quarta-feira, 13 de junho de 2007

Novo ensino especializado da música (11)

É aqui que tudo continua a acontecer!
Destaco desde já isto:

(...) attendu qu’il peut être clairement démontré que l’éducation artistique permet de contribuer de manière significative à l’amélioration des performances des élèves pour les acquisitions des capacités de lecture, d’écriture et de calcul, et d’apporter les bénéfices susmentionnés sur le plan social et humain, nous invitons les gouvernements à accorder à l’éducation artistique une place centrale et permanente dans les programmes scolaires, un financement adapté et un personnel enseignant présentant les qualités et les compétences requises, à intégrer au cœur du processus d’apprentissage les partenariats entre écoles, artistes et organismes culturels, à enjoindre aux autorités responsables de l’éducation de prendre en compte la recherche dans les décisions concernant le financement et les programmes, et à définir de nouvelles normes pour l’évaluation de l’impact de l’éducation artistique (...)

Conferência Mundial sobre Educação Artística, Documento de trabalho referente à Europa


7463 partituras

Partituras em pdf, gratuitas, a notícia está aqui e o "local do crime" é aqui!
Chama-se International Music Score Library Project (the public domain music score library) e pelos vistos tem 7463 partituras para download!
Já dei uma vista de olhos, é obviamente generalista, mas não me parece mal...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

Artikulation

O André Ruiz enviou-me este video por email...

György Ligeti, Artikulation, 1958

Sonata Pateta (2)

A propósito do post anterior, Nívea Samovar diz, e muito bem, o seguinte:

"Eu não ousei dizer mas pensei o mesmo que essas senhoras de cabelo armado quando o Pollini tocou Stockhausen... Dizer que são "modernices" já mostra reconhecer alguma coisa ;-)Se calhar, para que o Eça deixasse de ser actual, era preciso apostar na música na formação de todos NO ENSINO GERAAAAAAAL... Então aquele imenso público que cantava com o Bob MacFerrin a Ave Maria de cor, debaixo de chuva, andou todo em conservatórios?? É verdade que muitos andaram, não porque quisessem ser músicos mas porque, na europa civilizada, fazer uma formação de conservatório faz parte da FORMAÇÃO GERAL das pessoas. Não é por acaso que MUITOS filhos de emigrantes que eu conheço aqui na Suíça andam no conservatório e tocam violino, piano ou flauta... coisa a que não teriam acesso nem muito menos lhes passaria pela cabeça o desejo se não tivessem saído de Portugal... São crianças que já foram educadas noutro contexto e os pais, a maioria com poucos estudos e não percebendo a mínima do que os filhos andam a fazer, investem e compram instrumentos! E vão levar os filhos às academias depois de vir das limpezas ou das obras... É obra, penso eu. E dão o devido valor a essa actividade, não é para entreter. É tão importante como o resto. Mas é obra da educação que envolve estas crianças, do meio onde vivem, do que lhes é mostrado na escola, do que vêem nos outros, das oportunidades criadas, da valorização dessa componente na formação geral de todos.Ora bolas! Que merda de país de onde é preciso sair para um operário e uma mulher a dias terem direito a ouvirem o filho tocar piano em casa! A irem ver os filhos, TODOS OS FINAIS DE ANO, sem excepção, cantar em coro na melhor casa de espectáculos da cidade, todas as escolas básicas e secundárias reunidas. A comprarem os cd's que cada classe de música produz anualmente nas escolas de ensino geral! Bolas. Estou farta de ouvir falar de Portugal. Não sei o que é preciso fazer, não sei se a culpa é sempre dos governantes, não sei o que andámos a fazer desde o 25 de Abril de 1974. Só sei que é uma tristeza continuarmos a criticar a ignorância e o faz de conta da senhorecas que vão aos concertos porque é de bom tom. Se a ESCOLA PÚBLICA E O ENSINO GERAL não formam público, daqui a duzentos anos estará tudo na mesma!"

Se calhar o sucesso e a importância do ensino artístico também passa por aqui!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Sonata Pateta

(...) E agora, para mais, ficara lá um homenzinho a fazer música clássica...
- É o meu amigo Cruges!
- Ah! é seu amigo? Pois olhe, devia-lhe ter dito que tocasse antes o «Pirolito».
- Vossa Excelência aflige-me com esse desdém pelos grandes mestres... Não quer que a vá acompanhar á carruagem? Paciência... Muito boa noite, Sr.ª D. Joana!... Um servo seu, senhora baronesa! E Deus lhe tire a sua dor de cabeça!
Ela voltou-se ainda no degrau, para o ameaçar risonhamente com o leque:
- Não seja impostor! O sr. Ega não acredita em Deus.
- Perdão... Que o Diabo lhe tire a sua dor de cabeça, senhora baronesa!
O velho democrata desaparecera discretamente. E da antessala Ega avistou logo ao fundo, no tablado, sobre um mocho muito baixo que lhe fazia roçar pelo chão as longas abas da casaca - o Cruges, com o nariz bicudo contra o caderno da Sonata, martelando sabiamente o teclado. Foi então subindo em pontas de pés pela coxia tapetada de vermelho, agora desafogada, quase vazia: um ar mais fresco circulava: as senhoras, cansadas, bocejavam por traz dos leques.
Parou junto de D. Maria da Cunha, apertada na mesma fila com todo um rancho intimo, a marquesa de Soutal, as duas Pedrosos, a Teresa Darque. E a boa D. Maria tocou-lhe logo no braço para saber quem era aquele músico de cabeleira.
- Um amigo meu, murmurou Ega. Um grande maestro, o Cruges.
O Cruges... O nome correu entre as senhoras, que o não conheciam. E era composição dele, aquela coisa triste?
- É de Beethoven, sr.ª D. Maria da Cunha, a «Sonata Patética».
Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da Sonata. E a marquesa de Soutal, muito séria, muito bela, cheirando devagar um frasquinho de sais, disse que era a «Sonata Pateta».
Por toda a bancada foi um rastilho de risos sufocados. A «Sonata Pateta»! Aquilo parecia divino!
Da extremidade o Vargas gordo, o das corridas, estendeu a face enorme, imberbe e cor de papoula:
- Muito bem, senhora marquesa, muito catita!

Eça de Queiroz, Os Maias



Da primeira leitura de "Os Maias" (ainda na escola, no meu 9º ano, princípio dos anos 80) ficou-me na memória esta hilariante passagem. Na altura a situação descrita nos Maias, tremendamente parecida com a realidade dos acontecimentos culturais da época e sua fauna, parecia-me totalmente real e nada ficcional. Portanto, de Eça para lá (no meu 9º ano) e de lá para cá nada parece ter mudado. Continuo a encontrar senhoras destas nos happenings portugueses.

domingo, 3 de junho de 2007

17 Peças para Guitarra

Apesar de não ser hábito meu utilizar este espaço para falar do meu trabalho...

(mais informação aqui)
17 Peças para Guitarra (Partitura e CD - Dezembro 2006)

As “17 Peças para Guitarra” são peças compostas em função das dificuldades dos jovens guitarristas, estando a maior parte delas naquilo a que se pode chamar de posições mais naturais – mi, lá e ré –, mas repletas de pequenas surpresas, como as alternâncias permanentes de dinâmica, um acorde dissonante num contexto inesperado ou uma métrica desfasada num compasso simples. Foram escritas em apenas alguns dias no ano de 1997, na sequência de um desafio lançado pelo Professor José Pina, o qual me despertou para uma área especialmente deficitária como é a da música portuguesa para a infância. Nesse sentido, é de destacar, e louvar, o papel do Centro de Estudos da Criança da Universidade do Minho, e em particular da Doutora Elisa Lessa, pelo empenho e coragem em preencher esta lacuna através do projecto Música para a infância: inventariação e estudo do repertório musical português.
Por fim, os meus agradecimentos ao Rui Gama pela ajuda na revisão técnica destas peças, bem como pela sua disponibilidade em gravá-las e à Cláudia Nelson, que esteve na origem de todo este processo ao retirar este manual de guitarra “da minha gaveta”.

playing bicycle

Na sequência da irreverência e invenção total de John Cage vejam este video que encontrei nas minhas VHS!
Frank Zappa nos primeiros passos da sua carreira.


(e este, é claro, vai para a Teresa ;-)

sábado, 2 de junho de 2007

Tudo o que nos acontece

Tudo o que nos acontece, tudo de que falamos ou nos é narrado, tudo quanto vemos com os nossos próprios olhos ou sai da nossa língua ou entra pelos nossos ouvidos, tudo aquilo a que assistimos (e por que, portanto, somos de certo modo responsáveis), há-de ter um destinatário fora de nós, e esse destinatário vai sendo seleccionado por nós em função do que acontece ou nos dizem ou então dizemos nós.

Javier Marías, Todas as Almas, 1989

quinta-feira, 31 de maio de 2007