terça-feira, 25 de abril de 2017
terça-feira, 18 de abril de 2017
Perguntámos a...
De que se fala quando falamos de música para crianças e
jovens?
Penso que
quando nos referimos a música para crianças ou jovens se fala necessariamente
de música de alta qualidade. As crianças absorvem tudo o se lhes dá e, por isso
mesmo, é nestas faixas etárias que se deve investir na mais alta qualidade
estético-musical. As crianças e os jovens não estão formatados para gostar de um
certo tipo ou estilo de música, nem reagem à música com nenhum tipo de
preconceito, e, como tal, acabam por conseguir, com relativa facilidade, ouvir
música com algum grau de complexidade ou executar obras destinadas às suas
características física e psicológicas sem problemas.
Porque é que um compositor escreve música para estas
faixas etárias?
Um
compositor escreve para estas faixas etárias antes de mais porque gosta, assim penso
eu, que escrevo com bastante frequência música para a infância. Aqueles que não
o fazem têm possivelmente um dos seguintes motivos: ou não escrevem música
infantil porque não apreciam o subgénero, ou, simplesmente, porque não o
conseguem fazer. Zoltan Kodally afirmava que ninguém deveria considerar-se demasiado
importante para escrever para crianças, e que, pelo contrário, deveríamos
tentar tornar-nos suficientemente bons para o fazer. Esta frase diz bastante do
que é colocar um compositor a escrever para um universo musical sem limites, de
histórias de encantar e desencantar, de sonhos bons e maus, de surpresas
permanentes, etc.
Quais as principais questões de natureza técnica,
artística/estética (ou outras) a que se pretende dar resposta?
Quando se escreve obras
musicais com vista à execução por crianças é necessário colocar em equilíbrio
dois aspectos fundamentais, por um lado alguma elementaridade técnica,
obviamente ajustada à idade e desenvolvimento musical da criança ou jovem, por
outro lado, um rigor estético sem qualquer margem de manobra ao facilitismo e à
banalidade do dejá vu. Temos ainda
uma situação complementar a esta que são as obras que directa ou indirectamente
versam o mundo infantil sem, no entanto, serem música para crianças
interpretarem. Evidentemente continuamos a falar de música para a infância, não
na perspectiva de executantes, mas sim, na de ouvinte. Basta lembramo-nos do
conto musical “Pedro e Lobo” de Sergei Prokofiev para percebermos ao que me
refiro. É música para crianças, mas não é para estas a tocarem, serve
essencialmente o propósito o usufruto de quem a recebe. Seja qual for o papel a
que o compositor é sujeito, a de escrever música para crianças tocarem ou para
as crianças receberem, de uma coisa estou certo: no sentido, puro e simples, do
estético e do “belo musical” o compositor não deve ter limites quando se dedica
à música para a infância uma vez que para estas tudo pode ser válido e bom
musicalmente. Para uma criança é igualmente interessante ouvir uma guitarra
acústica a tocar uns acordes, um cluster
num piano, um glissando numa harpa, o
sussurrar de um coro, um rufar de tambor, e/ou, em alternativa, sobreposição ou
alternância, uma ressonância amplificada de uma porta a bater com força, um som
sintético, o barulho de um motor de um barco ou o som de uma corneta de
plástico. A responsabilidade de fazer com que esta parafernália de
“instrumentos musicais” se tornem música para a infância é sempre, em última
análise, do compositor adulto, organizador da matéria e discurso sonoro, que,
da melhor forma, tenta entrar no universo e imaginário ilimitado do ouvir dos
mais pequenos. As crianças só são mais pequenas do que os adultos, não têm, por
serem crianças, um gosto diminuto quando comparado com os adultos. Até pelo
contrário...
Paulo Bastos
APEMNEWS JUN JULH 2013
segunda-feira, 17 de abril de 2017
sexta-feira, 14 de abril de 2017
para não sufocar
Todo o tempo perdido
para não me perder
para não sufocar
Poderei ainda
reconhecer
atrás das pálpebras
a intacta ferida?
António Ramos Rosa
para não me perder
para não sufocar
Poderei ainda
reconhecer
atrás das pálpebras
a intacta ferida?
António Ramos Rosa
L'effetto Ensemble
Música em São Roque aposta no repertório português
Dia 25 de Outubro de 2015 às 16:30 - ESTREIA da Canção de declínio nº 1 da minha obra "Cinco indícios de ouro" sobre poemas de Mário Sá-Carneiro para soprano e guitarra interpretadas por L'effetto Ensemble, Dora Rodrigues e Rui Gama.
“A minha alma é água fria”
“A minha alma é água fria” como escreveu Mário Sá-Carneiro...
É o pior dos sentimentos que me devassa quando penso no que aconteceu em Esposende. Quem acompanhou os últimos meses sabe o que Carlos Pinto da Costa e Helena Isabel Venda Lima lutaram para a manutenção dos projectos de que eram fundadores, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende (CPCE) e o Coro Ars Vocalis. A qualidade destes grupos, particularmente o que eu conhecia bem, o do CPCE, dava que falar já há alguns anos e o mérito reconhecido de todos os seus elementos era ímpar. Agora, devido à mesquinhez de quem vê pouco e nada enxerga para lá do seu umbigo, os projectos acabam, assim, só porque sim, porque é bom para alguns ver mal os outros. Mas os outros são muitos, são os elementos do coro e as suas famílias primeiramente, são os compositores que com eles orgulhosamente trabalhavam, são em última análise os responsáveis pelos projectos, a Helena, o Carlos, o Diogo, etc. O CPCE ia estrear em novembro uma obra minha no encerramento do Encontro Nacional da APEM na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa... Já não vai! Os responsáveis (Zendensino entre outros) devem estar muito felizes por terem destruído, assim de uma penada, o trabalho e o valor destes jovens. Ainda assim, espero que durmam mal e que o vento vos traga de volta todo o mal que desejam aos outros. A ignorância é o maior inimigo do homem principalmente quando aliada à malvadez e mesquinhez.
É o pior dos sentimentos que me devassa quando penso no que aconteceu em Esposende. Quem acompanhou os últimos meses sabe o que Carlos Pinto da Costa e Helena Isabel Venda Lima lutaram para a manutenção dos projectos de que eram fundadores, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende (CPCE) e o Coro Ars Vocalis. A qualidade destes grupos, particularmente o que eu conhecia bem, o do CPCE, dava que falar já há alguns anos e o mérito reconhecido de todos os seus elementos era ímpar. Agora, devido à mesquinhez de quem vê pouco e nada enxerga para lá do seu umbigo, os projectos acabam, assim, só porque sim, porque é bom para alguns ver mal os outros. Mas os outros são muitos, são os elementos do coro e as suas famílias primeiramente, são os compositores que com eles orgulhosamente trabalhavam, são em última análise os responsáveis pelos projectos, a Helena, o Carlos, o Diogo, etc. O CPCE ia estrear em novembro uma obra minha no encerramento do Encontro Nacional da APEM na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa... Já não vai! Os responsáveis (Zendensino entre outros) devem estar muito felizes por terem destruído, assim de uma penada, o trabalho e o valor destes jovens. Ainda assim, espero que durmam mal e que o vento vos traga de volta todo o mal que desejam aos outros. A ignorância é o maior inimigo do homem principalmente quando aliada à malvadez e mesquinhez.
terça-feira, 11 de abril de 2017
ao meu amigo Paulo Mesquita
A propósito do grande concerto de ontem deixo um pequeno texto que escrevi há tempos. Resume, de alguma forma, o que se ouviu ontem na Casa da Música ao fim da tarde: A música de Paulo Mesquita tem como contorno essencial a sua visão total do acto da performance, através de todos os parâmetros essenciais do som, começando pelo timbre total do instrumento (piano, guitarra, entre outros), passando por uma exploração rítmica de grande subtileza até à qualidade e consciência harmónica das suas démarche cadenciais de clara sonoridade urbana. No primeiro cd de Paulo Mesquita, “Piano Harp and Percussion”, ouvimos, porventura, o seu som mais original onde este explora abertamente o piano na sua perspectiva mais ampla, ou seja, nas suas cores como instrumento de teclado, de cordas e de percussão, ou, nas suas próprias palavras, “na endogenia das ressonâncias, dos harmónicos dos travejamentos e madeiras”. Para além do cd supracitado, nos seus vários trabalhos encontram-se dois cd’s de piano solo já terminados, música para bandas sonoras, bailados, teatro, entre outras experiências performativas. A generalidade da sua música revela, não só a formação clássica do pianista, o seu gosto pelo jazz, a sua experiência na manipulação de loops em tempo real, mas também, e principalmente, o requinte de execução instrumental percorrido em linha recta, a uma velocidade estonteante, entre o seu gosto eclético e o gesto musical propriamente dito. Paulo Mesquita, fora dos rótulos e circuitos tantas vezes sofríveis do mediatismo do meio musical, é ele próprio música!
(facebook | 1 de Outubro de 2014 | Foto: Lauren Maganete)
E A M J
La ignorancia y la amnesia son el fin de toda civilización, ya que sin educación no hay arte y sin memoria no hay justicia.
Jordi Savall
bastava fazer umas "flores" bem feitas
"Para ensinar bem é preciso saber bem o que se vai ensinar"
Nuno Crato
Inacreditável, andei anos e anos da minha vida como professor a pensar que esta premissa era verdade. Entretanto fui ficando convencido do contrário, que nem sequer era importante saber alguma coisa do que se ia ensinar, e que bastava fazer umas "flores" bem feitas, andar nas escolas com ar de quem sabe o está a fazer, e colocar-se ao lado dos mandantes com um ar sorridente e patético. Agora vem este senhor da pedagogia moderna confundir-me...
segunda-feira, 10 de abril de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
ab origine
20 anos depois de escrita, 1996, "Ab origine" para piano será uma das
peças portuguesas na prova final da categoria júnior do Concurso Olga
Prats. Trata-se, já posso dizer, de uma obra da juventude...
A circulação desta obra de que tenho conhecimento é esta:
Estreia: 26, maio, 1996, Luís Serdoura, 3ªs Jornadas de Arte Contemporânea do Porto, Auditório da AICCOPN, Porto;
2ª: 1996, Catarina Cameira, Salão da Escola Superior de Música do Porto, Porto;
3ª: 10, outubro, 2003, Patrícia Sousa, Auditório da Ordem dos Médicos, Porto;
4ª: 19, setembro, 2009, Domingos Costa, Ciclo de concertos “Pianistas Bracarenses”, Auditório do Museu D. Diogo de Sousa, Braga;
5ª: 7, março, 2015, Domingos Costa, Musikalische Lesung mit Gedichten von Fernando Pessoa mit Christoph Plum und Domingos Costa
Vorstadttheater Tübingen na Alemanha;
6ª: 22, março, 2015, Domingos Costa, with Norbert Goerlich, Stuttgart.
A circulação desta obra de que tenho conhecimento é esta:
Estreia: 26, maio, 1996, Luís Serdoura, 3ªs Jornadas de Arte Contemporânea do Porto, Auditório da AICCOPN, Porto;
2ª: 1996, Catarina Cameira, Salão da Escola Superior de Música do Porto, Porto;
3ª: 10, outubro, 2003, Patrícia Sousa, Auditório da Ordem dos Médicos, Porto;
4ª: 19, setembro, 2009, Domingos Costa, Ciclo de concertos “Pianistas Bracarenses”, Auditório do Museu D. Diogo de Sousa, Braga;
5ª: 7, março, 2015, Domingos Costa, Musikalische Lesung mit Gedichten von Fernando Pessoa mit Christoph Plum und Domingos Costa
Vorstadttheater Tübingen na Alemanha;
6ª: 22, março, 2015, Domingos Costa, with Norbert Goerlich, Stuttgart.
(facebook | 8 de Novembro de 2016)
Konpensan
Estou a ver uma coisa que deu ontem na RTP 1 às 2 da manhã... 1º
concerto de natal da RTP 1 em Guimarães, ainda relacionado com muita da
"música" do famigerado ano de 2012. Quem vir aquilo pode ficar a pensar
que para dirigir uma orquestra basta ter uns tiques esquisitos e fazer
uns trejeitos, para cantar basta dizer umas coisitas em bad english e
desafinar quanto baste, e que para tocar basta que paguem uns trocos.
Já vi dois senhores a cantar que são um espanto... O coro das crianças
também é giro, pelo menos fazem muitos gestos! Agora está a cantar uma
senhora que precisa de tomar um Konpensan, está mesmo muito enjoada.
Também se abana muito, vá lá, deve ser o síndrome vertiginoso. Agora
sim, um velho êxito dos anos oitenta, dos Wham, "Last Christmas"! São
milhares de pessoas a assistir, é a loucura! Acho que não é impressão
minha, há lá gente a evitar as câmaras... Alto, o maestro 'frizou'!!!
Estou pasmo perante tanta erudição, "pele de galinha" e qualidade. Viva a
Rádio Televisão Portuguesa!
(facebook | 27 de Dezembro de 2014)
(facebook | 27 de Dezembro de 2014)
É tempo de Natal
Ontem à noite assisti e “participei” com uma pequena intervenção no lançamento de segundo CD do Coro de Pequenos Cantores de Esposende (CPCE) – “É tempo de Natal”. Tive a oportunidade de assistir a um concerto de Natal que jamais me sairá da memória pela autenticidade e qualidade do seu repertório, pela apresentação rigorosa e profissional do CPCE, e acima de tudo, pela excelente interpretação musical de um cd inteiro, ao vivo, sem rede, e sem floreios de entretenimento fácil. Na igreja Matriz de Esposende não havia uma palmo de espaço livre, nem sentado nem sequer de pé! Foi com um orgulho reforçado que pela primeira vez fiz parte integrante, com uma obra minha a 3 vozes à cappella, de um projecto deste maravilhoso agrupamento.
Queria deixar aqui os meus parabéns e agradecimento a todos, à Carolina Ferreira pela ilustração da capa do cd, ao Gustavo Almeida pela qualidade técnica da gravação, ao André Silva pela percussão, ao Diogo Zãopela prestação sempre seguríssima no piano e órgão, à D. Celeste pelo apoio permanente, ao Osvaldo Fernandes pela qualidade das suas obras, à Câmara Municipal de Esposende, à Antena 2 pelo programa e publicidade ao CD, à Escola de Música de Esposende por ter feito nascer um grupo deste nível, ao Carlos Pinto da Costa pela assistência musical, permanente apoio e dedicação ao projecto, à maestrina e diretora Musical do CPCE, Helena Venda Lima, por tudo, e claro, a todos os elementos do CPCE sem excepção.
O CD “É tempo de Natal” – dá a ouvir, numa obra de grande valor educativo, artístico e estético, música de compositores portugueses todos nascidos no século XX, respectivamente, Osvaldo Fernandes, Paulo Bastos, Croner de Vasconcelos, Fernando Lopes-Graça e Frederico de Freitas.
(facebook | 17 de Dezembro de 2014)
“Cinco Indícios de ouro”
Escrevi o ciclo de canções “Cinco Indícios de ouro” para soprano e guitarra no início de 2012. Ao escolher cinco dos últimos poemas de Mário Sá-Carneiro, escritos entre 1913 e 1915, fiz aquilo que me parecia mais inspirador na recriação da atmosfera inebriante, intimista e dramática do poeta que mais li enquanto muito jovem. O caderno de poesia “Indícios de ouro” do poeta serviu-me o propósito de uma nova leitura (cerca de 30 anos depois) e, em 2012, de uma escolha para a sua transfiguração em música. Foi o que tentei fazer ao “pegar” em cinco dos poemas deste requintado caderno de Mário Sá-Carneiro, respectivamente e por este ordem, “Vislumbre”, “Anto”, “Canção de declínio nº 1”, “Canção de declínio nº 7” e “Campainhada”. A seleção apresentada foi escolhida pelas suas palavras transbordantes de interioridade emocional, pelo conflito expresso nestes poemas de carácter aforístico, e finalmente, pela força e hiperbolização extasiante do seu som.
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