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quarta-feira, 13 de junho de 2007

Novo ensino especializado da música (11)

É aqui que tudo continua a acontecer!
Destaco desde já isto:

(...) attendu qu’il peut être clairement démontré que l’éducation artistique permet de contribuer de manière significative à l’amélioration des performances des élèves pour les acquisitions des capacités de lecture, d’écriture et de calcul, et d’apporter les bénéfices susmentionnés sur le plan social et humain, nous invitons les gouvernements à accorder à l’éducation artistique une place centrale et permanente dans les programmes scolaires, un financement adapté et un personnel enseignant présentant les qualités et les compétences requises, à intégrer au cœur du processus d’apprentissage les partenariats entre écoles, artistes et organismes culturels, à enjoindre aux autorités responsables de l’éducation de prendre en compte la recherche dans les décisions concernant le financement et les programmes, et à définir de nouvelles normes pour l’évaluation de l’impact de l’éducation artistique (...)

Conferência Mundial sobre Educação Artística, Documento de trabalho referente à Europa


terça-feira, 29 de maio de 2007

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (9)

Como já devem ter reparado os leitores deste blog coloquei aqui ao lado um espaço denominado Tónica Dominante (1) onde reponho alguns textos, citações na maior parte das vezes, da primeira versão do Tónica Dominante. Desta vez julgo ser oportuno referir que a citação de Richard Wagner escolhida é dedicada à equipa dos “sábios” artífices que elaboraram o famoso relatório do ensino artístico. Sendo assim, uma vez que os textos aí publicados [Tónica Dominante (1)] são rotativos e porque toda a dedicatória deve ser sublinhada e de merecido mérito, deixo aqui de novo as palavras de Richard Wagner.

“UTOPIA! UTOPIA!” Já oiço gritar os nossos sábios e os que tratam de adocicar a barbárie do Estado e da arte contemporâneos, ou seja, as pessoas ditas práticas, que no exercício da sua prática quotidiana se entregam continuamente à mentira e à violência ou, no melhor dos casos, quando lhes resta alguma honestidade, à ignorância.
Richard Wagner, A Arte e a Revolução, 1849

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (8)

Por mais do que uma vez já reconheci que este assunto me faz mal...

No entanto acho que mais algumas palavras (para além das tiradas irónicas) podem ser escritas no já longo processo que é este da degradação do Ensino Especializado da Música. E porque ele ainda há quem realmente se vá mexendo e preocupando com estes assuntos: Ideias Soltas, Artimanha, Diário de Bordo, Ali_se, Movarte, Para lá das paredes entre outros...

Mais do que algumas das questões abordadas no tal Relatório, Ensino Integrado, o fim do regime Supletivo, as “crenças” do modelo aula individual e o estudo desde tenra idade, mais do que tudo isso, a questão que mais me revolta é que não há outro motivo sério para este ataque que não seja o de uma perspectiva fundada em critérios exclusivamente economicista. Há que poupar! E há áreas mais adequadas (frágeis) do que outras, o caso do Ensino Público, Genérico e Especializado, pois claro. No Ensino Genérico, depois dos vários ataques a que os professores foram sujeitos (Estatuto da Carreira Docente, por ex.), já tudo anda entretido a discutir quem vais ser ou não titular, quem leva mais papeis debaixo do braço, quem apresenta um ar mais ou menos ocupado, enfim, tudo menos aquilo a que os alunos têm direito, ou seja, a professores reivindicativos, competentes cientificamente (antes das abordagens pedagógico-didácticas), em suma, a um ensino público de qualidade. Sinto-me muitas vezes envergonhado de pertencer a uma classe assim, a dos professores! Tanto barulho em dois dias de greve e depois pouco ou nada mais aconteceu, tudo enfia a viola no saco e deixa ver o que vem a seguir...
No Ensino Especializado a coisa é mais circunscrita mas nem por isso menos grave! Senão vejamos, a degradação deste tipo de ensino não começa com este relatório, é que nem por sombras! Este processo kafkiano contra o ensino (caro) especializado já tem alguns anos e já aqui foi referido inúmeras vezes. Aliás este Relatório surge na altura certa, em cima de uma classe de professores desorientada há já muito tempo, cansada e muitas vezes sem motivação, para não falar do vínculo precário que prende esta gente às escolas. Assim é fácil dar a machadada final neste tipo de Ensino!
Mas voltando ao Relatório, se este fosse sério, que não me parece, muitas das questões lá abordadas revestiam-se da maior importância – o Ensino Integrado, por exemplo, como um modelo a seguir, mas fundamentado e construído em pilares bem assentes, sem cortes no número de disciplinas e tempos lectivos, mantendo ou melhorando a qualidade das mesmas, nomeadamente aquelas que só podem ser individuais por não haver outra forma. Se assim fosse, muito bem, mas aquilo que se prepara não é definitivamente isto, mas sim um desmembramento gradual (ou não) da realidade musical que tem caracterizado a maior parte dos estabelecimentos de Ensino Especializado da Música deste país. O que não é democrático é a anulação, ou pretensão a, dos outros sistemas de frequência destas escolas, o regime Supletivo e Articulado. A coexistência dos três tipos de frequência só traz vantagens pela diversidade de realidades e ambições que assim se vive dentro das escolas. Mas do que estamos a falar, em cinco das escolas públicas de ensino especializado – Porto, Aveiro, Coimbra, Conservatório Nacional e Instituto Gregoriano –, é da imposição de um regime Integrado (em exclusividade) em escolas que pouco ou nada sabem sobre esse sistema de frequência. Nunca tiveram qualquer outra experiência que não fosse a de formar alunos em regime supletivo e articulado (mais recente) e os resultados, apesar de muitos problemas, estão à vista! Acho que não é preciso dizer que a maior parte dos músicos deste país formados nestes estabelecimentos frequentaram as suas aulas em regime supletivo. Volto a repetir que nada tenho contra o regime Integrado como modelo a seguir – até porque trabalho no único estabelecimento do país de Ensino Público com regime Integrado (mas não em exclusividade) – mas a aplicação deste terá que convergir em remodelações internas das escolas, a todos os níveis, terá que contar com a participação activa dos profissionais da área (que não podem olhar tanto para seu umbigo) e, acima de tudo, esta ambição de mudança de um sector que precisa de ser mexido, não pode ser fruto de uma encomenda cara (essa sim, foi cara com certeza!) a uma equipa de pretensos “especialistas”, porque afinal de contas fomos nós todos que pagámos este enfadonho e malévolo relatório.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (7)

(...) Sejamos claros quanto às «crenças»: o ensino supletivo é a regra em países com uma produção abundante e de qualidade de artistas e é aquele no qual se formou a esmagadora maioria dos músicos portugueses. Foi em aulas individuais que se formaram quase todos os músicos de todo o mundo. Quanto ao ensino em tenra idade, está abundantemente fundamentado na sua importância em todas as áreas, mas em especial no ensino artístico. (...)

Jornal Avante, Uma herança de carências e desorientação - O ensino artístico especializado sob ameaça

Novo ensino especializado da música (6)

- Democratizações da Arte - Entrevista com Jorge Ramos, membro da equipa que produziu o famoso relatório "Estudo de Avaliação do Ensino Artístico"!
- Dúvidas e esperanças de um novo modelo de Gisela Pissarra.
- Mais um estudo e depois...? de Luísa Mesquita

Está tudo aqui na revista Obscena nº 4

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Novo ensino especializado da música (4)

"As aulas em grupo têm muitas vantagens que permitem às crianças desfrutar das experiências que a música lhes proporciona, como conhecer amigos, desenvolver o trabalho em grupo e penetrar na compreensão da música tocando em “Ensemble”. Com esta finalidade, a Yamaha adoptou um método pelo qual os estudantes podem escutar e tocar em grupo (Ensemble), aprendendo música ao mesmo tempo que se divertem".

Texto introdutório dos futuros novos programas de Instrumento
(a adoptar a partir do Ano Lectivo 2007/2008 nas Escolas de Ensino Especializado de Música)

Novo ensino especializado da música (3)

"Uma análise quantitativa da população que frequentou o Conservatório mostra uma fortíssima quebra de alunos, inicialmente associada a uma política de contenção da oferta, apresentada no ano de 1930, mas que se aprofundaria até à década de 70. A diminuição de efectivos constituiu um impressivo retrocesso relativamente a todos os outros ramos de ensino que cresceram, em igual período e como nunca até aí, de uma forma sustentada. O estudo histórico mostra que se deve discutir a partir daqui a consolidação de práticas didáctico-pedagógicas específicas à instituição. A nossa ideia é que o abaixamento dos alunos teve como resposta organizacional mais óbvia o aprofundamento da necessidade de um regime de ensino individualizado da Música. Os dados de que dispomos apontam no sentido da manutenção e da prevalência de práticas de ensino colectivo até aos alvores do século XX: os professores podiam leccionar a várias secções no mesmo dia, mantendo-se inclusive o recurso a decuriões".

Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, Mito Do Ensino Individualizado, Fevereiro 2007

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Posts e Comments antigos

Já que estamos nesta onda de transformação do ensino especializado da música...
no Tónica Dominante (1ª versão) este modelo de ensino era "muito pouco"; nesta versão actual passamos de "cada vez menos" a "nada"; e agora estes posts da Sónia A. - "Novo ensino especializado da música" a juntar ao ramalhete!
Para quem estiver ainda interessado nos posts e comments da série "muito pouco" da primeira versão do TD, eles estão aqui.

Novo ensino especializado da música (2)

Proponho que se mudem os nomes dos Conservatórios deste país para Escolas de Ensino (nada) Especializado.

Novo ensino especializado da música (1)

Os programas e metodologias das disciplinas de música, como muito bem notaram os autores do famoso Relatório, estão caducos, cheiram a pó e a mofo:

"O currículo das escolas do ensino especializado da Música e os seus programas estão desactualizados sendo, nalguns casos, considerados obsoletos. De facto, pelo menos alguns dos programas existentes e em vigor são de 1930 (!) estando obviamente inadequados à realidade sob muitos (todos?) pontos de vista (e.g., pedagógico, didáctico, artístico, formação musical)."

Tomemos como exemplo a disciplina de Formação Musical:

"Constatou-se também que os conteúdos de certos programas, como o de Formação Musical, estarão mais apropriados para uma abordagem à alfabetização musical do que a uma abordagem à cultura musical, como parece ser recomendável actualmente."

Isto é inconcebível, sinal de um atraso quase irremediável!
O que nos vale, é que o ministério está atento...

2 be continued

O post anterior continua no Artimanha.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

sábado, 21 de abril de 2007

Ensino "nada" Especializado da Música (8)

Aqui está uma bela imagem daquilo que é supostamente uma aula de piano. Mas o melhor é prepararmo-nos para que estas imagens não passem de ficção ou coisa do passado. Em breve, com a reforma deste tipo de ensino, claro que sem “estatutos de excepção”, teremos aulas de piano bem mais animadas nas quais vários pupilos integrados ou por integrar (ainda não se sabe) poderão, livremente partilhar o teclado (uns com as brancas e outros com as pretas), a sala de aula e, é claro, o/a professor/a (ou quem lá estiver a fazer disso)! Dessa forma vamos chegar, finalmente, à tão desejada democratização do ensino, um ensino especializado para todos (literalmente, ao mesmo tempo!). Já não era sem tempo, porque isto de aulas individuais é coisa do tempo da outra senhora...
Definitivamente, temos que nos modernizar.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Ensino "cada vez menos" Especializado da Música (7)


É também este um momento de retorno, o dos posts Ensino "muito pouco" Especializado da Música que desta feita ainda estão menos que "muito pouco", ou seja " cada vez menos"!
E o gato? Será um aluno supletivo? Ou um futuro aluno integrado? Não, se calhar é mas é um professor especializado!
Tanto faz, é tudo igual...
O gato é que não tem culpa.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (6)

No âmbito da discussão acerca do ensino especializado da música aqui fica o meu comentário ao post “Mestres de Discípulos” do bajja de César Viana.

Caro César Viana:
cada vez mais penso que os assuntos abordados neste post, apesar da sua grande relevância, interessam a pouco mais do que meia dúzia de pessoas, se tanto! E essas pessoas, ou estão dispersas com as suas forças, ou não ocupam lugares de decisão e portanto nada fazem, ou, por último, já estão cansadas de tantos anos de luta e afundadas num sistema atrofiante que as consumiu. Eu incluo-me em qualquer dos casos, mas em particular no último... Mesmo no meu blogue, onde apresentei com grande empatia os meus pequenos aforismos, a série de posts - Ensino “muito pouco” Especializado da Música – foi sempre excepção porque representou para mim um grande tormento escrevê-los. Escusado será dizer que outros textos (e muita reunião e “reflexão”), em tempos idos, foram escritos em ambientes mais institucionais e que disso nada resultou a não ser a bandalheira a que assistimos hoje! Dou muitas vezes por mim a pensar se só eu é que estou a ver estas coisas!? Onde é que estão as centenas de professores de ensino especializado da música em situação precária de emprego? Onde é que está a qualidade de ensino “especializado” a que os alunos têm direito? Porque aligeirar tudo, desde a música, que deve ser a sério nas “escolas especializadas”, até aos patamares normais de exigência que devem ser regra entre relação professores/alunos? Os modelos actuais, implementados por uma série de equipas dos ministérios de educação dos sucessivos (2) governos, falharam!!! O ensino superior têm grande responsabilidade no estado em que as coisas estão porque não esclarece nem protege os seus ex-alunos e, por outro lado, lhes vai fazendo crer que serão “professores especializados”, até porque o tal número “X” de alunos por curso tem que ser alcançado, senão... e por fim, as direcções e professores de muitas “escolas superiores ou não, especializadas ou nem por isso” contribuem na sua forma de actuação irresponsável e incompetente, de forma letal e decisiva para aquilo a que se pode chamar de morte anunciada do verdadeiro Ensino Especializado da Música.

(obrigado aos que têm vivido neste espaço bloguista esta minha tormenta. A saber, César Viana, Carlos a.a., sasfa, Nívea Samovar, io, t., entre outros.)
3 Comments:
At Domingo, 11 Dezembro, 2005, César Viana said...
As suas recorrentes reflexões sobre o assunto têm contribuído para ao menos ter tido lugar alguma troca de opiniões. Quanto ao resto, meu caro Paulo Bastos, existe uma total ausência de massa crítica, neste como em muitos outros meios, por isso a única coisa que pode motivar a classe no seu todo são as carreiras, os ordenados, as habilitações, etc. Esta situação só valoriza o seu esforço, meu caro. Bem haja pela lucidez e persistência.

At Sexta-feira, 30 Dezembro, 2005, Anonymous said...
Claro que não é o unico, só que como bem disse o cansaço já é algum e quanto mais se estuda este assunto e se investiga a legislação mais o ânimo se vai perdendo. Pergunto se a maioria dos nossos colegas conhecem a famosa portaria que regula a habilitação para o dito ensino vocacional - 693/98? Confesso que só este ano fiquei a saber que o curso da univ ersidade de aveiro não é incluido. Segundo algumas informações que tive de pessoas que ocupam cargos directivos em instituições publicas, este curso cujo o nome é “licenciatura em ensino de música”, habilita os seus licenciados a leccionar qualquer disciplina nas escolas de ensino especializado, e pelos vistos esses são os preferidos!. Claro que a lei é susceptivel de varias interpretações...logo, estamos todos dependentes da boa disposição do momento dos reponsáveis pelo ensino artístico que se sentam cómodamente nos cadeiróes das direcções regionais de educação.
Isto não passa de um pequeno problema comparado com aqueles que temos que enfrentar diáriamente com as direcções das escolas. Quem trabalha no ensino particular estes problemas agravam-se: contratos de trabalho ilegais, pressões durante a avalição, condições de trabalho precárias, falta de pagamento, pressões para assinar juris de exame dos quais não fiz parte para encobrir professores sem habilitação, enfim já passei por isso tudo. Inclusivamente já sofri intimidações por parte da entidade patronal por ser sindicalizada. Já sei que devem ter conhecimento disto e muito mais, de qualquer maneira é sempre bom desabafar.
Toda esta situação cansa, e muito e é tremendamente dificil mexer nestas questões quando a maior parte dos colegas que trabalham nas mesmas escolas só se preocupam com quantas horas, quantos alunos vão ter durante o ano. Coonfesso que é angústiante não se saber qual vai ser o nosso ordenado no ano asseguir ou até mesmo no mês asseguir. è um ciclo vicioso, um tipo de comercio até. Quantas mais horas - mais alunos -mais dinheiro - menos exigência para manter os alunos-menos empenho - menos música e assim andamos todos “satisfeitos”. O que é necessário é motivar as crianças, como? É simples, não dando muito trabalho, boas notas, simpatia, não chatear muito com essa coisa de ter de estudar, música não se estuda. E o rendimento, e a qualidade de trabalho? Isso não renova as matriculas.
Saudações
AT

At Quarta-feira, 04 Janeiro, 2006, sasfa said...
Caro(a) AT:
O seu comentário foca um tema crucial para o ensino especializado, que, confesso, nunca tive coragem de nomear - as licenciaturas em ensino de música ( não só de música, a epidemia alastra-se a outras áreas) da universidade de Aveiro e, mais recentemente, da Católica.
Tenho a certeza que estas instituições são responsáveis, em grande parte, pela degradação do ensino da música em Portugal, e isto por vários motivos:
• os currículos destas licenciaturas não privilegiam o estudo do instrumento, ou composição, em profundidade, antes afloram uma diversidade de disciplinas, maioritariamente teóricas;
• a carga horária destes cursos não permite o trabalho individual que um estudante de música precisa de ter;
• a exigência, fraca, à entrada, durante e à saída dos cursos;
Isto não quer dizer que estes cursos estejam mal estruturados, pelo contrário, estão até bastante bem se pensarmos que foram criados para preparar professores para o ENSINO GERAL!!! Exactamente, opção de música no 3o ciclo do ensino básico. Nas escolinhas secundárias e EB23 e afins, não nos conservatórios e academias. Por isso não aparecem na famosa portaria! Como não havia saída de emprego para tantos recém licenciados, a UA conseguiu o inacreditável: colocar os seus alunos no ensino especializado e profissionalizá-los, dando-lhes ao mesmo tempo todas as vantagens do ensino geral, nomeadamente a progressão na carreira, coisa com que, como deve saber, os licenciados nas escolas superiores, Lisboa ou Porto, Metropolitanas, etc, apenas podem sonhar... Mas estes é que são os especialistas, não é?! Pois são, mas no sítio errado, porque em Portugal é muito mais importante ser doutor do que ser técnico... por isso, as direcções regionais se deixam seduzir pelos DRs, e as entidades patronais, maioritariamente chefiadas por pessoas que entendem mais de física nuclear do que de música, os preferem... É evidente que o problema do ensino especializado da música é muito mais complexo e não se resume a isto, mas esta é uma fatia (grande, aliás) do bolo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (5)

Coloquem alguém de forma permanente e obstinada a fazer aquilo que não sabe nem gosta. Ou ainda pior, coloquem pessoal não especializado a “fazer de conta que faz” o trabalho especializado. É, como se dizia num post abaixo, querer “endireitar a sombra da vara torcida” colocando o pedreiro a fazer o trabalho do engenheiro. Os maus resultados aparecem, mais cedo ou mais tarde, de forma mais ou menos radical. Assim vai o ensino “nada” especializado da música em Portugal.
8 Comments:
At Quarta-feira, 26 Outubro, 2005, Nívea Samovar said...
Pois...
Imagino que hoje te puseram mais uma vez a partir pedra burocrática...
Compreendo o tormento.
Assim nem podes ter disponibilidade mental para compor algo à tua filha que não a ponha a falar de trás para a frente ou muda durante 4 minutos e 33 segundos quando tentas adormecê-la...
Não vislumbro solução mas... estou contigo!

At Quinta-feira, 27 Outubro, 2005, IO said...
A música faz parte da educação completa que todo o cidadão devia ter, mas como educação é coisa de que o(s) governo(s) temem, natural é o estado em que nos encontramos em Portugal - abraço, IO.

At Quinta-feira, 27 Outubro, 2005, Carlos a.a. said...
Estimado Paulo Bastos
O alcande deste texto é vastíssimo e daí a sua riqueza: tanto podemos ler a falta de propensão ou qualidade do ensino especializado da música como a apetência de alguns músicos para a área da gestão...
Cumprimentos

At Quinta-feira, 10 Novembro, 2005, pisconight said...
A música é uma arte, é um dom, faz parte da nossa cultura e faz-me um bem imenso (a mim!!).
;)

At Terça-feira, 22 Novembro, 2005, César Viana said...
Penso que uma grande parte do problema reside no facto de o ensino das artes ter sido integrado na estrutura do ensino regular, sem que tenha havido a necessária flexibilidade para que a sua especificidade pudesse impor algumas necessárias excepções. Os métodos de selecção para os cursos superiores (e a necessidade de preecher vagas) fazem com que cada geração seja necessariamente mais ignorante e irrelevante que a anterior; o tipo de carreiras do ensino secundário impede o acesso dos mestres e promove os professores de carreira, que deveriam ministrar o ensino artístico genérico nas escolas (de que falo? Isso existe lá...). Trata-se de situações que criam cadeias irremediáveis que já nos envolveram. Não sei se há como sair daqui, tendo em conta o que é o enquadramento legislativo, o funcionalismo provinciano de grande parte dos docentes, e os milhões de futuros setôres de música a serem (de)formados permanentemente. E, no fundo, o problema é simples: há artistas e há jovens que aspiram a sê-lo... mas o enquadramento legal, que seguramente alimenta carreiras e protagonismos, só não deixa espaço para mestres e discípulos.

At Terça-feira, 22 Novembro, 2005, nívea samovar said...
Concordo plenamente com a clara análise que o César Viana acabou de fazer. É lamentável que assim seja, ou que aqui se tenha chegado. A uma situação em que, para nos realizarmos como mestres ou discípulos, nos vejamos forçados a afastar-nos do enquadramento educacional que supostamente deveria ter como principal função promover essa relação de aprendizagem. Pergunto-lhe, César: acha que o ensino das artes perdeu em ter sido enquadrado num ensino regular, em toda a Europa, ou este é mais um caso português de modelos de ensino onde a rigidez do esteriotipo atrofia os verdadeiros objectivos ou mesmo os esvazia de conteúdo?
Estou errada ou as escolas secundárias de outras artes não tiveram a mesma evolução negativa?
Por último, RE-benvindo a este espaço dialogal! Pode ser que o Paulo, entre o braço direito encalhado, a defesa de tese e os afazeres familiares, seja estimulado a voltar!

At Quinta-feira, 24 Novembro, 2005, César Viana said...
Noutros países da Europa, apesar da integração na rede oficial de ensino, foi respeitada a especificidade deste tipo de ensino no que diz respeito a curriculum, carga horária, recrutamento de professores, etc. embora o final o diploma seja equivalente. É verdade que noutras artes o problema não é tão sério. Onde ele é verdadeiramente gritante é na música e, talvez mais dramaticamente ainda, na dança, já que os escalões etários dos discentes, o tipo de progressão, a origem dos docentes, etc. têm características muito diferentes. Em ambas se começa muito cedo a estudar e, também, a construir uma carreira. Em ambos os casos seria importante que os docentes fosem oriundos do meio artístico, pelo menos os de certas disciplinas mais vocacionais, e em estabelecimentos de ensino de referência. Em certos países, paralelamente a um ensino artístico mais integrado no sistema regular, subsiste um outro, ligado a instituições artísticas (caso da Opéra, por exemplo). Noutros casos ainda, não há qualquer tipo de integração nas redes regulares de ensino. Não me parece que haja receitas milagrosas. Com sistemas muito diferentes no que diz respeito ao grau e tipo de integração no ensino regular, há muitas experiências positivas. A questão acaba sempre por ter a ver com flexibilidade e bom senso. Acontece que é muito mais fácil para a gigantesca máquina burocrática do Ministério da Educação achar que é tudo igual e pronto. Daria talvez mais trabalho encontrar formas de equivalências de habilitações para adocência, diferentes estruturas curriculares e cargas horárias, etc. Repare-se que não é uma questão legal.
Há no entanto que dizer que não tem sido fácil encontrar posições consensuais nestas matérias. Em países como a Inglaterra, a França, a Alemanha, etc. há uma tradição que trava os excessos de corporativismo. Em Portugal, o peso das questões corporativas tem-se sobreposto frequentemente a um esforço genuíno para resolver estas questões tendo como ponto de partida a formação dos alunos e não os problemas laborais dos professores. É claro que estes têm de ser sempre respeitados, mas sempre que se desenham novas estratégias, sente-se que os numerosos calculismos que despontam têm muito a ver com carreiras e pouco com arte e ensino.

At Domingo, 27 Novembro, 2005, sasfa said...
Já há muito tempo que não via uma tão boa descrição como a que faz o César Viana; é mesmo isso, é tudo isso! É um texto acertadíssimo! Mas, inesperadamente, em vez de responder com alvoroço, alguma revolta até, fico um pouco paralizada à frente do computador...
Devo estar cansada de ver o barco a afundar e ainda estar dentro dele...

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (4)

Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.

Manuel Bernardes, Luz e Calor

(este texto diz muito sobre o estado do ensino artístico em Portugal, mais ou menos especializado, da música ou nem por isso...)
5 Comments:
At Segunda-feira, 12 Setembro, 2005, t. said...
Este texto diz muito do estado do próprio país.
Vivemos entre o que somos, e o que dizemos que somos.
:)
Teresa

At Segunda-feira, 12 Setembro, 2005, pb said...
Completamente de acordo!
:-)

At Terça-feira, 13 Setembro, 2005, joana araujo said...
eu sei k n tem muito a ver mas aki publico um mail”engraçado” k m enviaram:
Barbara Guimaraes recebeu ate Outubro de 2001, durante todos os meses, 5.000 euros (1000 contos) do Ministerio da Cultura para realizar um curto programa diario na RDP-Antena 1. Ao todo foram 60.000 euros (12 mil contos) recebidos em 2000 e cerca de 4500 a 5000 euros por mes em 2001. Ou seja, o Estado portugues gastou com Barbara Guimaraes um total de 110.000 euros.
Tudo gracas a amizade entao existente entre o ministro da Cultura e a conhecida estrela de televisao. Manuel Maria Carrilho subsidiou o programa,um pequeno magazine cultural de cinco minutos transmitido de segunda a sexta-feira na RDP- Antena 1. Os 5.000 euros mensais atribuidos por Manuel Maria Carrilho a Barbara Guimaraes foram pagos atraves do Fundo de Fomento Cultural, entidade tutelada pelo Ministerio da Cultura e presidida pela actual secretaria-geral do ministerio, Helena Pinheiro Azevedo. Este deve ser o dinheiro que um contribuinte medio faz de descontos UMA VIDA INTEIRA, sem poder fugir !!! isto diz alguma coisa......

At Terça-feira, 13 Setembro, 2005, pb said...
Essa história da Barbara Guimarães já conhecia de um email que circulou durante uns tempos por aí. Resta-me, de qualquer forma o desconfortável consolo de pensar que essas informações podem ser falsas...

At Quinta-feira, 22 Setembro, 2005, Anonymous said...
Não são falsas não. Eu trabalhei na RDP e é verdade. Há pessoas que sobem na vida na horizontal, n’est-ce pas?

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

E nós por cá? (3)

(definição simples, pura e dura. gosto particularmente do fim, “vocação na qual o aprendiz participa”, muito bom mesmo...)

Vocational education (or Vocational Education and Training (VET)) prepares learners for careers or professions that are traditionally non-academic and directly related to a trade, occupation or ‘vocation’ in which the learner participates.

(... é caso para dizer e nós por cá? Como estamos de ensino vocacional? muito mal, como nunca vi...)
1 Comments:
At Sexta-feira, 19 Agosto, 2005, sasfa said...
No nosso dicionário “ensino vocacional” é: actividade secundária que se propõe dar bom ar e uma certa elevação às mentes dos futuros engenheiros, médicos e economistas.