domingo, 1 de maio de 2005

de conhecimento obrigatório (5)

wakajawaka.gif
Frank Zappa, Waka/Jawaka
Julho de 1972
4 Comments:
At Terça-feira, 03 Maio, 2005, Luís aquino said...
Por que é nunca se fica indiferente às capas dos discos do Zappa? Outra coisa: só ainda vi duas citações, mas parece que foi boa ideia a de colocar o Citador aqui no blog.

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, pb said...
Confesso, na verdade “roubei” a ideia do Citador do um blogue que leio assiduamente - “Decompor”.


At Terça-feira, 03 Maio, 2005, luís aquino said...
“Roubar” boas ideias não é pecado. Pecado é não as saber usar.
(Epa! será que o Citador aceitava esta frase?...)

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, pb said...
Claro que aceita!
Vai lá e propõe!
Ena...

Conlon Nancarrow

the musiC
yOu make
isN 't
Like
any Other:
thaNk you
oNce you
sAid
wheN you thought of
musiC
you Always
thought of youR own
neveR
Of anybody else’s.
that’s hoW it happens.

in Empty Words, John Cage
1 Comments:
At Quinta-feira, 05 Maio, 2005, samovar said...
Lamentavelmente, só posso pensar na música que os outros fazem. Se nem percebo como ouço uma melodia quando a orquestra está a tocar outra coisa!
Shuif, shuif.

Só!?

É culpa do compositor se um homem tem apenas dez dedos?

Charles Ives

Serenata

Mil grotescas dissonâncias
Faz Pierrot numa viola.
Sobre um pé, como cegonha,
Ele arranha um Pizzicato.
Logo vem Cassandro, tonto
Com o estranho virtuose.
Mil grotescas dissonâncias
Faz Pierrot numa viola.
Da viola já se cansa.
Com os delicados dedos
Pega o velho pela gola
E viola o crânio calvo
Com grotescas dissonâncias.

Arnold Schoenberg
Pierrot Lunaire, op. 21 (1912)
três vezes sete poemas de Albert Giraud

terça-feira, 26 de abril de 2005

ainda na CdM (sala 1)

a sala 1 é linda;

o edifício CdM um portento;

o público que me rodeava (fila c) tinha um ar absolutamente esclarecido e asseado, mas, no entanto, não pareciam ter pago o bilhete. Fiquei mesmo com a sensação de que bilhetes pagos nas primeiras filas, só eu e mais alguma outra alma perdida...;

se calhar foram apenas sensações;

tosses entre andamentos até foram poucas (Brendel fez questão de levar rebuçados...);

não conheci quase ninguém do público habitual deste tipo de eventos no Porto, embora tenha ficado com a sensação de ter visto uma série de vendedores de carros (a avaliar pelas boas vestimentas e conversa fluida), correctores de seguros (pelo olhar inquisidor com que observavam tudo atentamente) e funcionários da banca (porque ocupavam, com a sua aura, mais do que um lugar da plateia, e claro, traziam as miúdas giras);

as caras mais conhecidas, curiosamente, foram as que costumo ver quando me desloco a Lisboa aos concertos da Gulbenkian;

não encontrei, portanto, muita da fina nata cultural da cidade invicta do Porto.
14 Comments:
At Terça-feira, 26 Abril, 2005, Pedro Aniceto said...
Olá! E então a polémica do fosso da orquestra? Justifica-se ou não? Tenho de ir
fazer uma visita à cDM rapidamente. Abraços

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, pb said...
Olá Pedro Aniceto! Que grande honra!
Na minha modesta opinião a questão do fosso não é coisa relevante. É que para fazer uma ópera de repertório tradicional (século XVIII e XIX essencialmente) há outras salas na cidade, destacando-se o coliseu. Para fazer óperas mais modernas (XX e XXI) com encenações bem arrojadas tudo é possível. Basta para isso que haja imaginação e meios técnicos (o fosso pode deixar de ser fosso para passar a ser elemento de encenação, quem sabe um “fosso” pendurado em cima do público, hehe). De qualquer forma sobre isto podem falar os especialistas... é um facto que a Opéra de la Bastille em Paris, que já tive o privilégio de conhecer, tem tudo, um fosso, legendas em painel electrónico, e é um dos mais modernistas locais de realização de ópera (XX e XXI) da actualidade! Bem, mas também só se faz ópera lá! Por isso a CdM, que vai servir muito mais do que a função da ópera e bailado, não me parece que precise assim tanto de um fosso!!!
Mas isso digo eu que também gosto de dizer coisas como o outro.
Um abraço e obrigado pelo comment.
Atenção: PB é Satie do #macintosh

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, samovar said...
E se eu lá tivesse estado, onde é que me encaixavas tu, afinal?...

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, pb said...
Nas que pagavam o bilhete pois claro! Pasmada com o Brendel! :-)

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, Patrícia said...
Achas que tenho perfil para a “fina nata cultural da cidade invicta do Porto?”
Alta, loura, de olhos azuis.....????? Que dizes, Paulo? Em relação á sala 1, tive a pouca sorte de, no intervalo, ouvir um comentário estúpido e depreciativo da Casa, enquanto estava a apreciar o edifício e ainda maravilhada com o concerto.
Enfim, é a parte terrível dos concertos.
São os encontros tenebrosos.....!
Em relação à Casa,acho que é um pouco perigosa. Saí de lá com uma vontade imensa de comprar bilhetes para mais e mais concertos. Gostei bastante e apetece-me mesmo experimentar diversos lugares para usufruir bem a sala.
Tudo o resto, é conversa.

At Sexta-feira, 29 Abril, 2005, ADSUM said...
O edifício cDM é belíssimo. A sala 1 é majestosa e clara, mas confesso que tenho uma admiração especial pela 2. É mais intimista e muito bela: toda em vermelho...
Os camarins têm metade da parede envidraçada, facto q permite q as pessoas q passam no exterior observem o que lá se passa dentro, e vice-versa... Gostei. A decoração é minimal e de muito bom gosto. A vontade que me deu, foi d alugar lá um cantinho para a habitar por uns tempos... E respira-se música. A programação é mesmo muito boa. Entre outras ansiedades musicais, confesso que mal posso esperar pelo dia 5 de Novembro!

At Sábado, 30 Abril, 2005, pb said...
Mas agora este “adsum” ficou!?
Toca a assinar os seus comments Dra. B.!
Mau...

At Segunda-feira, 02 Maio, 2005, Luís Aquino said...
Ainda não assisti a nenhum concerto na CdM, portanto não conheço nenhuma das salas. Mas como tive que ir levantar uns bilhetes para a minha ‘patroa’, aproveitei para deambular pelas áreas de acesso livre. Não há dúvida quea polémica instalada—seja pelo atraso das obras, seja pela escandalosa sobre-orçamentação (ainda ninguém explicou como é que é possível um ‘budget’ passar de 15 para 100 milhões de euros!)ou ainda pelo conflito com o futuro edifício vizinho—teve uma virtude: chamar visitantes! Nessa deambulação por halls e foyers, deu para perceber que muitas das pessoas que também por lá deambulavam não são visitantes de espaços culturais, provavelmente muitos dos que com quem me cruzei estavavam a satisfazer a curiosidade aguçada mediaticamente ou simplesmente tomaram a CdM como um destino de passeio. Dei por mim surpreendido a passar por átrios e ver pessoas a tirar retratos a outras que, em pose, tiravam partido fotográfico do colorido dos sofás. Ou outras a fotografar o hall do tal janelão envidraçado que dá para o terreno do futuro edifício bancário...

Independentemente das interpretações que possamos ter sobre estes comportamentos (e eu não faço nenhuma em especial, a não ser que cada um tem o direito de fruir o espaço como quiser, desde que o respeite)o que me parece importante é que a administração da Casa devia aproveitar este afluxo anormal de visitantes para os cativar e fidelizar como público de espectáculos. Para isso ajudaria muito que todas as áreas da CdM estivessem a funcionar, nomeadamente as de restauração.

At Segunda-feira, 02 Maio, 2005, Luís Aquino said...
No episódio que contei acima, em que duas jovenzinhas de 20 anos curtiam delícias fotográficas proporcionadas pela CdM, uma de máquina na mão, outra alapada no sofá, não pude deixar de achar graça ao facto de elas terem ficado um pouco embaraçadas quando eu, ao descer as escadas que dá acesso a esse hall, as ter surpreendido com a minha aproximação. Não percebi o que disseram uma à outra, mas já agora não custa imaginar:

- Olha lá e se te chegasses mais p’ró centro do sofá? - sugere a de máquina na mão
- Não...Acho que me vou espraiar assim...- respondeu a outra, reclinando-se de lado e ao comprimento do sofá.
- Não percebes? Ao centro é que é, na Caras é assim que aparece...!
- Tens a certeza?...Mas se eu estiver quase deitada, o verde do sofá combina melhor com os meus olhos...- E dito isto, afastou a repa do cabelo ,tentando convencer a objectiva da máquina
- Mas que raio, tu tens olhos azuis!
- Chiu! Vem ali um gajo a descer as escadas...
- ....
- ....
Como o ‘gajo’ passou entre elas , mas não saiu logo do hall, decidido a ficar ali uns segundos a fazer que vê uma pinturas que estão em exposição, as duas visitantes mordem os lábios à procura de um pretexto de conversa que as salve do embaraço. As ideias estavam inibidas, até que a fotógrafa atira à outra um sussurro:
- Diz ‘ai e tal...’
- Ãh?
- Esquece..- E começa a assobiar, rodopiando sobre si e fazendo festinhas à máquina como se esta tivesse pó.
- Que chato!...Nunca mais se vai embora—bichana a outra, subitamente desconfotável no belo sofá verde. A cor da cara dela combinada com a do assento lembrava agora a bandeira nacional.
- Aposto que nunca deve vir a estes sítios, deve ser só para dizer que esteve na Casa da Música - continua a fotógrafa sempre em surdina - parece um boi a olhar para um palácio!
- Parece mas é o cota do teu tio...!
Estas últimas palavras abateram-se sobre a coroa deserta de cabelos do gajo, que lá decide retirar-se e deixar o cenário fotográfico.
Ao descer mais um lanço de escadas, ainda teve tempo de perceber que atrás
de si foram soltados uns abafados risinhos histéricos, imediatamente precedido
por um
- Click!

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, pb said...
Este último comment é uma verdadeira crónica by Luís Aquimo!
Se calhar era uma boa ideia para um blogue de Aquino...

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, Luís aquino said...
Estou mesmo decidido com a história do blog, mas mais parea a ideia que te tinha falado de remeter para a actualidade (ou de a actualidade ser um pretexto para outro assunto não quotidiano ou assim). Só me falta arranjar um nome.

ACEITAM-SE SUGESTÕES!

At Quarta-feira, 04 Maio, 2005, pb said...
Não sei não...
aquitidiano...
ou aqui-tidiano, não, talvez não...

At Quarta-feira, 04 Maio, 2005, luis aquino said...
Isso ia parecer um blog sobre o império romano eh, eh...Mas nesse caso preferia qualquer coisa como...

Tribuno Inocêncio... ou...
Deito-te às feras e já eras...

At Terça-feira, 31 Janeiro, 2006, Bjarni Frímann said...
Mon nom e Bjarni. Je suis de Islande, et j’étude composition e direction orchestrale en LHÍ. Je ne comprends pas beaucoup de Portugés, mais je croix que vous disputez musique classique. Merci beaucoup.

domingo, 24 de abril de 2005

Alfred Brendel na CdM

Sábado, 23 Abril de 2005
Alfred Brendel

1a Parte:
W. A. Mozart
Nove Variações sobre um minuete de J. P. Dupont em Ré K573
Robert Schumann
Kreisleriana Op.16

2a Parte:
Franz Schubert
Momentos Musicais D780
L. van Beethoven
Sonata para Piano No.15 em Ré, “Pastoral”

Alfred Brendel apresentou-se no Porto num concerto que, no género, talvez possa ser classificado como o mais importante da fase inaugural da Casa da Música, a interpretar o que mais o caracteriza, o repertório dos Clássicos de Viena. Começar um concerto por umas variações de Mozart, pouco conhecidas do grande público é, desde logo, algo a que só um pianista da craveira de Brendel é permitido. É que, quanto mais não seja pelo risco que estas peças apresentam na sua simplicidade e debilidade quase infantil, é uma obra que aparentemente cria pouco impacto para um início de um concerto. Mas não! Foi, desde o primeiro ao último momento em que o pianista colocou as mãos no teclado, muito especial fazendo-nos acreditar que se ouvia o repertório habitué dos concertos.
Na Kreisleriana Op.16 de Robert Schumann, Brendel surpreendeu também, mas pela unidade dada ao desenrolar de todo o discurso musical. Em muitas versões que ouvi desta obra nunca tinha sentido um fio condutor de tal perfeição e linearidade. Como se sabe a Kreisleriana, e outras obras de carácter cíclico de Schumann, perdem em algumas interpretações de concerto pelo facto de ouvirmos, separadamente, momentos excelentes em alguns quadros, mas na totalidade da obra nos escapar a direcção global da música. Nos Momentos Musicais D780 de Schubert o pianista levou a plateia, por um fio muito ténue, a um estado de emoção contida. Tudo foi realizado no limiar da perfeição: fraseado, sonoridade geral, controle das dinâmicas, respiração e pulsação rítmica.
O concerto não ficaria completo sem a sublime interpretação que Brendel deu à Sonata em Ré, “Pastoral” nesta noite. Não é, com certeza, por esta ser a minha sonata preferida de Beethoven, que vou afirmar que o que se ouviu foi magistral. Esta sonata, que já foge à herança mozartiana, mas que ainda não se apresenta no patamar final das últimas e mais complexas de Beethoven, representou o momento de maior concentração de emoções na sala 1 da CdM, em que Alfred Brendel fez aparecer todo o espectro dinâmico, dos pianíssimos aos fortíssimos. Além disso, a forma como nos fez ouvir ligados os segundo, terceiro e quarto andamentos foi brilhante, como se estivéssemos a ouvir contar uma história, com poucas interrupções, a alguém que conhecia todos os seus pequenos pormenores, contando-os sempre com mais interesse e entusiasmo. Só um grande “amigo de Beethoven” podia contar com tal clareza, veracidade e cumplicidade esta história chamada “Pastoral”. Foi o que aconteceu.
Um grande concerto!
7 Comments:
At Domingo, 24 Abril, 2005, aniversariante said...
Texto digno de um verdadeiro crítico musical!
E assim se perdem os verdadeiros talentos na blogosfera...

At Domingo, 24 Abril, 2005, Luís Aquino said...
Concordo! Nem demasiado técnico, portanto acessível a qualquer não especialista, nem superficial (apreciações suficientemente justificadas), e capaz de sugerir ao leitor o ambiente criado na sala. Temos crítico! (Já agora... quem é que faz anos? E paga alguma coisa...?)


At Domingo, 24 Abril, 2005, Oficial e comentadeiro said...
Sim, até pode ser isso tudo que vocês dizem, crítica bonita e tudo, mas por outro lado, é uma tristeza profunda isto ter corrido tão bem; quer dizer, o cenário dos títulos de jornal sai defraudado... Pronto,fica para próxima!


At Domingo, 24 Abril, 2005, aniversariante said...
Quando for a Portugal nas férias, prometo pagar qualquer coisa em grande ao profissionalíssimo comentador deste blog!

(Mas tb gostava de uma cura qualquer de acupuntura ;)

At Segunda-feira, 25 Abril, 2005, oficial e comentadeiro said...
Ok. Combinado, aniversariante.

At Segunda-feira, 25 Abril, 2005, Patrícia said...
“Além disso, a forma como nos fez ouvir ligados os segundo, terceiro e quarto andamentos foi brilhante, como se estivéssemos a ouvir contar uma história, com poucas interrupções, a alguém que conhecia todos os seus pequenos pormenores, contando-os sempre com mais interesse e entusiasmo.”

quinta-feira, 21 de abril de 2005

como que um esvaziamento da alma

(A propósito do comment de Luís Aquino no post “... tal como Feldman”)
Mark Rothkodicks (seu nome russo), tal como Morton Feldman, parecia pintar o nada...
a música de Feldman realizava “o nada” em sons numa obra que me encantou pela sua contenção, subtileza, humildade e transparência. Pouca música no século passado foi capaz de ser tão simples, tão insólita e ao mesmo tempo tão relaxante e complexa. Ainda hoje, quando a ouço entro num estado de acalmia que não controlo sentindo como que um esvaziamento da alma. É que Feldman, na sua música, nunca foi capaz de um gesto brusco.
Tudo nele é dolce e pianissimo!

de conhecimento obrigatório (4)


Ella Fitzgerald, Sunshine of your Love
Gravado por Wally Heider em San Francisco em Outubro de 1968

Conheci este disco há muitos anos em vinil (versão que mantenho) e em 1996 foi reeditado com esta nova capa (a capa original era diferente). Trata-se de um vinil raro e muito caro no mercado usado do género e a versão presente (cd) também não é fácil de encontrar.
É para mim o melhor disco de Ella onde esta se encontra com a orquestra (lado a) e o trio (lado b) ingleses de Tommy Flanagan. O tema Sunshine of your Love que dá nome ao disco é esse mesmo, o de Eric Clapton! Tem também a mais forte e atrevida versão que conheço de Hey Jude dos Beatles. Mas o que realmente transcende é o segundo lado onde se apresenta apenas o trio: Tommy Flanagan no piano, Frank De la Rosa no contrabaixo e Ed Thigpen na bateria. E, claro, como não podia deixar de ser, os grandes discos desta época eram assinados nos textos e na produção por Norman Granz. Um momento único, felizmente foi gravado, do melhor Jazz de sempre.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Boléro de Ravel

Hoje lembrei-me de um singelo episódio, ocorrido há já alguns anos, numa escola profissional de música - num ímpeto de participação, entusiasmada, uma aluna perguntou-me: “quem é que escreveu o Boléro de Ravel?!” Nunca me refiz...
3 Comments:
At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, sasfa said...
Ainda assim, essa não é melhor que a das escalas - a escala maior e a mais pequena...

At Quinta-feira, 21 Abril, 2005, ADSUM said...
Ai... tenho uma lista tão vasta destas referências, quase tanto como o catálogo do D. Giovanni q Leoporello tão bem apresenta. E que tal o singspiel de Mozart ‘O rapto do Sarrabulho’? Deliciosa, heim? :)


At Quinta-feira, 21 Abril, 2005, Pat said...
São todas dignas de “Portugal no seu melhor”.....!

expressão singular

Os muitos estágios da música americana colocaram o uso da melodia, na música social e comercial, sob a mira de uma arma. Qualquer entendido sabe que, hoje em dia, rock, clássico, folk e jazz são nomenculaturas ultrapassadas. Sinto que o mundo da música está a a fechar-se em torno de uma expressão singular, com histórias musicais não delimitadas, da humanidade.

Ornette Coleman, 1977
1 Comments:
At Sábado, 23 Abril, 2005, El comentador said...
O que me parece que à primeira vista ele chama de «histórias musicais não delimitadas» é o reflexo na música de um fenómeno social e cultural mais vasto, um discurso desconstrutivista , um deitar abaixo de fronteiras, uma abordagem de fusão, que aconteceu em todos os campos artísticos. Aliás é curioso que dois anos mais tarde 1979, François Lyotard escreveu um livro que deu nome a uma expressão dos fenómenos sociais ainda hoje muito polémica. O livro chamava-se «A condição pós-moderna» e a expressão que desde aí, bem ou mal, não deixou de andar nas bocas do mundo é...pós-modernismo, pois ‘tá claro!

Prefácio

A maioria das vezes o compositor escreve a abertura quando a ópera já está terminada.

in Nuevo Tratado de Armonia, Alois Haba
(tradução de pb)
5 Comments:
At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, Luís Aquino said...
Ui... a ópera
Como não percebo nada de estruturas musicais, já vou meter nojo; mas vem a propósito: sabiam que sua excelência o recém-eleito líder dos católicos (não digo o nome dele, porque já o fiz noutros comments e não quero ser acusado de perseguição ao homem)disse nos idos de 80 (já no pontificado do Karol) que a ópera era uma manifestação do demónio? E o rock também. E isto não li em nenhuma notícia recente - tipo a descascar nele agora que passou a usar aquela ogiva nuclear na cabeça - não senhor, ouvi eu de viva voz do próprio na TSF.

At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, pb said...
O quê???
Não posso acreditar! Isso é mesmo muito mau... possivelmente para o Bento XVI, Papa no 261, (acho que ouvi este número) ainda hoje estávamos a ouvir música gregoriana!

At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, Patrícia said...
“ ...Mas na ópera italiana as aberturas eram usadas como forma de acabar com
a conversa do público e possibilitar que o público atrasado pudesse chegar aos
seus lugares. Assim, uma das aberturas de Rossini foi usada para três das suas
óperas, incluindo Il Barbieri di Siviglia”
Michael Kennedy

Só mais um parte e isto em relação ao Ratzinger... sabiam que o senhor q considera a ópera uma manifestação do demónio é músico e um óptimo pianista? UI, ui, como ele gosta do diabinho......!


At Sábado, 23 Abril, 2005, Decompositor said...
Sim, também já tinha ouvido isso. O seu compositor preferido é o Beethoven.
Será que ele toca a “Appassionata”?
LP

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, Patrícia said...
Provavelmente.... mas com surdina, para ninguém ouvir, não vá o diabo tecê-las! O que lhe tira toda a piada.
É incrível como pode ele ser tão incoerente. Porque será que aprova umas manifestações e outras não?
Mas vamos lá dar um tempo ao senhor... afinal, pode-nos surpreender positivamente.
Mas adoraria conversar com ele para conseguir entender as suas razões em considerar que a ópera é uma manifestação do demónio. Nunca se sabe....

ideas for coherence

I. A ideia de uma peça de música é

1) na sua concepção
a) puramente material
c) psicológica
b) metafísica

2) na sua apresentação
a) lógica
c) psicológica
b) metafísica

II. A concepção não necessita de lógica

III. A apresentação necessita de lógica

Arnold Schoenberg
(tradução de pb)

... tal como Feldman


Mark Rothko: Blue, Green and Brown
(1951)
1 Comments:
At Quinta-feira, 21 Abril, 2005, Luís Aquino said...
ora quem diria, uma bela pintura e é americana! Apesar que Rothko tem genes russos (eh, eh).
É um abstraccionismo muito... formal, talvez...É isso que é «...tal como Feldman» (suponho que seja um compositor)? O rigor da relação entre as cores, o equilíbrio das formas ... É engraçado como uma pintura que está nos antípodas do figurativismo consegue ser tão cativante. Quer dizer, mesmo sem saber muito bem o que ela me diz, sei que me diz algo com que me identifico. Provavelmente nem me interessa muito saber o conteúdo: como diria o próprio MR, não importa o que está pintado, desde que esteja bem pintado (olha, esta podia ir para os comentários daquele post do Pessoa sobre arte...). Ou nas palavras do próprio: «There is no such thing as good painting about nothing»

terça-feira, 19 de abril de 2005

A página de música


György Ligeti
Three Pieces for Two Pianos, Bewegung
(1976)
6 Comments:
At Terça-feira, 19 Abril, 2005, samovar said...
Gostava de saber quem é o virtuoso que decifra uma sarrabiscada dessas...

At Terça-feira, 19 Abril, 2005, Patrícia said...
Ora cá está um bom motivo para piorar a miopia dos pianistas... chiça!

At Terça-feira, 19 Abril, 2005, pb said...
Esta “sarrabiscada”, como lhe chamas, já foi tocada pela virtuosa da tua amiga Madalena Soveral! E muito bem por sinal, no ano de 1988. Eu estava lá e quase caí para o lado. É uma das obras de Ligeti de que mais gosto...

At Terça-feira, 19 Abril, 2005, pb said...
A miopia dos pianistas revela-se de outras formas...

At Terça-feira, 19 Abril, 2005, pat said...
Sim.... Que queres dizer com isso? Ou antes, podes querer dizer tanta coisa q me deixaste baralhadita... explica melhor, sim?

At Quarta-feira, 20 Abril, 2005, pb said...
A miopia a que me referia é comum a outros “istas” com ou sem piano por detrás... os ditos e consagrados especialistas!

domingo, 17 de abril de 2005

de conhecimento obrigatório (2)


Glenn Gould
J. S. Bach: The Goldberg Variations
(Versão de 1981)

de conhecimento obrigatório (1)


Cheryl Studer / Giuseppe Sinopoli
Richard Strauss: Four Last Songs
Richard Wagner: Five Poems for Female Voice; Tristan and Isolde

Este é um dos discos da minha vida... Há certas obras musicais e interpretações que deviam ser de conhecimento obrigatório nos estabelecimentos de ensino especializado da música. Esta é uma delas!
Doravante vou publicar alguns posts com obras deste tipo, as tais que eu teria de levar nem que fosse para o fim do mundo!
5 Comments:
At Quinta-feira, 21 Abril, 2005, Anonymous said...
Excelente gosto. É também um dos destaques da minha pequena discoteca.
Obras fantásticas, interpretação soberba...

At Quarta-feira, 27 Abril, 2005, Il Dissoluto Punito said...
Não sabia que havia mais fans da imensa Studer...cá pelas nossas bandas ! Mas, obrigatório, mesmo, é a Salomé dela... Um verdadeiro orgasmo...
O disco referido por si, ainda assim, é indispensável ! Apesar da concorrência forte, sobretudo nos Vier Letzte lieder...
É bom saber que tb aprecia esta luminosa straussiana !

At Quarta-feira, 27 Abril, 2005, pb said...
Nem é tarde nem é cedo!
Não tenho a “Salomé” (eu sei, é imperdoável, ofecereci em tempos a alguém e fiquei sem nenhuma para mim), portanto, vou mesmo procura da Cheryl Studer na interpretação.
E obrigado pela sugestão!

At Domingo, 04 Dezembro, 2005, Anonymous said...
ainda te lembras como encontraste este disco? Pois é, se não te lembras, fui eu que te emprestei.Resta saber se sabes quem sou. Um grande abraço para o melhor mestre que conheci.


At Quarta-feira, 14 Dezembro, 2005, pb said...
Como é? Não, este disco nunca ninguém mo emprestou...
Comprei-o, lembro-me de ser bem caro e estar esgotado!
No entanto foi-me indicado por uma senhora que de vez em quando participa comentando (não como anónima) uma ou outra coisa neste blogue. Mais do que isto não estou a ver... lembro-me no entanto de uma ex-aluno e amigo meu que ouvia compulsivmente este disco e que tinha na altura para ai uns 16 ou 17 anos... (nada normal! :-)
Só se for por ai!

sábado, 16 de abril de 2005

Caravaggio (2)


The Musicians
1595-96
Oil on canvas, 92 x 118,5 cm
Metropolitan Museum of Art, New York

a bd de pb (1)


Enki Bilal
3 Comments:
At Sábado, 16 Abril, 2005, bschneider5 said...
Nice one!!!Bradsblog

At Sábado, 16 Abril, 2005, pb said...
He 's my prefered bd author! He’s really great. If you liked it, there is another good site: http://bilal.enki.free.fr/index.php3

At Segunda-feira, 18 Abril, 2005, Luís Aquino said...
When you watch Bilal drawings, you can’t remain the same. There’s something he outlines in his sketcthes that... it’s like we get to know some part of reality we’ve never seen, not because it wasn’t there, but because we weren’t able to see. Now here is the question: are Bilal drawings a draft of reality or reality is an easy editon of his BD?

(I’m writing in English [at least I like to think this is English and not portuglish) just in case BSchneider5 decides to return.
Wow, who’d tell? How international this blog is coming to...)

sound and silence

Mystery has surrounded the personality of Morton Feldman, whose importance is close to that of Cage in American new music. Now in his early forties, he is known for a large number of very quiet compositions where the music quivers delicately on the borderline between sound and silence, and for some original types of notation which operate between the player and the notes he plays.

Peter Dickinson