"O livro de Constança", Manuel Cintra
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
sábado, 29 de agosto de 2015
[Mas agora estou no intervalo em que]
Mas agora estou no intervalo em que
toda a sombra é fria e todo o sangue é pobre.
Escrevo para não viver sem espaço,
para que o corpo não morra na sombra fria.
Escrevo para não viver sem espaço,
para que o corpo não morra na sombra fria.
Sou a pobreza ilimitada de uma página.
Sou um campo abandonado. A margem
sem respiração.
Sou um campo abandonado. A margem
sem respiração.
Mas o corpo jamais cessa, o corpo sabe
a ciência certa da navegação no espaço,
o corpo abre-se ao dia, circula no próprio dia,
o corpo pode vencer a fria sombra do dia.
a ciência certa da navegação no espaço,
o corpo abre-se ao dia, circula no próprio dia,
o corpo pode vencer a fria sombra do dia.
Todas as palavras se iluminam
ao lume certo do corpo que se despe,
todas as palavras ficam nuas
na tua sombra ardente.
ao lume certo do corpo que se despe,
todas as palavras ficam nuas
na tua sombra ardente.
António Ramos Rosa, A Construção do Corpo, 1969
quarta-feira, 24 de junho de 2015
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Quanto Morre um Homem
Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?
Ruy Belo
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner
Comunicado
Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
Miguel Torga
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
Miguel Torga
Depoimento
Deponho
no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz
Juro
Que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças......
– disse alguém que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente
Vi que a letra era minha…..
Miguel Torga
no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz
Juro
Que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças......
– disse alguém que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente
Vi que a letra era minha…..
Miguel Torga
domingo, 16 de fevereiro de 2014
O Ofuscante Poder da Escrita
(...) O ofuscante poder da escrita é que ela possui uma capacidade de persuasão e violentação de que a coisa real se encontra subtraída.
O talento de saber tornar verdadeira a verdade.
Herberto Helder, in 'Photomaton & Vox'
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!
“Como toda a gente sabe, vendo opiniões.” Transformou-se numa das pessoas mais influentes, e, nesse sentido, poderosas, em Portugal. É uma coisa em que pensa?Nada. Vivo num buraco. Não faço vida social. Não ando nos salões. Nem poderia escrever o que escrevo se o fizesse. Tomei o compromisso de não ceder a ser simpática com pessoas que não valem um pataco. Fazer esse tipo de vida obrigar-me-ia a compromissos numa zona onde não me quero comprometer. Também sou punida por isso, mas foi o que escolhi. Dou-me com muito pouca gente. Amigos íntimos que são uma espécie de família, e que me põem no meu lugar porque não acham que sou poderosa. Nunca fiz nada para ter poder, não quero ter poder, não me interessa nada o poder. O único poder que gostava de ter, e que não tenho, era o de disciplinar a minha vontade. Sou extraordinariamente disciplinada, mas não o suficiente. É de mim para mim. O segundo poder que gostava de ter era o de me conhecer melhor. “Conhece-te a ti mesmo”, como dizia Sócrates. Não conheço."Clara Ferreira Alves
A primeira coisa que me lembrei quando li esta parte do texto de Clara Ferreira Alves foi de um conto que li, ainda muito jovem, demasiado jovem talvez, "O Covil" de Franz Kafka. Aquilo que este conto incompleto, descrevia era o de uma criatura não definida de forma clara que vivia dentro de uma toca, um covil, e, de quando em vez, espreitava cá fora recolhendo-se rapidamente, um livro muito metafórico, inesquecível. Li este e outros livros do género demasiado novo, talvez aí com uns 13, 14 anos. Só de Kafka li, num ápice, nesses anos, não necessariamente nesta ordem, O processo, A metamorfose, O Castelo, Amerika, Carta ao pai e os Contos todos. Mas a verdade é que, independentemente da tenra idade com que devorei estes livros e muitos outros de Herman Hesse, Milan Kundera (todos), Eça de Queirós, Jorge Amado, entre muitos outro escritores que não me apetece enumerar agora, essas obras fazem parte da minha vida, ou como diz Clara Ferreira Alves noutro momento deste artigo, reflectem instrução, logo, a minha vida interior. Não vivo na margem sul com 4 ou 5 livros, mas também não tenho um enorme casarão cheio de enormes vazios, vivo em Braga, cidade pequena, mas com uma vivência de sempre cheia de livros e outras coisas boas.
Ainda que nada disto diga nada vezes nada a ninguém é assim que me devo posicionar, como um tipo que claramente não pretende nada mais do que o que tem.
Que se lixem os Relvas deste "nobre" e podre país que somos!
Como dizia o poeta, os Relvas usam CEROULAS DE MALHA, cheiram MAL DA BOCA, são uns SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!
Pim!
sábado, 13 de outubro de 2012
Um astro doido a sonhar
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha
vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem
hoje:
O tempo que aos outros
foge
Cai sobre mim feito
ontem.
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é
família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem
família).
O pobre moço das
ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas
ânsias.
A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os
céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim
mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.
Não sinto o espaço que
encerro
Nem as linhas que
protejo:
Se me olho a um espelho,
erro -
Não me acho no que
projeto.
Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas
recordo
A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
(As minhas grandes
saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho
saudades
Dos sonhos que sonhei!...
)
E sinto que a minha morte
-
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao
norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos
brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos
brancas...
Tristes mãos longas e
lindas
Que eram feitas pra se
dar...
Ninguém mas quis
apertar...
Tristes mãos longas e
lindas...
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai
de mim!...
Desceu-me n'alma o
crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o
crepúsculo.
Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não
enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas
permaneço...
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
Paris - maio de 1913.
Mário de Sá-Carneiro
sábado, 7 de julho de 2012
A(c)tualização do meu melhor Post de sempre sobre o EEM!
Porcaria 691, ITC, para que serve isso aí? 1 contra 5! Mais a ANQEP... 26 a 30 alunos, venham dai! DL139/2012, DL132/2012, Decreto-Lei n.º 137 - 2012 de 2 de Julho Altera o Decreto Lei 75-2008 de 22 de Abril, Portaria 942-2009 de 21 de Agosto - Recrutamento pessoal docente para o Ensino Artístico Especializado da Música e da Dança, Dire(c)tores, sempre a Portaria 693-98 de 3 de Setembro Habilitações - grupos de recrutamento M (EAE Música), Coordenadores, Relatórios de avaliação, Contratados, informação intermédia, Encarregados de Educação, adjuntos, comissões, conselhos disto e também daquilo, geral, pedagógico, turma, de dire(c)tores de turma, da merda, Planos de estudo dos cursos artísticos especializado para consulta pública 23 de abril, pareceres, poder, não pareceres, a(c)tas e desa(c)tas, pcts, vai dar aulas ó malandro! Substituição de trombone, instrumento, composição, 2000/2001, requerimento, workshops, subsídios (foram-se 2+1 mês), critérios, matrizes, gente com ar de quem sabe o que faz, concertos, recitais, certificação, formação, participação disciplinar, processo disciplinar (mentirosos), inter-relações, a(c)tividades, dossier, justificação falsa de faltas, taxa de sucesso, pouca vergonha, planos, de apoio recuperação acompanhamento atendimento explicações não pagas recurso sala de atendimento ameaça formação cívica música (como?) cotações formação musical oferta de escola acompanhamento e improvisação baixo contínuo acústica e organologia (para que serve isso aí?) história da cultura e das artes (?) laboratório de composição (?) leitura de partituras (?) instrumento de tecla (?) caramujo!
ME, me, me, me, MEC, mec, mec, mec, mec, ANQ, anq, anq, anq, anq, anq, desanq, desanq, ANQEP, anqep, anqep, anqep, anqep, anqep, anqep, anqe, anq, an, a, a, a, a, Aiiiiiiiiii!!!!!!!!
xiiiiiiPUM!
sábado, 30 de junho de 2012
politicamente incorrectos os afectos, os afectos
Ah, quanta mágoa
Ah, quantos sonhos incompletos
Mas oh, quanta palavra tomou vida
na nascente dos afectos
desorganizados alfabetos
Não sabe ler neles quem pensa
nem lhe conhece bem as cores
que por secundários os dispensa
aos afectos medidores
do corpo e da alma e seus sabores
Porque o quadrado da hipotenusa
é igual a já não sei quê dos catetos
a traça do passado é tão confusa
mas tão límpida a lembrança dos afectos
são fartos e temíveis
são as cordas sensíveis
quietos, irrequietos
p'ra sempre
politicamente incorrectos
os afectos, os afectos
Era de uma espécie quase extinta
foi encontrada adormecida
a cara talvez em paz, talvez faminta
esperando a investida
de um só beijo que a devolva à vida
Já que se pede ao amor loucura
não se lhe dê veneno à flecha
nem triste pecado à mordedura
abre o pano até que fecha
o amor busca nos afectos a deixa
Porque o quadrado da hipotenusa
é igual a já não sei quê dos catetos
a traça do passado é tão confusa
mas tão límpida a lembrança dos afectos
são fartos e temíveis
são as cordas sensíveis
quietos, irrequietos
p'ra sempre
politicamente incorrectos
os afectos, os afectos
Música: Jorge Constante Pereira
Letra: Sérgio Godinho
In: "Domingo no Mundo", 1997
Ah, quantos sonhos incompletos
Mas oh, quanta palavra tomou vida
na nascente dos afectos
desorganizados alfabetos
Não sabe ler neles quem pensa
nem lhe conhece bem as cores
que por secundários os dispensa
aos afectos medidores
do corpo e da alma e seus sabores
Porque o quadrado da hipotenusa
é igual a já não sei quê dos catetos
a traça do passado é tão confusa
mas tão límpida a lembrança dos afectos
são fartos e temíveis
são as cordas sensíveis
quietos, irrequietos
p'ra sempre
politicamente incorrectos
os afectos, os afectos
Era de uma espécie quase extinta
foi encontrada adormecida
a cara talvez em paz, talvez faminta
esperando a investida
de um só beijo que a devolva à vida
Já que se pede ao amor loucura
não se lhe dê veneno à flecha
nem triste pecado à mordedura
abre o pano até que fecha
o amor busca nos afectos a deixa
Porque o quadrado da hipotenusa
é igual a já não sei quê dos catetos
a traça do passado é tão confusa
mas tão límpida a lembrança dos afectos
são fartos e temíveis
são as cordas sensíveis
quietos, irrequietos
p'ra sempre
politicamente incorrectos
os afectos, os afectos
Música: Jorge Constante Pereira
Letra: Sérgio Godinho
In: "Domingo no Mundo", 1997
sexta-feira, 14 de março de 2008
quarta-feira, 25 de abril de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
sábado, 14 de maio de 2005
À parte isso...
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
TABACARIA (extracto), Álvaro de Campos, 1928
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
TABACARIA (extracto), Álvaro de Campos, 1928
2 Comments:
At Segunda-feira, 16 Maio, 2005, t. said...
Pois.
:)
At Segunda-feira, 16 Maio, 2005, Analepse said...
Deste poema imortal, um excerto que sempre me comoveu:
«(Come chocolates, pequena;
Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)»
domingo, 1 de maio de 2005
Conlon Nancarrow
the musiC
yOu make
isN 't
Like
any Other:
thaNk you
oNce you
sAid
wheN you thought of
musiC
you Always
thought of youR own
neveR
Of anybody else’s.
that’s hoW it happens.
in Empty Words, John Cage
yOu make
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any Other:
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sAid
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you Always
thought of youR own
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Of anybody else’s.
that’s hoW it happens.
in Empty Words, John Cage
1 Comments:
At Quinta-feira, 05 Maio, 2005, samovar said...
Lamentavelmente, só posso pensar na música que os outros fazem. Se nem percebo como ouço uma melodia quando a orquestra está a tocar outra coisa!
Shuif, shuif.
Serenata
Mil grotescas dissonâncias
Faz Pierrot numa viola.
Sobre um pé, como cegonha,
Ele arranha um Pizzicato.
Logo vem Cassandro, tonto
Com o estranho virtuose.
Mil grotescas dissonâncias
Faz Pierrot numa viola.
Da viola já se cansa.
Com os delicados dedos
Pega o velho pela gola
E viola o crânio calvo
Com grotescas dissonâncias.
Arnold Schoenberg
Pierrot Lunaire, op. 21 (1912)
três vezes sete poemas de Albert Giraud
Faz Pierrot numa viola.
Sobre um pé, como cegonha,
Ele arranha um Pizzicato.
Logo vem Cassandro, tonto
Com o estranho virtuose.
Mil grotescas dissonâncias
Faz Pierrot numa viola.
Da viola já se cansa.
Com os delicados dedos
Pega o velho pela gola
E viola o crânio calvo
Com grotescas dissonâncias.
Arnold Schoenberg
Pierrot Lunaire, op. 21 (1912)
três vezes sete poemas de Albert Giraud
domingo, 10 de abril de 2005
7
Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
(Lisboa, Fevereiro de 1914)
Mário de Sá-Carneiro
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
(Lisboa, Fevereiro de 1914)
Mário de Sá-Carneiro
4 Comments:
At Segunda-feira, 11 Abril, 2005, Luís aquino said...
Este é dos meus preferidos do Mário de Sá Carneiro: porque é pequeno e intenso; e a rima não cansa, como em muitos dos seus poemas (e , diga-se, em grande parte da poesia em geral.) Parece que há alguns estudos literários sobre ele feitos por brasileiros (devem ter chegado até ele através do Pessoa) e há uma música que utiliza este poema como letra. Não me recordo se é da Adriana Calcanhoto, mas é de uma das cantoras MPB da dita nova geração.
At Segunda-feira, 11 Abril, 2005, MSC (by luis aquino) said...
Este é outro. Não sei se é dominante, mas a tónica é musical:
Inter-Sonho
NUMA INCERTA melodia
Toda a minh’alma se esconde.
Reminiscências de Aonde
Perturbam-me em nostalgia...
Manhã de armas! Manhã de armas!
Romaria! Romaria!
Tateio... dobro... resvalo.... . . . . . . . . . . . . . . . . .
Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores...
Oue pesadelo tão bom...
Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as cores,
Vivo em roxo e morro em som...
At Terça-feira, 12 Abril, 2005, pb said...
Também conheço, muito bom!
Mas o que gosto mais de MSC é o “Dispersão”, nada curto, longo e depressivo...
Começa assim:
PERDI-ME dentro de mim
Porque eu era um labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
At Quarta-feira, 13 Abril, 2005, luis aquino said...
Este não conheço. Para dizer a verdade só conheço para aí uns 10 ou 12 poemas dele. E como me zanguei com a poesia (melhor com a leitura de poesia) há já uns bons anos, as oportunidades de conhecer mais não têm sido muitas. mas foi bom recordar, graças ao teu blog
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