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domingo, 17 de junho de 2012

sobre a ausência de gosto musical

Para além da questão do ensino especializado da música, que é o que tema que sempre mais me preocupou, ainda há a música contemporânea portuguesa em si mesma. A maior parte das obras que escrevo (desde 1990 sensivelmente) nunca foram tocadas, e aquelas que o foram não passaram da primeira e única vez. A comparação que posso estabelecer e forma mais simples de perceber é a de um escritor que escreve um livro para crianças, por exemplo, e apenas uma criança no mundo o ler! Não há qualquer forma, que eu esteja a ver de este tipo de coisas mudar por diversos motivos.
(comentário meu algures no facebook)

Quem ler o que acabei de escrever pode tirar vários tipos de conclusões...

pode eventualmente pensar que estou a aludir aos velhos problemas dos grupos daqui e dali, dos que são mais privilegiados no que à divulgação da sua música concerne, ou das questões das periferias - onde agora me incluo cada vez mais uma vez que me mudei do Porto para Braga, uma cidade sem qualquer tipo de estimulo cultural sério que eu vislumbre - e dos centros de poder, ou, pura e simplesmente, pode o leitor pensar, que afinal o tipo (eu) não tem é nada decente para mostrar e está para ali a lamentar-se. Mas desenganem-se os que põem acreditam em qualquer uma das hipóteses simplistas anunciadas acima! Sempre me passou literalmente ao lado todos este tipo de quesitos. No que diz respeito à composição portuguesa penso que tivemos um longo e sinuoso período, durante o século XX, verdadeiramente negro no que à qualidade diz respeito, com uma série de clichés atrasados do que melhor se fazia pelo resto do mundo em termos musicais. A época a que me refiro, com algumas excepções, é o chamado “antigo regime” que fez também os seus estragos no que à música portuguesa dizia respeito. Agora temos este modelo de “Actual Regime” disfarçado de coisa boa e democrática que também é, e muito, repressivo. A ressaca do antigo regime é o “Actual Regime” que hoje se vive. Voltando à questão central deste pequeno prelúdio, que é a composição portuguesa, sempre achei que a diferença de divulgação e amostragem da música dos compositores vindos de Lisboa e os do Porto se justificava. Pessoalmente, nem sequer estranho o facto de a massa composicional de Lisboa estar muito mais representada em Portugal (nomeadamente no norte) e no resto do mundo. Afinal há uma diferença de qualidade e quantidade abissal entre aquilo que foi produzido de um lado e do outro lado do país ao longo dos últimos 20 anos. É evidente que, para além de nós mesmos, tudo tem uma causa e responsáveis. Os poucos compositores portuenses que saíram do curso de composição da escola superior de música nos anos noventa não foram formados, foram, de forma lapidar, claramente deformados! Nas duas décadas seguintes, alguns apenas, iniciaram um processo lento de reconstrução e desconstrução de uma série de tiques e fobias confusas transmitidas pela intitulada geração de 60 reiniciando tardiamente a recuperação do seu espaço enquanto compositores. Alguns endireitaram-se e sempre escreveram música, outros não, e ele houve outros ainda que não tinham mesmo porque se endireitar.
Conheço, e sou leitor atento do que melhor se escreve sobre a produção cultural e, em especial da produção musical, no nosso país. Confesso-me como alguém que partilha uma grande parte das lúcidas e claras ideias difundidas por António Pinho Vargas na sua tese de doutoramento – “Música e Poder: Para uma sociologia da ausência da música portuguesa no contexto europeu”. No entanto, como em tudo, nem sempre nos revemos na totalidade dos argumentos de quem mais nos convence e há algo que percebi como não referido no que a “ausência da música portuguesa na europa” diz respeito. Num pais, pequeno como é o nosso, assistiu-se, até sensivelmente ao final de século XX, a uma clara assimetria entre a formação de compositores oriundos de Lisboa, que foram sempre muitos, e os do Porto. Será que esta realidade concreta não terá tido os seus efeitos nefastos para além das vitimas mais próximas, ou seja, os projectos de compositores do norte? Será que esta questão não é ela mesma uma das causas do enfraquecimento da própria realidade composicional para além das fronteiras territoriais? Porque a evidente ausência da música portuguesa na europa e consequentemente em Portugal? Para além das muitas razões da fraca visibilidade da música portuguesa na europa apresentadas por António Pinho Vargas, com que concordo na totalidade, na sua tese de doutoramento e livro, poderia, com certeza, constar também esta assimetria que refiro aqui, a de um país provinciano que nunca sairá dos ambientes que Eça de Queirós tão bem caracterizou.
Note-se que eu nem sequer acho que a música portuguesa moderna e contemporânea tenha que ter visibilidade só porque sim! Defendo mesmo que um bom programa de concerto não tem que ter música portuguesa, mas porque é que a há-de ter? Onde está isso escrito? É, aliás, de um provincianismo absoluto alguém pensar que deveria ser assim, só porque nos orgulhámos de ser portugueses, em nome de um qualquer tipo de nacionalismo bacoco, nada presente em praticamente tudo o que fazemos. Muito sinceramente, tanto me faz ser português como ser outra coisa qualquer! É-me indiferente... o que penso, isso sim, é que um bom programa de concerto deve primar pela forma de organização e interação entre as várias obras nele presentes e, acima de tudo, pela qualidade e coerência do objecto estético aí revelado em música. O que não se pode é colocar intermediários castradores e desabilitados (não me refiro a habilitação académica, mas sim, aos que vivem felizes sem o mínimo de saberes culturais) a organizar programas culturais de instituições, programas mal conduzidos, ou, até, in extremis, a gerir a própria cultura. Parece-me que, com os erros da história da música pouco ou nada se aprendeu por cá, basta lembrar as escandalosas estreias de obras Edgard Varèse em Paris, pois nada poderia funcionar, como é óbvio não ouviria com normalidade uma estreia de uma obra de Varèse entre Mozart e Mendelssohn. Mas todas estas questões têm os seus quês… para vermos pontes entre compositores diametralmente opostos é sempre necessário termos uma visão de conjunto que justifique as nossas escolhas. A título exemplificativo, e na primeira ideia que me ocorre, porque é que um concerto que cruze um certo tipo de obras de Bach, Kurtág, Janacek, Webern e Scriabin vai funcionar? A resposta a esta pergunta está com certeza na evidência de pensamento de quem as propõem enquanto programa de um eventual concerto. Para tal é necessário alguns saberes culturais, não muitos, mas alguns... ele há coisas que nunca se escondem, e a maior é, sem dúvida, a ignorância. A minha questão fundamental em relação à música, quer seja ela a portuguesa ou outra, é sempre a mesma e contradiz o espírito das regras “sociais” e democráticas, é aquela que banaliza a célebre frase de que “o gosto não se discute”! Discute, pois. E, concretamente, o gosto musical discute-se e educa-se. Só é pena é que já ninguém esteja para isso, nem para educar nem para ser educado.

sábado, 16 de junho de 2012

Tónica Dominante (3)

Tudo começou em 2005. Hoje, 4 anos depois, vou reabrir o meu blogue!
Com plena consciência de que o momento pode não ser o melhor, de que as ditas liberdades de expressão estão cada vez mais ameaçadas, ainda assim, ele volta, mais serenamente, mas igualmente parte de mim.
Espero que nesta terceira vez não me cause mais problemas...


quarta-feira, 9 de abril de 2008

o que resta dele

Este blog, ou o que resta dele, transformou-se naquilo que não é!
Um blog de fotografias...



Assim, de uma qualquer forma, se expressam as dores e os dissabores do crescimento,
é bem complicado crescer sempre,
isto já podia ir parando.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

ensINo não espeCializadO em coisa nenhuMa a não ser, PEnsando bem, TalvEz, Não, mais TardE, pois...

No post anterior refere-se um, e apenas um, dos “factores do fracasso do sistema educativo português”, os chamados “cientistas da educação”...

Mas o que realmente me enerva é a incompetência, disfarçada de coisa boa, cheia de objectivos vazios, vestida com roupa nova, activa como uma barata tonta, repleta de trejeitos “estudados” em universidades de caca, em suma, o ser, não do verbo mas de humano, puro e duro, mal formado, humanamente e cientificamente!

Há pouca coisa neste meu “pequeno mundo” que me incomode mais do que isto.

sábado, 29 de setembro de 2007

Os livros que mudaram a minha vida

Os livros que mudaram a minha vida!
Mais vale tarde do que nunca, portanto, vou tentar responder ao desafio lançado, já em 17 de Setembro, pelo Carlos do Ideias Soltas.
Não sei se estes livros me mudaram a minha vida, mas que cá ficaram, cá dentro, ai isso ficaram. Estou convencido que os livros não marcam uma pessoa apenas pela qualidade literária do seu interior, mas também, e essencialmente, pela vivência pessoal do leitor na época em que os leu.
Então, e se bem me lembro, cronologicamente, foi assim:

- Os inevitáveis Os Cinco de Enid Blyton;
- Os Capitães da Areia de Jorge Amado, que me trouxe os primeiros sonhos da pré-adolescência, num misto confuso de sentimentos, que até as lágrimas fizeram aparecer...;
- O Crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz, que revolta senti, o que eu me envolvi, também chorei;
- O Lobo das Estepes de Hermann Hesse, li tantas vezes que, acho, comecei a confundir nessa altura a vida real com o “Teatro só para Loucos” do livro;
- A Insustentável leveza do Ser de Milan Kundera, mais pelo filme, suponho:
- O conto O Covil de Franz Kafka, profundíssimo, perturbante, sem mais comentários...;
- Os Nós e os Laços de António Alçada Baptista, retrato de uma geração que devia ter sido a minha;
- Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, cegos? Todos nós? Talvez...

(Há outros com certeza, mas, neste momento, não me lembro...)

sábado, 1 de setembro de 2007

Terrorismo Social

Um total de 47.977 tentaram a sorte e candidataram-se a um contrato numa escola. Mas mais de 90 por cento não conseguiram nesta fase um lugar para dar aulas. As listas de colocação de contratados foram publicadas ontem à noite. E revelam que só 3252 professores obtiveram um horário completo; 44.725 não conseguiram.

in Público

terça-feira, 31 de julho de 2007

"a música da minha vida"!

Para férias vou deixar aquilo a que se pode chamar de "a música da minha vida"!
Apesar de ter consciência da dificuldade de sustentação de tais afirmações, neste caso, e nem sei por quê, é assim mesmo, foi sempre assim desde há muitos anos, ou como eu dizia em tempos, ab origine...
Tivesse eu que escolher apenas uma música, e apenas uma, para qualquer tipo de situação, era esta com certeza, nesta interpretação - Arturo Benedetti Michelangeli.

Na mesma obra deixo também duas sugestões para este período de férias:
a de Martha Argerich e a de Manuela Araújo, esta apenas em audio. Nenhuma delas é de perder, ouçam tudo e aproveitem bem.

domingo, 29 de julho de 2007

no comments (1)

Vim há pouco do concerto de Ivo Pogorelich...
Só vi a primeira parte...

Quero recordar sempre Ivo Pogorelich assim, e só assim.
J. S. Bach, Suite No. 2 in A minor, BWV807 - Prelude

(para quem estiver interessado aqui está uma crítica a um concerto com programa semelhante)

sábado, 28 de julho de 2007

Dinu Lipatti

Mas o que une as pessoas que gostam mesmo de música é a capacidade de estarem abertas a surpeenderem-se a qualquer momento!
Assim disse Carlos A. A., com toda a razão, num comentário a um post que aqui coloquei - "Chopin e interpretação". Pois bem, o César Viana e o próprio Carlos A. A. aguçaram-me o apetite para ouvir as valsas de Chopin por Dinu Lipatti. E não é que a minha amiga Nívea Samovar, a propósito do tal post, me oferece um cd com as ditas cujas! Ouvi, e fiquei abismado, debaixo de um som "antigo" encontrei a clareza, a elegância e o equilíbrio de uma interpretação magistral.
Para ouvir deixo aqui a Valsa n°6 en ré b maior op.64 por Dinu Lipatti.
Obrigado César, Carlos e, claro, Nívea!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

As últimas 5 leituras

Recebi este desafio do Carlos A. A. do Ideias Soltas – os últimos cinco livros que li?
Então aqui vão os cinco:
  • Introduction to post-tonal theory de Joseph Straus (2000)
  • Doutor Fausto de Thomas Mann (1947)
  • Mort ou Tranfiguration de l’Harmonie de Edmond Costère (1962)
  • Twentieth-Century Music – An Introduction de Eric Salzman (1988)
  • Serial Composition and Atonality: An Introduction to the Music of Schoenberg, Berg and Webern de George Perle (1991)
Neste momento, estou a ler:
  • Todas as Almas de Javier marias (1989)
O desafio segue para A Sinistra Ministra, para o Abaixo de cão, para o Anacruses, para o Contemporâneas, para o desNorte, para o Insustentável e para o Paixões e Desejos.

sábado, 30 de junho de 2007

Mozart e interpretação

Para quem não conhece, para quem não lhe interessa conhecer e para os que estão acima deste tipo de coisas, aqui vai a interpretação que mais gosto das Sonatas de Mozart - a nº 13, também a que mais gosto - na magistral versão de Maria João Pires, na etiqueta Denon, gravadas em Tokyo, Lino Hall, em Fevereiro de 1974.
W. A. Mozart, Sonata para piano nº 13 em Si b maior, KV 333, Allegro, Andante cantabile e Allegretto grazioso - Piano, Maria João Pires, 1974

sábado, 23 de junho de 2007

Chopin e interpretação

Porque para mim as opiniões discutem-se!
No Artimanha encontrei uma discussão sobre interpretação de Chopin. O caso Pollini/Chopin foi debatido, embora, com algumas interrupções... daquelas de quem acredita que escrever uma opinião num blogue é um acto de auto-promoção ou coisa que o valha!
Agora venho eu fazer algumas sugestões para a audição desse grande compositor chamado Chopin. Digo grande compositor, porque o é. É muito comum menosprezar a produção de Chopin por este ter composto quase exclusivamente para piano. Asneira da grossa!!! Toda a produção de Chopin foi altamente inovadora, quer ao nível harmónico (avançou anos luz, numa série de coisas), quer na revolução técnica provocada nesse fantástico instrumento que é o piano. Acho piada à "acusação" de que só escreveu para piano, queriam o quê? Que escrevesse octetos de sopros sem ser esse o seu terreno composicional!? Atenção, que na moda composicional portuguesa não fica bem falar bem de Chopin! Os mais eruditos dizem até que o senhor compositor nem sabia orquestrar, que basta ver os concertos para piano, enfim, balelas! Os dois concertos de piano de Chopin (fora os ditos cujos de violino...) são muito bem orquestrados, tendo em atenção o estilo de escrita, as técnicas de composição e a especificidade da técnica pianística deste compositor.
Mas deixemo-nos de analisar este tipo de reacções tipificadas de determinados grupos pré-formatados senão ainda tenho que falar do caso Beethoven... sim, também é de bom tom, no meio composicional português, falar mal do mestre de Bona!
Voltemos ao Chopin. Para mim Chopin e a sua obra tem sido um livro aberto a constantes mudanças no que diz respeito às interpretações. A sua música é tão boa que há sempre quem possa surpreender-nos mesmo aqueles que nunca haviamos ouvido (tal como Ivan Moravec que conheci há pouco).
Vamos então às sugestões (3 apenas), às opiniões, à discussão de ideias, chamem-lhe o que quiserem!

Valsas - Vladimir Horowitz (desde sempre...)
Prelúdios - Evgeny Kissin e Maurizio Pollini (alguns são melhores por um, outros, por outro)
Estudos - Maurizio Pollini (sempre, perfeitos!)

Para ouvir, deixo esta monumental interpretação, seguramente a que mais gosto, do último prelúdio, op. 28 nº 24 em ré menor, tocada por Evgeny Kissin.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Fim do Ritornello

Ao que parece o Ritornello, programa da Antena 2, acabou!
Mas alguém me perguntou alguma coisa?
Ando eu ando a pagar (nos meus impostos) este serviço de estação de rádio e agora tiram-mo à bruta!
Será que tudo que é bom acaba neste país? Não é preciso dar exemplos pois não?
Quem quiser saber todos os contornos desta palhaçada está tudo bem explicado aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

terça-feira, 1 de maio de 2007

Browsers

Hoje vi pela primeira vez este blog noutros browsers...
Incrível!
No Internet Explorer aparecem-me coisas deste género:

Tónica Dominante = Té¯nica Dominante
Em audição = Em audição
Música = Música
Para além deste tipo de coisas há também as músicas para ouvir, as do lado direito em cima, que não aparecem (só aparece o título, tipo Johann Sebastian Bach, Suite No. 2 in A minor, BWV807 - Bourée I/II, Ivo Pogorelich)...

Fiquei espantado. Pensei, se toda a gente que usa este programa vê assim o blog então o melhor é nem ver! Ou passam a usar um browser decente, ou dão para peças o seu pc e compram um computador a sério, ou então, a solução mais sensata e barata, deixam de ver este blog!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

aos meus adversários

Se alguma coisa realizei não sou eu quem merece o mérito de tal realização. Esse mérito deve ser atribuído aos meus adversários. Foram eles que me ajudaram.

Arnold Schoenberg (tradução de pb)