quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (5)

Coloquem alguém de forma permanente e obstinada a fazer aquilo que não sabe nem gosta. Ou ainda pior, coloquem pessoal não especializado a “fazer de conta que faz” o trabalho especializado. É, como se dizia num post abaixo, querer “endireitar a sombra da vara torcida” colocando o pedreiro a fazer o trabalho do engenheiro. Os maus resultados aparecem, mais cedo ou mais tarde, de forma mais ou menos radical. Assim vai o ensino “nada” especializado da música em Portugal.
8 Comments:
At Quarta-feira, 26 Outubro, 2005, Nívea Samovar said...
Pois...
Imagino que hoje te puseram mais uma vez a partir pedra burocrática...
Compreendo o tormento.
Assim nem podes ter disponibilidade mental para compor algo à tua filha que não a ponha a falar de trás para a frente ou muda durante 4 minutos e 33 segundos quando tentas adormecê-la...
Não vislumbro solução mas... estou contigo!

At Quinta-feira, 27 Outubro, 2005, IO said...
A música faz parte da educação completa que todo o cidadão devia ter, mas como educação é coisa de que o(s) governo(s) temem, natural é o estado em que nos encontramos em Portugal - abraço, IO.

At Quinta-feira, 27 Outubro, 2005, Carlos a.a. said...
Estimado Paulo Bastos
O alcande deste texto é vastíssimo e daí a sua riqueza: tanto podemos ler a falta de propensão ou qualidade do ensino especializado da música como a apetência de alguns músicos para a área da gestão...
Cumprimentos

At Quinta-feira, 10 Novembro, 2005, pisconight said...
A música é uma arte, é um dom, faz parte da nossa cultura e faz-me um bem imenso (a mim!!).
;)

At Terça-feira, 22 Novembro, 2005, César Viana said...
Penso que uma grande parte do problema reside no facto de o ensino das artes ter sido integrado na estrutura do ensino regular, sem que tenha havido a necessária flexibilidade para que a sua especificidade pudesse impor algumas necessárias excepções. Os métodos de selecção para os cursos superiores (e a necessidade de preecher vagas) fazem com que cada geração seja necessariamente mais ignorante e irrelevante que a anterior; o tipo de carreiras do ensino secundário impede o acesso dos mestres e promove os professores de carreira, que deveriam ministrar o ensino artístico genérico nas escolas (de que falo? Isso existe lá...). Trata-se de situações que criam cadeias irremediáveis que já nos envolveram. Não sei se há como sair daqui, tendo em conta o que é o enquadramento legislativo, o funcionalismo provinciano de grande parte dos docentes, e os milhões de futuros setôres de música a serem (de)formados permanentemente. E, no fundo, o problema é simples: há artistas e há jovens que aspiram a sê-lo... mas o enquadramento legal, que seguramente alimenta carreiras e protagonismos, só não deixa espaço para mestres e discípulos.

At Terça-feira, 22 Novembro, 2005, nívea samovar said...
Concordo plenamente com a clara análise que o César Viana acabou de fazer. É lamentável que assim seja, ou que aqui se tenha chegado. A uma situação em que, para nos realizarmos como mestres ou discípulos, nos vejamos forçados a afastar-nos do enquadramento educacional que supostamente deveria ter como principal função promover essa relação de aprendizagem. Pergunto-lhe, César: acha que o ensino das artes perdeu em ter sido enquadrado num ensino regular, em toda a Europa, ou este é mais um caso português de modelos de ensino onde a rigidez do esteriotipo atrofia os verdadeiros objectivos ou mesmo os esvazia de conteúdo?
Estou errada ou as escolas secundárias de outras artes não tiveram a mesma evolução negativa?
Por último, RE-benvindo a este espaço dialogal! Pode ser que o Paulo, entre o braço direito encalhado, a defesa de tese e os afazeres familiares, seja estimulado a voltar!

At Quinta-feira, 24 Novembro, 2005, César Viana said...
Noutros países da Europa, apesar da integração na rede oficial de ensino, foi respeitada a especificidade deste tipo de ensino no que diz respeito a curriculum, carga horária, recrutamento de professores, etc. embora o final o diploma seja equivalente. É verdade que noutras artes o problema não é tão sério. Onde ele é verdadeiramente gritante é na música e, talvez mais dramaticamente ainda, na dança, já que os escalões etários dos discentes, o tipo de progressão, a origem dos docentes, etc. têm características muito diferentes. Em ambas se começa muito cedo a estudar e, também, a construir uma carreira. Em ambos os casos seria importante que os docentes fosem oriundos do meio artístico, pelo menos os de certas disciplinas mais vocacionais, e em estabelecimentos de ensino de referência. Em certos países, paralelamente a um ensino artístico mais integrado no sistema regular, subsiste um outro, ligado a instituições artísticas (caso da Opéra, por exemplo). Noutros casos ainda, não há qualquer tipo de integração nas redes regulares de ensino. Não me parece que haja receitas milagrosas. Com sistemas muito diferentes no que diz respeito ao grau e tipo de integração no ensino regular, há muitas experiências positivas. A questão acaba sempre por ter a ver com flexibilidade e bom senso. Acontece que é muito mais fácil para a gigantesca máquina burocrática do Ministério da Educação achar que é tudo igual e pronto. Daria talvez mais trabalho encontrar formas de equivalências de habilitações para adocência, diferentes estruturas curriculares e cargas horárias, etc. Repare-se que não é uma questão legal.
Há no entanto que dizer que não tem sido fácil encontrar posições consensuais nestas matérias. Em países como a Inglaterra, a França, a Alemanha, etc. há uma tradição que trava os excessos de corporativismo. Em Portugal, o peso das questões corporativas tem-se sobreposto frequentemente a um esforço genuíno para resolver estas questões tendo como ponto de partida a formação dos alunos e não os problemas laborais dos professores. É claro que estes têm de ser sempre respeitados, mas sempre que se desenham novas estratégias, sente-se que os numerosos calculismos que despontam têm muito a ver com carreiras e pouco com arte e ensino.

At Domingo, 27 Novembro, 2005, sasfa said...
Já há muito tempo que não via uma tão boa descrição como a que faz o César Viana; é mesmo isso, é tudo isso! É um texto acertadíssimo! Mas, inesperadamente, em vez de responder com alvoroço, alguma revolta até, fico um pouco paralizada à frente do computador...
Devo estar cansada de ver o barco a afundar e ainda estar dentro dele...

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Os Efeitos

Vale a pena ler:
no insustentável, sobre os efeitos da música nas crianças!
4 Comments:
At Segunda-feira, 17 Outubro, 2005, t. said...
Tem piada!
;)

At Quinta-feira, 20 Outubro, 2005, Rui Dernaz said...
Gostei bastante do efeito Glass. É tal e qual.

At Terça-feira, 25 Outubro, 2005, pisconight said...
Boa!! Muito boa!!
;)


At Terça-feira, 25 Outubro, 2005, adsum said...
:) Gostei de ler!

terça-feira, 4 de outubro de 2005

de conhecimento obrigatório (16)

Anner Bylsma.jpg
J. S. Bach, Six Suites for Violoncello Solo BWV 1007 - 1012, Anner Bylsma
5 Comments:
At Terça-feira, 04 Outubro, 2005, V.M. said...
do melhor que há.


At Quarta-feira, 05 Outubro, 2005, CV said...
Apenas reiterar o que o comentador anterior disse: “do melhor que há.”

At Domingo, 09 Outubro, 2005, M.C. said...
Mas k giro sera k alguma vez bach pensou k era possivel pegar numas chapas de metal e ouvir as suas obras ?ou alguma vez pensou k eu iria estar a falar dele na net ? desconfio k nao >* mas tb ele tava era preocupado em ter filhos e escrever nem tinha tempo para perder na net...aposto k ele ate usava micro-ondas para a mulher perder menos tempo na cozinha...< )

At Segunda-feira, 10 Outubro, 2005, Anonymous said...
ei pá!!!! só agora é que percebeste que isso existia?!!! Já tenho isso há dez anos...


At Segunda-feira, 10 Outubro, 2005, pb said...
Senhor(a) Anónimo(a):
não, já tinha percebido que isso existia há alguns anos, mais precisamente em 1993 quando comprei esta excelente interpretação.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

pensamento nocturno (3)

(...) nenhum pensamento é imune à sua comunicação, e basta já expressá-lo num falso lugar e num falso acordo para minar a sua verdade.

Theodore Adorno, Minima Moralia
7 Comments:
At Quarta-feira, 14 Setembro, 2005, Sasfa said...
Já Fernando Pessoa dizia da dificuldade de exprimir fielmente um pensamento com palavras! Por isso “o poeta é um fingidor”, pois que o que escreve não exprime bem o que sente...
Esta temática é lindíssima e dá pano para mangas!

At Quinta-feira, 15 Setembro, 2005, Rostos said...
Eu penso uma verdade, escrevo outra, e tu lês aquela, que criaste.
Apeteceu-me fazer uma frase do dia! Perdoa a invasão do espaço. Um abraço!

At Quinta-feira, 15 Setembro, 2005, Rostos said...
É claro que também se aplica às mentiras, não fossem elas verdades de si mesmas...

At Quinta-feira, 15 Setembro, 2005, pb said...
Invasão de espaço!?
É que nem pensar...
Os teus comentários são muito bem vindos.
Um abraço.

At Sábado, 24 Setembro, 2005, CV said...
...mas é também verdade que há mundos de pensamento bem para lá das capacidades de expressão da linguagem oral ou escrita. Daí haver lugar para a música, dança... que, claro, não expressam esses pensamentos “não exprimíveis”, mas criam interessantes imagens no espelho.

At Terça-feira, 27 Setembro, 2005, J.P. said...
Olá, passei por aqui e não resisti a deixar um abraço. È sempre bom conhecer mais um excelente blogue Bracarense. parabéns !

At Quarta-feira, 28 Setembro, 2005, pb said...
Senhor(a) J.P. (que não estou a ver quem é...) Obrigado pelo abraço e pelo elogio ao blogue mas permita-me apenas uma correcção. O Tónica Dominante é escrito por um transmontano que reside na cidade do Porto. Qualquer ligação à cidade de Braga decorre apenas de coincidências circunstanciais de um emprego, e nada mais. Um abraço.

Ensino “muito pouco” Especializado da Música (4)

Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.

Manuel Bernardes, Luz e Calor

(este texto diz muito sobre o estado do ensino artístico em Portugal, mais ou menos especializado, da música ou nem por isso...)
5 Comments:
At Segunda-feira, 12 Setembro, 2005, t. said...
Este texto diz muito do estado do próprio país.
Vivemos entre o que somos, e o que dizemos que somos.
:)
Teresa

At Segunda-feira, 12 Setembro, 2005, pb said...
Completamente de acordo!
:-)

At Terça-feira, 13 Setembro, 2005, joana araujo said...
eu sei k n tem muito a ver mas aki publico um mail”engraçado” k m enviaram:
Barbara Guimaraes recebeu ate Outubro de 2001, durante todos os meses, 5.000 euros (1000 contos) do Ministerio da Cultura para realizar um curto programa diario na RDP-Antena 1. Ao todo foram 60.000 euros (12 mil contos) recebidos em 2000 e cerca de 4500 a 5000 euros por mes em 2001. Ou seja, o Estado portugues gastou com Barbara Guimaraes um total de 110.000 euros.
Tudo gracas a amizade entao existente entre o ministro da Cultura e a conhecida estrela de televisao. Manuel Maria Carrilho subsidiou o programa,um pequeno magazine cultural de cinco minutos transmitido de segunda a sexta-feira na RDP- Antena 1. Os 5.000 euros mensais atribuidos por Manuel Maria Carrilho a Barbara Guimaraes foram pagos atraves do Fundo de Fomento Cultural, entidade tutelada pelo Ministerio da Cultura e presidida pela actual secretaria-geral do ministerio, Helena Pinheiro Azevedo. Este deve ser o dinheiro que um contribuinte medio faz de descontos UMA VIDA INTEIRA, sem poder fugir !!! isto diz alguma coisa......

At Terça-feira, 13 Setembro, 2005, pb said...
Essa história da Barbara Guimarães já conhecia de um email que circulou durante uns tempos por aí. Resta-me, de qualquer forma o desconfortável consolo de pensar que essas informações podem ser falsas...

At Quinta-feira, 22 Setembro, 2005, Anonymous said...
Não são falsas não. Eu trabalhei na RDP e é verdade. Há pessoas que sobem na vida na horizontal, n’est-ce pas?

domingo, 11 de setembro de 2005

Reflexões de um cão com pulgas...

Para os mais distraídos, muito ocupados, totalmente absortos, estupidamente alheados e sempre ausentes, aqui fica o link para um excelente blogue de Pedro Aniceto.
2 Comments:
At Segunda-feira, 12 Setembro, 2005, Pedro Aniceto said...
Eh pá, nem sei o que te diga! Um "obrigado" e um abraço

At Terça-feira, 13 Setembro, 2005, pb said...
Não há mesmo nada a agradecer!
As verdades são para ser ditas.
Abraço.

sábado, 10 de setembro de 2005

Mais um inquérito!

Depois da encomenda do Chuinga o Plasticina fez seguir este inquérito até aqui...
Sendo assim aqui vai o dito cujo:

CINCO COISAS DE QUE NÃO GOSTO
1 da incompetência
2 da ignorância
3 de injustiças
4 de pessoas que têm, e dão, opinião sobre tudo
5 de sardinhas

CINCO COISAS DE QUE GOSTO BASTANTE
1 de música
2 das minhas montanhas
3 de um mac à minha frente
4 de mar com agua quente
5 de dormir

5 ÁLBUNS
1 Glenn Gould, J. S. Bach: The Goldberg Variations, (Versão de 1981)
2 Ella Fitzgerald: Sunshine of your Love
3 John Adams: Shaker Loops; Chamber Symphony; Phrygian Gates
4 Frank Zappa: Waka/Jawaka
5 Miles Davis: Kind of Blue
(quem quiser ver outras músicas estão no “de conhecimento obrigatório”)

UMA MÃO CHEIA DE MÚSICAS
1 Chamber Concerto for 13 instrumentalists de György Ligeti 2 My funny valentine (de muita gente...)
3 Stairway to haven de Led Zeppelin
4 Five Poems for Female Voice de Richard Wagner
5 Inca Roads de Frank Zappa

e o testemunho vai (desculpem-me) para:
Analepse, Improptum, Abaixo de cão, Reflexões de um cão com pulgas... e A
Fonte do Horácio
2 Comments:
At Sábado, 10 Setembro, 2005, t. said...
Eu tb gosto bastante de ter um mac à minha frente.
Também gosto bastante do Glenn Gould, J. S. Bach: The Goldberg Variations,
(Versão de 1981) , e do György Ligeti.
ps: tb não aprecio sardinhas..ahah.não me lembrei dessa
;)

At Domingo, 11 Setembro, 2005, IO said...
Eu além da música apreciei solidária o gosto de Dormir!! - beijo, IO.

domingo, 4 de setembro de 2005

(someone) Blessed

Blessed with awesome powers of invention and assimilation, Ligeti may be the one living composer for whom "genius" is not too strong a word. His music shows the influence of - to make a random list - the Masses of Johannes Ockeghem, the player-piano music of Conlon Nancarrow, the saxophone solos of Eric Dolphy, the drumming of the Central African Republic, the etchings of M. C. Escher, and the imprecations of Captain Haddock in the "Tintin" books ("Blistering barnacles!").

Alex Ross, Ligeti Split, 2001

sport, la musique et la poésie

L’école naît à Athènes au Ve siècle av. J.-C. Elle ne s’adresse d’abord qu’aux enfants, de 7 à 13 ans environ. On y enseigne le sport, la musique et la poésie ; la lecture, l’écriture et le calcul ne remplaceront ces disciplines que plus tard. Adolescents et adultes bénéficient également d’enseignements collectifs, mais dans un cadre plus informel, autour de maîtres à penser, rémunérés ou non.

Denis Mazzuchetti, L'école, d'Athènes à nos jours, 2004

de conhecimento obrigatório (15)

(e que tal voltarmos à música? Será melhor...)
You must believe in spring.jpg
Bill Evans, You must believe in spring, 1977
4 Comments:
At Quarta-feira, 07 Setembro, 2005, CV said...
To fully believe in Spring a recording such as this one was needed...

At Quarta-feira, 07 Setembro, 2005, nívea samovar said...
:-)
Isto do Paulo ainda não ter percebido que o César virou inglês e já aqui lhe deixou dois rastos para encontrar os seus “poems” faz-me sorrir... Vai lá ver, Paulo. São imensamente tristes mas muito bonitos. Requerem é um dicionário ao lado para quem, como eu, já não domina na perfeição a língua de Shakespeare.
Anyway, dear CV, we would be delighted to send you this recording as a gift, if that beautiful “rua de St. Antão” survived to this summer hell. (que chatice... não sei se survive é com “to” or not)

At Quinta-feira, 08 Setembro, 2005, pb said...
Pois, agora percebi...
Fico contente por saber de CV.
O Poems vai desde já para a minha lista de preferências.

At Sábado, 10 Setembro, 2005, CV said...
Só um detalhe: não “virei” inglês. Lá nasci e vivi. Hoje sou português e inglês. A Rua de Santo Antão sobreviveu, apesar de toda a região ter sido muito fustigada pelo fogo. Tem chuviscado nestes dias, o que torna o ar mais respirável.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Irritante

Uma das coisas que mais me irrita é ver um asno com ar de quem sabe o que está a fazer!
(pronto, está dito...)
1 Comments:
At Sábado, 03 Setembro, 2005, t. said...
:)

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Fim de férias

fimdeferias.jpeg
Hoje regresso à repartição...
6 Comments:
At Quinta-feira, 01 Setembro, 2005, joana araujo said...
ola stor!!! este ano la esta o stor outra vez a aturar-nos...boa sorte...(k bem precisa)

At Quinta-feira, 01 Setembro, 2005, nívea samovar said...
Olá :-)
Podias pagar 2 euros por mim à D. Ilda, nessa repartição?
(não estou a brincar... eu disse-lhe que tu ias lá pagar :-)))
Beijinhos para todos!

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, pb said...
Dra. Nibocas Samovar!
O seu Skype foi ao ar ou foi o computador todo, com airport express e tudo?

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, Magna said...
LOL!
Skype?...magna_ferreira ;)

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, Sasfa said...
Este blogue agora parece um serviço de SMS!

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, pb said...
LOL!
É que tá mesmo!
Quem quiser deixar mensagem faça o favor.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

pensamento nocturno (2)

Para recuperar a minha juventude era capaz de fazer tudo no mundo, excepto ginástica, levantar-me cedo, ou ser respeitável. A Juventude! Não há nada que se lhe compare. É absurdo falar da ignorância da juventude. Hoje em dia só tenho algum respeito pelas opiniões das pessoas muito mais novas do que eu. Parecem-me estar à minha frente. A vida revelou-lhes a sua última maravilha. Quanto aos velhos, contradigo-os sempre. É uma questão de princípio. Se lhe pedirmos opinião sobre uma coisa que aconteceu ontem, eles dão-nos solenemente as opiniões correntes em 1820, quando as pessoas usavam golas altas, acreditavam em tudo e não sabiam absolutamente nada.

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray
5 Comments:
At Sexta-feira, 26 Agosto, 2005, Oficial e Comentadeiro said...
Este pensamento do Oscar Wilde lembra-me aquilo que às vezes sinto quando se desata a falar de Salazar. Se o acaso nos junta nesse momento com alguém de idade avançada, há sempre a hipótese de ouvirmos:«Ah!... Pelo menos naquele tempo não havia droga, nem a má-educação de hoje. Com o Salazar não havia crime nem pouca-vergonha, com ele andava tudo nos eixos». E pronto.

At Domingo, 28 Agosto, 2005, pb said...
Hehe!
Realmente...

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, IO said...
A Genious, this irish man!!
Slainte!, IO

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, Magna said...
Quando li esta obra, fiquei com um misto de obsessão e de angústia...Grande obra, de facto!
Bjs

At Sexta-feira, 02 Setembro, 2005, Sasfa said...
O que é espantoso é que o tema deste romance continua actualíssimo, pois o culto da juventude parece nortear a sociedade ocidental (basta olhar para a publicidade - beleza, vivacidade, felicidade, sempre associadas a juventude).
Parece que queremos à viva força ser infelizes...

domingo, 21 de agosto de 2005

os asnos

(...) também me não agradam aqueles para quem todas as coisas são boas, e que chamam a este mundo o melhor dos mundos. Chamo-lhes onisatisfeitos. A facilidade de gostar de tudo não é dos melhores gostos. Louvo as línguas delicadas e os estômagos escrupulosos que aprendem a dizer: “Eu” e “Sim” e “Não”. Mastigar e digerir tudo, porém... é fazer como os suínos. Dizer sempre Sim, isso só os asnos e os da sua espécie aprendem (...)

Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra (Do espírito do pesadume)
6 Comments:
At Sábado, 27 Agosto, 2005, DGP said...
Prefiro-os mil vezes aos que dizem sempre não. Quem vive sem desculpa, quem não aceita os eles, os outros, os eus, os erros, não me parece que possa viver satisfeito com a sua razão. De que serve ser dono das suas paixões se já não as pode sentir?
“A minha paixão e a minha compaixão...que importam! Será que eu aspiro à
felicidade? Eu aspiro à minha obra”
Assim falou Zaratustra (O sinal)
Eu aspiro a felicidade.

At Sábado, 27 Agosto, 2005, pb said...
Realmente, muito interessante...
Em “Assim Falava Zaratustra” podemos encontrar literalmente de tudo.
Mas mesmo assim não os prefiro, aos asnos, claro! É aliás bastante frequente encontrar as maiores qualidades humanas, intelectuais e de engenho, em ilustres mal encarados! Pensemos, e para não ir mais longe, aqui em Portugal, em António Lobo Antunes e José Saramago... Não sou adepto da permanente concessão, da tolerância impávida perante o medíocre e da “alegre” convivência com o meio só porque dá mais jeito. Sei que não viveria mais feliz se assim navegasse nisto a que chamamos de sentido da vida.

At Domingo, 28 Agosto, 2005, DGP said...
Siddartha (versus Zaratustra)
(...)Mas eu penso que importante é apenas amar o mundo e não desprezá-lo, que o importante não é odiar-nos uns aos outros e sim, sermos capazes de ver o mundo, a nós próprios e a todos os seres com amor, admiração e respeito(...)
Siddartha
Hermann Hesse
Nem sempre se faz concessões porque dão mais jeito, às vezes é mesmo uma questão de respeito.

At Domingo, 28 Agosto, 2005, DGP said...
Desculpe, já estou a brincar. É claro, que também eu não me conformo com alguns erros que só servem a alguns poucos. Quando falo aqui esqueço-me que não me conhecem, e por isso tudo o que digo é levado á letra. Boa tarde!

At Domingo, 28 Agosto, 2005, pb said...
Ora essa!
O debate de ideias é sempre bom, portanto, não há nada a desculpar! Para além disso todos temos, de uma forma mais ou menos marcada, os dois lados versados nestes comments.
:-)

At Segunda-feira, 26 Setembro, 2005, Rostos said...
Pegando nesse livro de Nietzsche, que foi dos que mais me marcou na minha adolescência, e mais particularmente nas suas metamorfoses, trocaria os asnos por um daqueles camelos que carregam os fardos dos outros, apregoando que são feitos seus. Este livro é sem dúvida um dos maiores exercícos da mente humana. Perigosamente atractivo e demasiado poderoso, para entrar nele, e ficar lá muito tempo, sob o risco, de nos transformar irreversivelmente. Mas deixa lá, já havia asnos antes do Nietzsche, continua a haver após a sua morte, E há-de haver sempre até à extinção da consciência humana. Abraço.

pensamento nocturno (1)

O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Alberto Caeiro, O Mistério das Cousas

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

E nós por cá? (4)

The music that composers make can be heard through several media; the most traditional way is to hear it live, in the presence, or as one of, the musicians. Live music can also be broadcast over the radio or television.

(por cá acaba-se com as orquestras, com as companhias de bailado, programas de televisão não há, portanto resta-nos a rádio...)
4 Comments:
At Quarta-feira, 17 Agosto, 2005, joana araujo said...
ola stor!!! eu disse k um dia ainda comentava o seu blog,e aki tou eu! (como nao vinha aqui ha ja algum tempo, pk tou de ferias, ate me assustei com tantos posts) concordo com o estado de cultura em k se encontra o nosso pais... ainda no outro dia fui ver um concerto a espinho em k (no intervalo)iam assinar um protocolo entre a epme e a camara para a criaçao de uma orquestra de jovens.esse concerto era suposto ter começado as 21 e 30, mas como a senhora ministra da cultura foi assistir ao concerto este apenas começou as 22 e 30.(nao sei porque esperamos tanto tempo por pessoas k insistem em “cortar-nos as asas”)de quaquer modo e de salientar o ambiente hostil quando a senhora entrou acompanhada de guarda-costas:uns bateram palmas, outros experimentaram uns assobios, e outros apenas fizeram silencio.terao sido formas de protesto??? e pena k acabam com a cultura...afinal,o que somos nos sem cultura???

At Quarta-feira, 17 Agosto, 2005, pb said...
Olá Joana, respondendo à tua última pergunta, “o que somos nós sem cultura” à qual eu acrescentaria sem educação, somos isto mesmo, um jardim plantado à beira-mar de seu nome Portugal!

At Sexta-feira, 19 Agosto, 2005, t. said...
é revoltante
é cansativo
no nosso país a cultura é vista como o alfinete que se coloca no casaco
é giro,
fica “bem”
mas não se usa todos os dias
argh!!
um abraço

At Sexta-feira, 19 Agosto, 2005, sasfa said...
Boa esta imagem do alfinete na lapela! É exactmente isso! Serve para mostrar aos outros, para pôr em dias de festa, mas nada de sério em que valha a pena investir...

Atonality (7)

Dinâmicas, acentuação, articulação, e coloração estão indicadas com uma exactidão e detalhe sem precedentes; nada podia ser assumido fora do contexto; cada acontecimento ou aspecto de um acontecimento tem agora um significado novo e independente.

Eric Salzman, Twentieth-Century Music – An Introduction, 1988
(tradução de pb)

E nós por cá? (3)

(definição simples, pura e dura. gosto particularmente do fim, “vocação na qual o aprendiz participa”, muito bom mesmo...)

Vocational education (or Vocational Education and Training (VET)) prepares learners for careers or professions that are traditionally non-academic and directly related to a trade, occupation or ‘vocation’ in which the learner participates.

(... é caso para dizer e nós por cá? Como estamos de ensino vocacional? muito mal, como nunca vi...)
1 Comments:
At Sexta-feira, 19 Agosto, 2005, sasfa said...
No nosso dicionário “ensino vocacional” é: actividade secundária que se propõe dar bom ar e uma certa elevação às mentes dos futuros engenheiros, médicos e economistas.

Regresso (1)

Depois de um longo período parado o blogue Contemporâneas voltou, sem a possibilidade aberta aos comentários, mas voltou, que é o que me interessa! Fiquei contente, não gosto de ver blogues, os que realmente me interessam, a acabar, pois quer se queira quer não, vamos criando algumas dependências...