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terça-feira, 13 de novembro de 2012

simples versus complicatus (não, não é a flor!)



É assim, em Lisboa as coisas funcionam de uma forma mais óbvia, mais simples, mais assumida. Ou seja, Pequenos Cantores do Conservatório de Lisboa e a Camerata de Lisboa, maestrina Joana Carneiro, álbum de Natal, Canções de Natal Portuguesas, compositores contemporâneos portugueses, como Carlos Marecos, Vasco Pearce de Azevedo, Sérgio Azevedo e João Madureira, todas os temas escritos tendo como ponto de partida o cancioneiro tradicional português.
A ser no norte, não podia ser assim, não, nem pensar! Tinha que ser uma coisa em Grande! O maestro tinha que ser estrangeiro, de preferência com um nome bem complicado de pronunciar, as músicas teriam que incluir obrigatoriamente, porque toda a gente gosta, o "A Todos um Bom Natal", o "Noite Feliz" e o "Jingle Bells", o cancioneiro tinha que ser da freguesia de nascença da pessoa que organizasse o evento e posterior gravação, e quanto aos compositores é melhor ficar por aqui neste breve, irónico e patético comentário...

sábado, 13 de outubro de 2012

Um astro doido a sonhar


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...


Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...


Paris - maio de 1913.

Mário de Sá-Carneiro

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Antes quase, do que nada...


Hoje, quando penso em mim e no meu percurso enquanto ser humano ocorrem-me muitas coisas, umas boas outras más, que a memória não soube apagar. Vejo aquilo que quase fui e aquilo que quase sou e chego serenamente, e conformado, a uma conclusão. Antes ser quase um compositor, antes ser quase um bom professor, antes ser quase um ser humano livre, um daqueles que vive pela sua própria consciência, do que estar em vão a pavonear as vaidades supérfluas dos que se acham coisa alguma. Estou, agora com a idade a avançar, a perceber como tudo isto é tão verdade. Não me revejo naqueles que acham que são mais do que quase nada. Pessoalmente acho muito mais compensador ser quase nada do que nada ser. Quase tudo e todos os que me rodeiam assim são, cheios de certezas, glórias e aparentemente “felizes” com a sua prestação cada qual no seu pequeno mundinho. Olho para eles com algum desdém uma vez que o que entendo, do meu infinito e quase nada íntimo, é a inutilidade das suas vidinhas que debaixo da aparência do todo total nada mais são do que nada.

domingo, 9 de setembro de 2012

Querido Estado (por João Machado Durão)


Uma carta ao Estado de um amigo meu, João Durão Machado, que subscrevo inteiramente uma vez que trabalho desde 1989.

Querido Estado,
Ouvi dizer que cada português deve €17.000 aos nossos credores, que nunca ninguém diz quem são. Parece que este drama se deve à imprudência com que os governos e, sobretudo, o povo se andaram a comportar, vivendo acima das suas possibilidades e gastando mais do que
 podiam.
Também compreendo que os sacrifícios que se impõem para ultrapassarmos esta grave situação não podem ser distribuídos por todos da mesma maneira; EDP, GALP e outras grandes empresas têm até recebido o prémio de estarem a ser poupadas aos sacrifícios, o que se deve, evidentemente, a terem feito uma gestão prudente e eficaz das suas contas durante os anos que antecederam a presente crise.
Dentro da mesma lógica, tenho a dizer que, nos tempos da fartura, eu próprio fui tendo bastante cuidado com as minhas finanças pessoais, uma vez que trabalhei cerca de dez anos em condições sub-precárias, por assim dizer. A saber, mal pago, sem contrato, sem descontos para a Segurança Social (a não ser os que eu próprio fiz), sem entidade patronal, sem subsídios de férias nem de Natal, recebendo nove, dez e, às vezes, onze salários anuais. Durante este tempo, fui trabalhador-estudante, pois acreditei na importância da minha formação para um futuro melhor para mim e para a sociedade que integro. Todos os dias, levantei-me às seis da manhã, saindo cedo da minha "zona de conforto" para, entre longas caminhadas e trajectos de combóio, poder acumular o trabalho e os estudos. Ainda assim, durante esta época de bonança, consegui juntar uma pequena poupança, que ainda conservo.
Assim, venho propor o seguinte: eu pago a minha parte da dívida e, em troca, tu passas a pagar-me os subsídios de Natal e de férias, passas a actualizar as minhas remunerações de acordo com a inflação, repões o IVA nos 17% em que estava, integras-me no quadro da escola em que trabalhei mais de três anos consecutivos a tempo inteiro (cumprindo, assim, uma lei criada por ti e a que te tens, por alguma razão que desconheço, esquivado), repões o meu horário de trabalho como ele era dantes, reduzes a minha taxa de IRS para o nível em que anteriormente estava, repões o direito que tinha a deduzir em sede de IRS as despesas de saúde, educação e amortização do capital em dívida de crédito à habitação, e crias duas empresas públicas de distribuição de energia e de comercialização de combustíveis fósseis que funcionem nas mesmas condições monopolistas e abusivas em que, outrora, GALP e EDP operavam (só que, desta feita, vão ter de fazer-lhes concorrência). Por último, repões o abono de família entretanto retirado, para que a minha filha possa, mais tarde, emigrar e aliviar o país da saturação do mercado de trabalho. Ao fim de dez anos, é capaz de dar para um bilhete de avião só de ida.
Que tal?
Com o encaixe financeiro que espero conseguir, se não me der para esbanjar tudo em férias no Pacífico Sul e carros de alta cilindrada, em pouco tempo terei dinheiro suficiente para te ajudar a construir a quarta auto-estrada Porto-Lisboa, a terceira auto-estrada Sertã-Odemira ou o Estação Espacial Inter-planetária de Palmeira-Frossos!
Teu criado sem préstimo,
João Durão Machado

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ainda sobre a ignorância (resposta a um email)

Terei ainda que fazer um longo caminho até o exterior não me afectar, mas entretanto, e porque dificilmente me calo tenho que te dizer algumas palavras.

A ignorância de que tanto falo é aquela que é transportada e catapultada pelos ditos mestres em cima dos seus discípulos , ou seja, se quiseres transportar as situações, professores e alunos. Esse tipo de ignorância não se esconde nem com o ar mais eloquente, eficiente e responsável! E penso que o mais grave é que esse tipo de pessoas possam sequer julgar que tal não se nota. Nota pois…

Quando falo em ignorância nunca me refiro à da pessoa que nada aprendeu, não leu nem escreveu, ou a que nem a sua própria intuição soube usar… essa pessoa sabe, com certeza, muito daquilo que eu não sei, que é praticamente tudo, é o ter consciência de que nada sei, como dizia o filósofo.

A ignorância que tanto me atormenta é a que aparece disfarçada de coisa esclarecida, essa sim, revolta-me e não a suporto! É como diz o povo, que não é, definitivamente, ignorante, a ignorância é atrevida!

Beijos, Paulo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

vou de férias assim...


ver, ouvir e não calar

Revejo-me totalmente nestas linhas de Saramago, acerca de Pilar...

Se alguma coisa pode definir a Pilar no seu temperamento, no seu carácter, é isso: ver, ouvir e não calar. Ver para saber o que se passa, ouvir para estar consciente do que se diz e não calar porque é preciso. Melhor que exagere do que se ser uma pessoa apática, indiferente, egoísta. 
Miguel Gonçalves Mendes, "José e Pilar", Conversas inéditas

sábado, 14 de julho de 2012

David Bowie (1)


Numa altura em que os mais novos ouvem tanta porcaria, inclusive a que de mais comercial se fez nestes anos, finais dos anos sessenta, e porque a Samovar me provocou com o Life on Mars, aqui vou colocar o que de melhor este grande cantor e compositor britânico fez ao longo da sua extensa carreira, 1967 a 2000, sensivelmente. No que diz respeito a este tema, imaginem o impacto que terá provocado no ano de 1969! Ouçam com muita atenção as duas vozes cantadas por Bowie e gravadas em stereo. Por curiosidade, tenho este álbum desde os meus 12 anos em vinil na prensagem inglesa, ou seja, na versão original. Não há valor algum que pague este meu disco.


David Bowie, Space Oddity, 1969

sábado, 7 de julho de 2012

A(c)tualização do meu melhor Post de sempre sobre o EEM!

Porcaria 691, ITC, para que serve isso aí? 1 contra 5! Mais a ANQEP... 26 a 30 alunos, venham dai! DL139/2012, DL132/2012, Decreto-Lei n.º 137 - 2012 de 2 de Julho Altera o Decreto Lei 75-2008 de 22 de Abril, Portaria 942-2009 de 21 de Agosto - Recrutamento pessoal docente para o Ensino Artístico Especializado da Música e da Dança, Dire(c)tores, sempre a Portaria 693-98 de 3 de Setembro Habilitações - grupos de recrutamento M (EAE Música), Coordenadores, Relatórios de avaliação, Contratados, informação intermédia, Encarregados de Educação, adjuntos, comissões, conselhos disto e também daquilo, geral, pedagógico, turma, de dire(c)tores de turma, da merda, Planos de estudo dos cursos artísticos especializado para consulta pública 23 de abril, pareceres, poder, não pareceres, a(c)tas e desa(c)tas, pcts, vai dar aulas ó malandro! Substituição de trombone, instrumento, composição, 2000/2001, requerimento, workshops, subsídios (foram-se 2+1 mês), critérios, matrizes, gente com ar de quem sabe o que faz, concertos, recitais, certificação, formação, participação disciplinar, processo disciplinar (mentirosos), inter-relações, a(c)tividades, dossier, justificação falsa de faltas, taxa de sucesso, pouca vergonha, planos, de apoio recuperação acompanhamento atendimento explicações não pagas recurso sala de atendimento ameaça formação cívica música (como?) cotações formação musical oferta de escola acompanhamento e improvisação baixo contínuo acústica e organologia (para que serve isso aí?)      história da cultura e das artes (?)         laboratório de composição (?)             leitura de partituras (?)               instrumento de tecla (?)                      caramujo!

ME, me, me, me, MEC, mec, mec, mec, mec, ANQ, anq, anq, anq, anq, anq, desanq, desanq, ANQEP, anqep, anqep, anqep, anqep, anqep, anqep, anqe, anq, an, a, a, a, a,  Aiiiiiiiiii!!!!!!!!
xiiiiiiPUM!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

pessimista/revolucionário

Bom, já vi que a conversa fugiu do conceito "banana"!
Mas voltando então, 12 horas depois, ao assunto anunciado em cima... ele há bananas e bananas, é como os chapéus! Há aquelas meias podres, moles e com mau sabor, há as pequeninas e madurinhas da madeira, e ainda há as grandes e verdes da Colômbia. Note-se que não sou de nenhum dos géneros apontados. Digo isto porque sou duro (salvo seja) de roer, porque a ser banana não era qualquer um(a) que me descascava!!! Bem, agora mais seriamente, apesar do meu discurso lá de cima, muito lá cima, nos comentários ser de desilusão total com a classe a que pertenço, sou, e sempre assim fui, do género pessimista/revolucionário. Quem me conhece sabe que é verdade, gosto pouco de gente hipócrita, detesto o "lambebotismo" militante que se instalou nas escolas e, acima de tudo, custa-me a suportar a ignorância disfarçada de coisa esclarecida.

Por tudo isto proponho para este debate outra fruta que não as bananas e melancias.
(comentário extraído do mural de Paula)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

pROFESSOR

Esta é a profissão que escolhi, gosto verdadeiramente dela, só dentro da sala de aula me sinto realizado. Mas, francamente, tenho alguma vergonha da classe a que pertenço, a dos professores manietados por tudo e todos! MECs, ANQEPs, encarregados de educação, e, vejam, só ao que isto já chegou, por alunos! Atenção que esta carapuça não me serve, aguento, aguento, e antes partir do que vergar. Não ando enganado nem alegremente apatetado, tento simplesmente sobreviver a tudo isto...

terça-feira, 19 de junho de 2012

comentários no facebook com APV a propósito de" Six Portraits of Pain"


Post de António Pinho Vargas que deu origem aos comentários:
o desejo secreto do compositor é poder chegar ao ponto de imaginar que com a sua obra, ou algumas delas, terá mudado a vida de, pelo menos, algumas pessoas. Neste caso posso afirmar que a peça Six Portraits of Pain mudou a minha. A partir d...esse momento milagroso e inexplicável não foram poucas as vezes em que recorri à lembrança da sua estreia para tentar afastar as angústias e as dúvidas da criação: "lembra-te que foste capaz de compor aquela peça". Comparado com isto, com a possibilidade de ter sentido algumas vezes esta exaltação solitária, o facto de o disco ser quase impossível de encontrar, de a música portuguesa em geral ser menosprezada ou desconhecida, mesmo em Portugal, acaba por ter uma menor importância, nem que seja por breves momentos.
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Comentários:
Paulo Bastos Fantástica obra... o que eu gostava de assim escrever! A melodia é sempre o ponto mais evidente numa depuração controlada e sofrida. Adorei, parabéns!
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26/3 às 18:54 · GostoNão gosto · 2
Gonçalo Gato Eu tenho o disco! Estou consigo na sua luta. 1 abç
26/3 às 18:57 · GostoNão gosto · 1
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António Pinho Vargas Caro Paulo Bastos, muito obrigado. E mantemos um contacto por interpostas pessoas - alunos seus que vêm de Braga estudar comigo e com outros colegas em Lisboa, sempre muito bons, há vários anos. Não é por acaso. Parabéns e obrigado. Tem razao. É a melodia que conduz tudo.
26/3 às 18:58 · Não gostoGosto · 1
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Paulo Bastos Um sustentação melódica quase Mahleriana. Eu não tenho o disco...
26/3 às 18:58 · GostoNão gosto · 2
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Paulo Bastos Obrigado pelas suas palavras APV!
26/3 às 19:00 · GostoNão gosto · 1
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António Pinho Vargas A minha (ou nossa luta) não tem nenhuma hipótese. Estudei o assunto da ausência, desmontei-lhe os mecanismos de poder e os discursos, mas um livro é um livro, é um livro, é um livro, como diria Godard. Não muda o mundo nem pouco mais ou menos. Trouxe alguma consciencia do facto a algumas pessoas - várias - "estávamos todos enganados" disse Sérgio Azevedo, "o seu livro transformou a ausência num monumento" disse-me Nuno Corte-Real. É importante mas não irá mudar dispositivos de poder seculares ou fortemente enraizados. Monumento será esta peça, talvez. Mas foi tocada em 2005, 2006 na Casa da Música, e pela Utópica em 2011. 3 vezes em 7 anos e meio. Uma peça que um director do Serviço de Música da Gulbenkian me disse ser "uma grande peça de música, repare que não digo de música contemporânea, digo de música". Mas lá não foi... A minha tese talvez explique porquê. É isso. Serve para explicar algumas coisas mas não é suficiente para as mudar.
26/3 às 19:10 · Não gostoGosto · 7
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Paulo Bastos No que à música diz respeito sou, francamente, um pessimista. Nada vejo de positivo no atual estado das coisas desde a cultura à educação. Penso mesmo que a parolice reinante é aquilo que, infelizmente, somos. Muitas vezes, sinto-me completamente só, e chego a pensar que eu é que estou errado... os tais intermediários são os que manipulam, os que fazem prescrever o objeto estético de qualidade, os que tudo fazem para a manutenção do gosto brejeiro. Há já alguns anos que sinto isto e penso que, hoje, nada há já para fazer. Ainda assim, penso que hei-de sempre escrever música, é mesmo uma necessidade estrutural, sem a qual nada fazia sentido.
26/3 às 19:24 · GostoNão gosto · 5
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CarlotaFranco Cppinto Muito densa e bonita! Gostei muito! Obrg, por nos dar a ouvir tão boa música. Linda a sonoridade do violoncelo. E o(s) texto(s) que aparecem de Manuel Gusmão, foram inspiração para... ou surgiram depois da composção? Desculpe a minha ignorância. Um abraço.
26/3 às 19:33 · GostoNão gosto · 3
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António Pinho Vargas Cara CarlotaFranco Cppinto, cada andamento, cada um dos 6 retratos, desta peça tem um poema ou um texto de Deleuze/Espinoza, Paul Celan, Manuel Gusmão (2), Thomas Bernhard, Anna Akhmatova. Enquanto compunha a ideia de retratos de dor ou da dor - daí ser em inglês o que me dispensou desta diferença - relativos a vários tipos de sofrimento humano, foram aparecendo à medida que ia compondo: por exemplo, o texto de Deleuze no início da peça é: "Espinosa conservava o casaco rasgado pela faca assassina para se lembrar que o pensamento nem sempre é amado pelos homens". Na peça apenas o de Anna Akhmatova é ouvido - lancinante - gravado e lido por mim - mesmo antes de começar a segunda parte da peça que está neste video. Os outros, estão escritos na partitura, os músicos são convidados a lê-los, mas não são ouvidos. Que afectaram o compositor fortemente enquanto trabalhava nem se pergunta: marcaram o carácter da peça de forma indelével.
26/3 às 21:00 · GostoNão gosto · 6
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António Pinho Vargas Sabem uma coisa: num romance de Vergílio Ferreira, há um personagem amigo do principal que é pintor e a certa altura lhe diz: "às vezes, no meu delírio, até penso que o que faço é bom". Pois bem. Neste caso, no meu delírio (seguramente), até penso que esta peça é das melhores que já ouvi nos últimos 50 anos, ou talvez mesmo, 100. Já não ouvia esta gravação há uns largos meses ou anos. Hoje, como fiz este video, já vou na quarta ou quinta vez!. Ah, grande convencido que és - no teu delírio - mas que posso fazer? Encanta-me, comove-me, sei lá... Sou um ser humano e tenho defeitos como este. Como disse no início o meu amigo Paulo Bastos, é fantástica esta obra (julgo, no meu delírio).
26/3 às 23:32 · Não gostoGosto · 4