domingo, 22 de maio de 2005

de conhecimento obrigatório (8)

one size fits all.jpg
Frank Zappa, One Size Fits All, 1975

1. Inca Roads
2. Can’t Afford No Shoes
3. Sofa No. 1
4. Po-Jama People
5. Floentine Pogen
6. Evelyn, A Modified Dog
7. San Ber’dino
8. Andy
9. Sofa No. 2

Frank Zappa all guitars, lead vocals on Po-Jama People, Evelyn and Sofa No. 2, bg vocals on other tunes
George Duke all keyboards & synthesizers, lead vocals on Inca Roads, Andy and Sofa No. 2, bg vocals on other tunes
Napoleon Murphy Brock flute and tenor sax, lead vocals on Florentine Pogen and Andy, bg vocals on other tunes
Chester Thompson drums; gorilla victim
Tom Fowler bass (when left hand is not broken) Ruth Underwood vibes, marimba, other percussion James “Bird Legs” Youmans bass (on Can’t Afford No Shoes)
Johnny “Guitar” Watson flambe vocals on the out-choruses of San Ber’dino and Andy
Bloodshot Rollin’ Red harmonica when present
1 Comments:
At Domingo, 05 Junho, 2005, Paulo Cardoso Mesquita said...
No primeiro tema, Inca Roads, os mais cépticos quanto à idoneidade de zappa, ou melhor, todos aqueles que reputem o compositor como não sendo a pessoa mais idónea deste mundo(enquanto compositor, leia-se)basta esquecer a letra e o cantor e imaginar, projectando um qualquer instrumento, seja de sopro, seja cordas a tocar o tema per se - que por sinal é um grande tema - para termos a noção do potencial do senhor. Remetendo-os para o cd the Perfect Stranger(com um tal de Boulez - pois o Pierre !!!!) ou até para o GRANDE Yellow Shark( e o seu Be-Bop tango fenomenal), ou ainda mesmo o cd Zappa com a London Symph.Orchest, com Kent Nagano,as Obras padecem de enorme aceitação, sendo mesmo apelidadas de eleição em termos de música Séria, acabando mesmo imputadas a alguns “Eleitos”. Mas tudo muda quando resolvemos enquadrar a paternidade. É pena, o adn não engana. Po-Jama People (nós por cá temos a malta do fato de treino, no shopping ao domingo) e Florentine Pogen são igualmente memoráveis. Grande CD, por sinal o primeiro que um tal pb me mostrou em 94.

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Somebody once said we never know what is enough until we know what’s more than enough.

Billie Holiday

«música histórica»

(...) a objectividade, que nos clássicos era apenas um ideal de universalidade não implicando a abdicação da personalidade, devem aqui estética fria, obsessão do inexpressivo, arte mecânica, seca, matemática, de onde é proscrito todo o lirismo, todo o colorido, todo o conteúdo emocional; e, consequências disto, as tentativas de «música histórica», as, quanto a mim, estéreis revivescências dos «estilos clássicos», ou, melhor, de certas modalidades dos «estilos clássicos» (...)

Fernando Lopes-Graça, «Apresentação de Stravinsky», 1931, Música e músicos modernos

«A inteligência e a musicalidade dos animais»

A inteligência dos animais está acima de qualquer suspeita. Mas o que faz o homem para melhorar o estado mental destes resignados concidadãos? Proporciona-lhes uma instrução medíocre, espaçada, incompleta, que nem a pobrezinha de uma criança haveria de querer para si, e com razão (...). Nos programas de um tal ensino nunca estão presentes a arte, nem a literatura, nem as ciências naturais, morais, ou outras matérias. De forma alguma os pombo-correios são preparados para a sua missão, ensinando-os a usar a geografia; os peixes são mantidos à margem do estudo oceanográfico; as vacas, os carneiros, os bezerros ignoram tudo sobre a estrutura de um matadouro moderno, e nada sabem do seu papel nutritivo na sociedade construída pelo homem.

Erik Satie, «A inteligência e a musicalidade dos animais», Memória de um amnésico
1 Comments:
At Terça-feira, 24 Maio, 2005, ADSUM said...
Coitadinhos dos animais que vivem na ignorância. E dizem que há tantos por aí... :)

Estes textos do Satie são fantásticos. Boa escolha!

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (2)

A alfabetização musical do País, através do ensino primário, do ensino liceal, do ensino universitário, das escolas elementares de música (ainda por criar), continua por fazer, não podendo eu aqui deixar de referir que a tentativa, planeada por um dos primeiros Governos Provisórios saídos da Revolução de Abril, de uma reforma de ensino da música nas escolas, na qual um escolhido grupo de pedagogos da especialidade chegou a trabalhar e a apresentar o resultado do seu trabalho (possivelmente provisório mas que se anunciava como um excelente ponto de partida), veio desgraçadamente a parar em nada, possivelmente por acção daquelas forças obstrucionistas que sempre no País estiveram (e continuam a estar) dispostas a empecer todo o surto de progresso nos espíritos e nas instituições...

Fernando Lopes-Graça, Apostila, 1981
3 Comments:
At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, pb said...
24 anos depois e este texto ainda tão actual!
Uma desgraça este país...

At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, Carlos a.a. said...
Esta tentativa de reforma, onde se encontraram muitos músicos que já desapareceram e que hoje estão esquecidos, teve o mesmo epílogo que a de Vianna da Motta e Luís de Freitas Branco nos anos 20! Lixo!


At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, pb said...
Pois é, pois é...
logo a seguir veio o 310/83 que era teoricamente a tão prometida reforma do ensino da música posta em lei. Viu-se com o passar dos anos que serviu apenas para abrir as Escolas Superiores de Música do Porto e Lisboa e pouco mais... depois (em 1998) ainda tivemos o Encontro Nacional do Ensino Especializado da Música no Teatro da Trindade onde estive presente (nessa altura era ainda bem crente) a defender o sentido de uma profissão que acreditava ser de carácter especializado... também ai saíram frustradas quaisquer soluções... Entretanto os anos passaram, passaram e instalou-se a “javardice” total! Hoje pode-se dizer, com segurança, que, com a “democratização” do ensino, há mais escolinhas de música, mais professorzinhos(as) de música e “palminhas”, mais pop e rock nas escolinhas, tudo muito mais animado e menos a sério, mais ensino (des)articulado e até (des)integrado para que o precário seja o objectivo, não a atingir, mas sim, a manter ad libitum.
CONTINUEMOS POIS ASSIM, QUE ESTAMOS MAL!

Chant d’amour

(...) faut-il être amoureux pour composer un chant d’amour? Il faut surtout avoir du talent pour la composition musicale. Quant à l’état amoureux, s’il peut être, à l’occasion, un stimulant, il n’est jamais un plus esthétique.

André Boucourechliev, Le langage musical, 1993

quinta-feira, 19 de maio de 2005

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monk.jpg
Some of Monk’s compositions are very simple, meaning not difficult for a musician to play. However, the impact of these compositions is very profound (...) His rhythmic approach is unique. It might sound like he is having trouble keeping the time. “Time” describes the underlying pulse of the music, the pulse, the flow, the beat, the swing of the musical situation. Monk had great time. He always knew when it was swinging, and it was always vital to him that his group swung and swung hard. What sets Monk apart from most musicians is that he didn’t play the swing feel himself. The swing feeling had to be there in the group. When the group was really swinging, then Monk could get into his thing, which was to rhythmically react to the music in his own very personal, original way. But it always fits with his musical surroundings. The main point is: Don’t ever think Monk’s ‘time’ was bad. He was always in sync with the music, but his way.

Don Sickler, The Monk Sound, Magazine “DU”, 1994

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parkerellingtonarmstrongevansfitzgerald
ornetteJarrettdaviscoltranebaker
5 comments
At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, Luís Aquino said...
Os discos destes também os levavas para uma ilha deserta ou é só o teu top ten de preferências do Jazz? Assim à primeira, escolhia o ‘Bird’(está tão lavadinho na foto!), o Louis (ao início pareceu-me o Gillespie),a Ella e o Chat. Então e quem é o pretinho à esquerda na fila de baixo?
E não se arranja uma vagazita para o Dizzy e o Theolonius?

At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, pb said...
O pretinho à esquerda é Ornette Coleman, saxofonista a quem se atribui o estilo “Free Jazz”. Mas realmente o Dizzy e o Thelonius fazem falta aqui... principalmente Thelonius...
Ainda vou resolver esta injustiça.
Assim não pode ficar!

At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, samovar said...
hum...
(Foi para me irritar... eu sei que foi por isso que não pôs o Thelonius... grrrrrrr)

At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, pb said...
Foi como o comment de samovar ao post “20”.
Também só foi para me irritar! :-P

At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, ADSUM said...
Nota alta para este post. E nota 10 para a Ella. Beijos

l’expression directe de la volonté

La musique n’est pas, comme les autres arts, une manifestation des idées ou degrés d’objectivation du vouloir, mais l’expression directe de la volonté elle-même.

Schopenhauer, Le monde comme volonté et comme représentation

O piano de Morton Feldman

Morton Feldman: You know there’s a very interesting paper I once read about somebody... played on the original pianos of great composers. How Schumann harmony sounded on that instrument. The clarity of the harmony was extraordinary. Under a big light. Chopin’s piano sounded just like Chopin - that he never really played loud. The piano cannot play loud. That he made a mezzoforte sound big. And because of the level of the piano, that what he wrote on that piano was the best that sounded on that piano.

Somebody once came to my house, and wanted a criticism of their playing some years ago, and for some reason played the SONATINE by Ravel, and she stopped and she said: “On your piano, it sounds like your music.” Very, very interesting - the importance of one’s instrument.

Bunita Marcus, I went away, she used my piano. I came back, I said: “Did you work?” She said: “What I did, I did in half of the time, because I worked on your piano.”

I love the piano to work, because the balance on it... marvellous instrument.

Kevin Volans, Conversation with Morton Feldman
1 Comments:
At Sábado, 21 Maio, 2005, sasfa said...
Pois, nunca tinha pensado nisso do ponto de vista de um compositor, mas faz sentido...
A relação de um instrumentista com o SEU instrumento é uma coisa especial, principalmente para aqueles que tocam instrumentos “portáteis” e não estão habituados a sofrer constantes trocas!
O caso dos pianistas é um bocado mais complexo, porque têm, no acto, que se identificar com um instrumento desconhecido... Faz-me lembrar uma certa luta do Nelson Freire com um Steinway fantástico, numa sala fantástica, mas com quem ele “antipatizou” sem razão aparente. Segundo ele, a antipatia era mútua e não conseguiram entender-se...

20

ligetischoenbergBerioCagegubaidulina
debussybartokstravinskyboulezfeldman
Adamsnonokurtagsatiewebern
SaariahoravelbergvareseStockhausen
2 Comments:
At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, samovar said...
(aqui devia haver legenda, caramba... quem são estes desconhecidos todos??)

At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, pb said...
Posso pôr uma legenda se necessitas! E no post “10” também é preciso?

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Música para “ouvir”?

Retirei esta parte de um texto do blogue “Tonalatonal”, com autorização do autor, é claro, por se entrecruzar muito bem com alguns posts recentes do Tónica Dominante.

O momento presente é de um impasse, onde uns vêem o fim da música clássica, num mundo tecnocrático, economicista, hedonista e acelerado, e outros distinguem mesmo assim uma luz ao fundo do túnel. APV, nos seus textos (ao fim e ao cabo o pretexto deste post), é pessimista e um espelho da angústia do criador que se interroga sobre a sua própria utilidade. Mas não tenhamos ilusões: os artistas musicais deixaram de ser úteis a partir de Beethoven. Com a Revolução Francesa e a queda das monarquias e aristocracias autocráticas na Europa, que ainda agonizam durante todo o século XIX, e têm um fim simbólico com o assassinato de Nicolau II e Dom Carlos, a Revolução Bolchevique e a 1a Guerra Mundial, juntamente com o crescente laicismo das sociedades e a decadência de gosto da própria Igreja Católica, a música deixa de servir para mais nada a não ser para se ouvir, luxo cada vez mais caro e inapetecido. Podemos até perguntar-nos se a música foi realmente, e alguma vez, pensada para se “ouvir”, ou meramente para “servir”. Tocada durante banquetes, cerimónias, ar livre, salões com barulhos constante, celebrações religiosas, etc, etc, terá a música alguma vez sido verdadeiramente “ouvida”?

Sérgio Azevedo, “Tonalatonal”, (extracto) António Pinho Vargas e a inutilidade
do artista hoje, 2005
1 Comments:
At Quinta-feira, 19 Maio, 2005, Patrícia said...
terá a música alguma vez sido verdadeiramente “ouvida”? Quero muito acreditar que sim. Acho que se vai aprendendo a ouvir música. e este é um processo com muitos retrocessos e avanços e por isso, muito longo.

terça-feira, 17 de maio de 2005

La objectividad

Uno de los sectores artísticos donde los problemas relativos a la objectividad, o mejor a la objetivalización, del lenguaje y a su estructuración resultan particularmente evidentes es el de la música moderna (...)

Gillo Dorfles, Naturaleza y artificio, 1968

Adição

Que aos dons da natureza se juntem os benefícios de artífice - tal é a significação geral de arte.

Igor Stravinsky, Poética da Música

Hasard et nécessité

On se souvient de la remarque de Schoenberg: “Ma musique n’est pas moderne, elle este simplement mal jouée.” Ce pourrait n’être qu’une boutade, si elle n’était révélatrice d’un état de fait qui a considérablement oblitéré un accès véritable à la musique d’avantgarde, dans la première décennie de l’après-guerre.

François Porcile, Les conflits de la musique française (1940-1965), 2001

sábado, 14 de maio de 2005

“mal amada” arte já em 1896!

As nossas observações práticas permitem-nos definir a oposição nos seguintes termos: a arte moderna tem um fundo predominantemente pessimista, enquanto a atitude do moderno proletariado é profundamente optimista. Toda a classe revolucionária é optimista (...). É óbvio que isto não tem nada a ver com utopismos. O lutador revolucionário poderá analisar friamente as possibilidades de ganhar ou perder a luta; mas só é um lutador revolucionário porque está possuído da convicção inabalável de que é capaz de transformar um mundo. Neste sentido, todo o trabalhador com consciência de classe é optimista: olha para o futuro cheio de esperança. E vai buscar essa esperança precisamente à miséria que o rodeia.
A arte moderna, pelo contrario. É acentuadamente pessimista. Não conhece saída para a miséria cuja descrição é o seu assunto preferido. Provém de círculos burgueses e é o reflexo de uma decadência incontrolável, que nela se reflecte bastante fielmente. À sua maneira, e desde que não seja simples intenção de modas, ela é honesta e verdadeira, está muito acima dos Lindau* e das Marlitt*, mas é absolutamente pessimista, na medida em que, na miséria do presente, só vê a miséria.

* Crítico teatral, romancista e dramaturgo de “boulevard” na linha de A. Dumas e Sardou.
* Autora de romances cor-de-rosa do fim de século XIX.

Franz Mehring, Arte e proletariado, 1896

À parte isso...

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

TABACARIA
(extracto), Álvaro de Campos, 1928
2 Comments:
At Segunda-feira, 16 Maio, 2005, t. said...
Pois.
:)

At Segunda-feira, 16 Maio, 2005, Analepse said...
Deste poema imortal, um excerto que sempre me comoveu:
«(Come chocolates, pequena;
Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)»

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Música “mal amada”!

Among the reproaches most obstinately repeated by these critics, the most widely spread is that of intellectualism: modern music has its origins in the brain, not in the heart or the ear; it is in no way conceived by the senses, but rather worked out on paper. The inadequacy of these clichés is evident. The critics present their arguments as though the tonal idiom of the last 350 years had been derived from nature (...). The idea that the tonal system is exclusively of natural origin is an illusion rooted in history (...). The feeling that, in contrast to traditional music, the conception of modern composition is more intellectual than sensory is nothing but evidence of incomprehension (...). What is labelled as emotion by musical anti-intellectualism yields without resistance to the mainstream of current social logic (...). On the other hand, the objective consequence of the basic musical concept, which alone lends dignity to good music, has always demanded alert control via the subjective compositional conscience. The cultivation of such logical consequence, at the expense of passive perception of sensual sound, alone defines the stature of this perception, in contrast to mere “culinary enjoyment”.

Theodor W. Adorno, Philosophy of modern music

(Afinal o texto de George Steiner publicado no post “5% ou menos” já nem em 1977 acrescentava grande coisa ao que Adorno, uns anos antes, tinha denunciado. Com efeito, esta temática recusa-se a deixar de ser actual quer se fale de Schoenberg, da quantificação e aceitação de todas as novas músicas pelo público ou da coragem dos compositores contemporâneos que “persistem” em dar ao público o seu melhor.
Discutamos pois então a temática da música “mal amada”! Ass: pb).
4 Comments:
At Sexta-feira, 13 Maio, 2005, César Viana said...
Como diria o Schönberg “prefiro compor como um intelectual do que como um idota”. (cito de memória, não sei se são estas as palavras exactas, mas o sentido é este.


At Sexta-feira, 13 Maio, 2005, pb said...
Hehhee!
Devem ser essas as palavras pois...

At Domingo, 15 Maio, 2005, Teresa said...
“Que estranho conceito de música tem determinada categoria de críticos (a que ousarei chamar hiper-racionalistas), quando dizem de certas obras literárias que não se coadunam ao seu feitio especial de mentalidade, que elas «escapam à crítica», que «não são para serem pensadas mas sim sentidas» e que por isso são de «natureza musical»!!!...”
Fernando Lopes-Graça, 1933

“[...] a música para os autênticos músicos e para todos os que a compreendem verdadeiramente [é] uma coisa tão ‘pensável’ como qualquer outra coisa ‘pensável’, uma actividade que oferece tantas possibilidades de que sobre ela se exerça o espírito crítico como qualquer outra actividade intelectual”
Fernando Lopes-Graça, 1939

At Segunda-feira, 16 Maio, 2005, Analepse said...
Bem, esta coisa da criação humana (neste caso específico, artística)ter a sua origem somente nos mecanismos da razão ou nos dos sentidos é mais velha que a Sé de Braga; pelo menos tão velha quanto Descartes ou John Locke (na verdade quanto Platão ou Sócrates, mas não queria ir tão longe. Como esta divisão faz para mim tanto sentido como os anúncios ‘prova de sabor Planta’, prefiro recuperar o que Rousseau disse no século XVIII sobre o assunto, e que hoje haveria de ser qualquer coisa como isto:

O homem não se constitui apenas de intelecto pois, disposições primitivas como as emoções, os sentidos e os instintos existem nele antes do pensamento elaborado; estas dimensões primitivas são para mim, mais dignas de confiança, do que os hábitos de pensamento que foram forjados pela sociedade e impostos ao indivíduo.

retrato (3)


John Cage
Photograph on rear dust cover of A John Cage Reader (hardcover edition, C. F. Peters).
3 Comments:
At Sexta-feira, 13 Maio, 2005, César Viana said...
“The maker of a camera who allows someone else to take the picture” J.C.


At Sexta-feira, 13 Maio, 2005, pb said...
Foi John Cage que disse isso? Mas com que sentido terá isso sido dito...?

At Sábado, 14 Maio, 2005, César Viana said...
Não me lembro exactamente, mas penso que referindo-se à liberdade concedida ao intérprete e aos imprevisíveis resultados da indeterminação em muitas das suas obras.

a single gesture

The Expressionistic miniature of the new Viennense School contracts the time dimension by expressing - in Schoenberg’s words - “an entire novel through a single gesture.”

Theodor W. Adorno, Philosophy of modern music