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segunda-feira, 25 de junho de 2018

18 anos de Curso de Composição

Algumas palavras escritas e ditas hoje antes do Concerto de Composição | Auditório Adelina Caravana
O curso de Composição de Braga atingiu a maioridade, 18 anos ininterruptos a lançar novos nomes da Composição portuguesa, contribuindo para a mudança definitiva do paradigma da composição em Portugal. Tudo começou no ano de 2000, um novo século e um novo curso surgiu da vontade e sonho de alguns (poucos) no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. Assim, isolado de todo o panorama nacional, este curso foi até há poucos anos, único no panorama da Composição em Portugal.
Olhando hoje para as palavras escritas por Ana Seara (aluna do primeiro curso de Composição) no Jornal da Associação de Estudantes em que destacava o novo curso criado como “o curso mais recente e irreverente” do nosso conservatório, podemos afirmar que ainda assim, ninguém, nem mesmo ela, poderia imaginar a revolução criativa que a sua geração e seguintes iam operar no contexto musical nacional. Efectivamente, a partir da saída dos primeiros finalistas deste curso, começou a mudar-se o perfil de exigência técnica e artística para aceder a um Curso de Composição no ensino superior. Aliás, poucos anos depois apelidaram esta geração de compositores nascida no final dos anos oitenta como os mais representantes mais visíveis de um segundo renascimento da composição em Portugal.

Número total de obras estreadas até junho de 2017
Solo - 32
Duo - 19
Trio - 13
Quarteto - 4
Quinteto - 9
Sexteto - 4
Septeto - 1
Ensemble - 4
Orquestra de cordas - 1
Orquestra sinfónica - 1
Coro / quarteto vocal - 2
Coro / trio instrumental- 1
Eletrónica sobre suporte - 35
Eletrónica em tempo real - 1
Eletrónica e instrumentos acústicos (música mista) - 4
Eletrónica e narradores - 1

Total: 132 Estreias
A verdade é que a Composição, pela sua natureza criativa e introspectiva, não é, de forma imediata, uma área musical de palco, é mesmo muitas vezes esquecida face aos eventos musicais propriamente ditos, os concertos, os recitais, as orquestras, os coros, os intérpretes, os virtuosi do mundo imediatista em que todos vivemos. Ainda hoje é frequente apontar-se como única realidade visível dos conservatórios os alunos instrumentistas! Erro lacrimável, basta olharmos à nossa volta, aqui mesmo. Continua a ser imprescindível lembrar que nada haveria a tocar, a interpretar, a brilhar nos palcos, não fossem esses criadores a que chamam de “os compositores”.
A eles, e em particular aos que por cá estiveram ou que ainda cá estão, a justa homenagem.

Ana Seara, Osvaldo Fernandes, Sara Claro, Sofia Sousa Rocha, Adriano Macedo, António Lima, Susana Araújo, Hélder Vieira, Carlos Adriano Oliveira, Tânia Magalhães, Miguel Carneiro, Daniel Paredes, Carlos Dias, Ana Lima, Helena Gandra, Alexandra Prezado, Gustavo Cruz, Andreia Leal, Almeno Gonçalves, Paulo Morais, Francisco Fontes, Júlia Durand, João Tiago Araújo, Pedro Lima, David Ramalho, Diogo Silva, António Novais, Ana Catarina Barros, Jorge Ramos, Patrícia Oliveira, André Mota, André Pacheco, João Carlos Pinto, Pedro Coelho, César Toscano, Rui Gomes, José Eduardo Barbosa, Maria Portela, Diogo Ferraro, José Mendes, Filipe Soutelo, Sara Marita, Tomás Alvarenga, Adriana Machado, Joana Lopes, Daniel Amado e José Nuno Soares.
47 nomes.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

GV111


Estou a olhar para os primeiros esboços de uma nova peça musical...
Bom, nada de novo, o costume aliás, esta necessidade de escrever música que teima em não parar! Mas doravante vou passar a enumerar as obras musicais que vier a fazer. Para além do habitual título que cada peça vai ter vou passar a catalogar o número das peças, uma coisa séria, estilo Opus, BWV, KV, etc. uma vez que calculo que depois de eu morrer ninguém vai ter o trabalho de o fazer porque é uma maçada. Bom, então a novidade que acabo de anunciar vai apresentar-se a partir da próxima obra com a indicação de catálogo de GV. A próxima obra que farei vai ter um titulo e tal, como as outras, com música lá dentro, e a indicação de GV111. Porquê GV111 perguntarão alguns dos que ainda estão a ler este pequeno texto? Pois sim, é justo que seja dada uma explicação, GV será a abreviatura de Gaveta, a minha melhor amiga e companheira do meu modo de estar "compositor", o local para onde já foram tantas obras que produzi. Uso frequentemente esta palavra (gaveta) quando me perguntam algo sobre aquela obra musical, estilo "não tens uma obra para corneta sem pistões, celesta e viola sem arco?", e eu respondo que vou ver à minha gaveta! Em relação ao número 111, deve-se este ao facto de me ter lembrado, apenas agora, de ver quantas obras tenho escritas e registadas desde que componho música. E a verdade é que tenho compostas 110 obras musicais (as oficiais diga-se) até ao final de Dezembro de 2017. Como se deve imaginar, não conto as obras musicais à peça, estilo buffet, 7€ cada 15 peças de suschi, não, a coisa não funciona assim, uma obra que tenha 16 peças por exemplo é apenas uma obra musical e não 16! É o caso específico das "Pequenas histórias de um Saxofone" por exemplo. Por isso, naturalmente o número 111 será o da próxima obra que vier a fazer. Este número, 111, pode ser um mau (ou bom) prenúncio se pensarmos na última sonata para piano de Beethoven...
Então assim será, a próxima obra musical intitulada "qualquer coisa" para os instrumentos "qualquer coisa" será acompanhada pela sigla GV111 e desta vez, penso dedicá-la mesmo à minha gaveta.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

dorme


Passaste os dias a pôr sílabas
sobre sílabas, dorme, estás cansado.
Não são do rio essas luzes,
dorme, já não há rios.
Nos pátios do outono a noite
já soltou os seus cães, dorme.

O peso da sombra, Eugénio de Andrade

sexta-feira, 14 de abril de 2017

“A minha alma é água fria”

“A minha alma é água fria” como escreveu Mário Sá-Carneiro...
É o pior dos sentimentos que me devassa quando penso no que aconteceu em Esposende. Quem acompanhou os últimos meses sabe o que Carlos Pinto da Costa e Helena Isabel Venda Lima lutaram para a manutenção dos projectos de que eram fundadores, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende (CPCE) e o Coro Ars Vocalis. A qualidade destes grupos, particularmente o que eu conhecia bem, o do CPCE, dava que falar já há alguns anos e o mérito reconhecido de todos os seus elementos era ímpar. Agora, devido à mesquinhez de quem vê pouco e nada enxerga para lá do seu umbigo, os projectos acabam, assim, só porque sim, porque é bom para alguns ver mal os outros. Mas os outros são muitos, são os elementos do coro e as suas famílias primeiramente, são os compositores que com eles orgulhosamente trabalhavam, são em última análise os responsáveis pelos projectos, a Helena, o Carlos, o Diogo, etc. O CPCE ia estrear em novembro uma obra minha no encerramento do Encontro Nacional da APEM na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa... Já não vai! Os responsáveis (Zendensino entre outros) devem estar muito felizes por terem destruído, assim de uma penada, o trabalho e o valor destes jovens. Ainda assim, espero que durmam mal e que o vento vos traga de volta todo o mal que desejam aos outros. A ignorância é o maior inimigo do homem principalmente quando aliada à malvadez e mesquinhez.



(facebook | 8 de Outubro de 2015)

e depois aqui!

terça-feira, 11 de abril de 2017

ao meu amigo Paulo Mesquita

A propósito do grande concerto de ontem deixo um pequeno texto que escrevi há tempos. Resume, de alguma forma, o que se ouviu ontem na Casa da Música ao fim da tarde: A música de Paulo Mesquita tem como contorno essencial a sua visão total do acto da performance, através de todos os parâmetros essenciais do som, começando pelo timbre total do instrumento (piano, guitarra, entre outros), passando por uma exploração rítmica de grande subtileza até à qualidade e consciência harmónica das suas démarche cadenciais de clara sonoridade urbana. No primeiro cd de Paulo Mesquita, “Piano Harp and Percussion”, ouvimos, porventura, o seu som mais original onde este explora abertamente o piano na sua perspectiva mais ampla, ou seja, nas suas cores como instrumento de teclado, de cordas e de percussão, ou, nas suas próprias palavras, “na endogenia das ressonâncias, dos harmónicos dos travejamentos e madeiras”. Para além do cd supracitado, nos seus vários trabalhos encontram-se dois cd’s de piano solo já terminados, música para bandas sonoras, bailados, teatro, entre outras experiências performativas. A generalidade da sua música revela, não só a formação clássica do pianista, o seu gosto pelo jazz, a sua experiência na manipulação de loops em tempo real, mas também, e principalmente, o requinte de execução instrumental percorrido em linha recta, a uma velocidade estonteante, entre o seu gosto eclético e o gesto musical propriamente dito. Paulo Mesquita, fora dos rótulos e circuitos tantas vezes sofríveis do mediatismo do meio musical, é ele próprio música!


(facebook | 1 de Outubro de 2014Foto: Lauren Maganete)