta vez julgo ser oportuno referir que a citação de Richard Wagner escolhida é dedicada à equipa dos “sábios” artífices que elaboraram o famoso relatório do ensino artístico. Sendo assim, uma vez que os textos aí publicados [Tónica Dominante (1)] são rotativos e porque toda a dedicatória deve ser sublinhada e de merecido mérito, deixo aqui de novo as palavras de Richard Wagner.

“UTOPIA! UTOPIA!” Já oiço gritar os nossos sábios e os que tratam de adocicar a barbárie do Estado e da arte contemporâneos, ou seja, as pessoas ditas práticas, que no exercício da sua prática quotidiana se entregam continuamente à mentira e à violência ou, no melhor dos casos, quando lhes resta alguma honestidade, à ignorância.
Richard Wagner, A Arte e a Revolução, 1849

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A Música & os Animais

Passemos agora à Música...
...Não podemos duvidar de que os animais não gostam de Música & não a praticam...
...Não só isto é evidente, como parece que o sistema musical é diferente do nosso...
...É uma outra escola...

Erik Satie, A Música & os Animais

terça-feira, 15 de maio de 2007

Twenty-four?

Schoenberg always complained that his American pupils didn’t do enough work.

There was one girl in the class in particular who, it is true, did almost no work at all. He asked her one day why she didn’t accomplish more. She said, “I don’t have any time.” He said, “How many hours are there in the day?” She said, “Twenty-four.” He said, “Nonsense: there are as many hours in a day as you put into it.”

John Cage

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (7)

(...) Sejamos claros quanto às «crenças»: o ensino supletivo é a regra em países com uma produção abundante e de qualidade de artistas e é aquele no qual se formou a esmagadora maioria dos músicos portugueses. Foi em aulas individuais que se formaram quase todos os músicos de todo o mundo. Quanto ao ensino em tenra idade, está abundantemente fundamentado na sua importância em todas as áreas, mas em especial no ensino artístico. (...)

Jornal Avante, Uma herança de carências e desorientação - O ensino artístico especializado sob ameaça

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (4)

"As aulas em grupo têm muitas vantagens que permitem às crianças desfrutar das experiências que a música lhes proporciona, como conhecer amigos, desenvolver o trabalho em grupo e penetrar na compreensão da música tocando em “Ensemble”. Com esta finalidade, a Yamaha adoptou um método pelo qual os estudantes podem escutar e tocar em grupo (Ensemble), aprendendo música ao mesmo tempo que se divertem".

Texto introdutório dos futuros novos programas de Instrumento
(a adoptar a partir do Ano Lectivo 2007/2008 nas Escolas de Ensino Especializado de Música)

Novo ensino especializado da música (3)

"Uma análise quantitativa da população que frequentou o Conservatório mostra uma fortíssima quebra de alunos, inicialmente associada a uma política de contenção da oferta, apresentada no ano de 1930, mas que se aprofundaria até à década de 70. A diminuição de efectivos constituiu um impressivo retrocesso relativamente a todos os outros ramos de ensino que cresceram, em igual período e como nunca até aí, de uma forma sustentada. O estudo histórico mostra que se deve discutir a partir daqui a consolidação de práticas didáctico-pedagógicas específicas à instituição. A nossa ideia é que o abaixamento dos alunos teve como resposta organizacional mais óbvia o aprofundamento da necessidade de um regime de ensino individualizado da Música. Os dados de que dispomos apontam no sentido da manutenção e da prevalência de práticas de ensino colectivo até aos alvores do século XX: os professores podiam leccionar a várias secções no mesmo dia, mantendo-se inclusive o recurso a decuriões".

Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, Mito Do Ensino Individualizado, Fevereiro 2007

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Siga o meme!

O Carlos A. A. (Ideias Soltas) enviou-me este meme* e agora há que reenviar enquanto está quentinho!
Dizem que são seis...

(*) Um “meme” é um ”gene cultural” que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma”.

(...) a métopla do templo, com o seu fixo, restrito quadro, leva o artista a concentrar-se, a exprimir o máximo de ideias no mínimo de figuras e gestos. Por outro lado, é inegável que a obra extensa é pouco acessível àqueles mesmos que mais precisam de cultura, que duas ou três frases, esplêndidas no seu isolamento, enérgicas e nítidas, lhes ficam mais gravadas no espírito do que longos monólogos. De resto quantas obras se não resolvem numa série de aforismos? (...)

Agostinho da Silva, Considerações e Outros Textos - A Vantagem do Aforismo

... e os seis são oito: o Vítor I., o Rui, a Ana C., a Teresa, o Rogério, a Paula e o Rui, a io e o Pedro.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (1)

Os programas e metodologias das disciplinas de música, como muito bem notaram os autores do famoso Relatório, estão caducos, cheiram a pó e a mofo:

"O currículo das escolas do ensino especializado da Música e os seus programas estão desactualizados sendo, nalguns casos, considerados obsoletos. De facto, pelo menos alguns dos programas existentes e em vigor são de 1930 (!) estando obviamente inadequados à realidade sob muitos (todos?) pontos de vista (e.g., pedagógico, didáctico, artístico, formação musical)."

Tomemos como exemplo a disciplina de Formação Musical:

"Constatou-se também que os conteúdos de certos programas, como o de Formação Musical, estarão mais apropriados para uma abordagem à alfabetização musical do que a uma abordagem à cultura musical, como parece ser recomendável actualmente."

Isto é inconcebível, sinal de um atraso quase irremediável!
O que nos vale, é que o ministério está atento...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, 25 de Abril

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Música de consumo

JL: "Qual o papel da música clássica no mundo?
MP: "Deveria ser muito mais importante do que é. Pensando no passado da Europa, em Viena ouviam-se grandes compositores, como Beethoven ou Rossini. Em Itália, Verdi. Hoje temos a chamada música ligeira que parece ser, para os jovens, mais importante do que a grande música. É uma pena para eles. Deveriam ter um contacto mais forte com a música de arte e não apenas com a de consumo."
Maurizio Pollini em entrevista ao JL.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Boulez/Zappa

Jed Distler: There are only two American composers to whom you've devoted a complete CD. One is Elliott Carter. The other is Frank Zappa. Tell me about the Boulez/Zappa connection.

Pierre Boulez: It came in a very simple way. Zappa asked me to meet him. I had heard of him of course, especially in '68, '70, with the scandals about the cover for his recordings and so on and so forth. And I thought, if he asked me to meet him, it could be interesting. You never know. I met him, and found the man extremely sympathetic and interesting. Zappa wanted to break out of the kind of milieu for which he was known. I didn't know it then, but [he had] very much admiration for Varèse. Varèse was the first composer Zappa discovered who struck him so much that he became Zappa's icon. Zappa told me, "I've written some scores for orchestra, and would you consider to look at them?" I was just finished with the New York Philharmonic, and beginning with IRCAM and the Ensemble InterContemporain. So I told him, "You know I don't really conduct orchestras for the time being. If you want me to conduct a work for orchestra, you have to wait for quite a long time. But if you want to write something for the Ensemble InterContemporain, then I will perform it immediately." And so he said, "Well, I will compose for the Ensemble!" About a month later he sent me scores. I then organized an American program with a work by Carter, a work by Zappa and one by Ruggles. There may have been a work by Varèse, I don't remember exactly. It was a hard program from the point of view that I wanted the audience to take Zappa seriously, and not just as a joke. The reaction was interesting, as I expected. People who came for Carter said, "Why Zappa?" and people who came for Zappa said "Why Carter?" After that we recorded Zappa's music, in his presence. He was really a very interesting character.

JD: Did his music fascinate you?

PB: Yes. It was a beginning, what he gave to us. That was the first thing he'd composed like that. Then he had a project with the Ensemble Modern, and everybody was surprised, and they tried to catch up with him. Unfortunately he died very soon afterwards.

Jed Distler, Pierre Boulez on Composers Past and Present, 2000

segunda-feira, 16 de abril de 2007

aos meus adversários

Se alguma coisa realizei não sou eu quem merece o mérito de tal realização. Esse mérito deve ser atribuído aos meus adversários. Foram eles que me ajudaram.

Arnold Schoenberg (tradução de pb)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

sexta-feira, 30 de março de 2007

Texto (2)

“Debussy era extremamente meticuloso e preciso nas suas indicações musicais (…) mas há três ítems em que ele confiava no bom senso e na inteligência musical do intérprete: dedilhação, pedal e tempo."
Dunoyer, Cecília,
Debussy in Performance, New Haven, Yale Universiry Press, 1999

Os problemas relativos ao tempo e à indicação de compasso no prelúdio La Cathédrale Engloutie foram já amplamente discutidos e estudados por pianistas, críticos e musicólogos. O facto é que, quando Debussy escreveu este prelúdio não incluiu a alteração de tempo mínima = semínima em duas secções da peça (compassos 7 a 12 e 22 a 83), alteração essa que ele próprio faz enquanto intérprete na gravação em piano de rolo de 1913.
A questão do prelúdio La Cathédrale Engloutie espelha perfeitamente a problemática em torno valor do texto e da performance no conceito de obra musical. É inegável a importância da gravação de Debussy, no sentido em que veio esclarecer não só um problema de interpretação, mas também as próprias intenções do compositor, que teriam ficado pouco explícitas no texto; mas, também é inegável que ainda agora se continua a tocar, e a gravar, este prelúdio com base somente na partitura, ignorando, ou desconhecendo, por completo as intenções do compositor explícitas pela sua própria performance. Por outro lado, a alteração da partitura fez-se, sim, mas apenas com uma indicação em Nota de Rodapé, onde se lê que a indicação mínima=semínima devia aparecer entre os compassos 6 e 7 e que esta mudança de tempo nos compassos 7-12 e 22-83 é feita pelo próprio Debussy - por exemplo em edições mais recentes da Durand ou da Dover - não se assumindo inteiramente a correcção do texto com base na performance. Sendo certa a insuficiência da escrita, seja qual for a linguagem utilizada, para transformar intenções em símbolos de forma completamente satisfatória e fidedigna, é sobre ela que assenta toda uma tradição de conhecimento e saber, e talvez por isso ocupe um lugar intocável no conceito de obra musical.

Pequenos "senhores"

Hoje, os pequenos tornaram-se senhores: todos pregam a resignação e a modéstia e a prudência, e a aplicação, e as considerações, e as virtudes pacatas.


Friedrich Nietzsche, Assim falava Zaratustra

quinta-feira, 29 de março de 2007

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

domingo, 25 de março de 2007

Texto (1)

A partitura musical não é uma múmia.
A essência da partitura consiste no texto criado pelo compositor no seu tempo e o executante, que pertence ao seu próprio tempo.
O segundo componente mudará sempre, e com ele, a essência da partitura musical.

Vitaly Margulis, Bagatelas, op.6