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terça-feira, 23 de julho de 2019
domingo, 9 de abril de 2017
"fatalidade do lugar de enunciação"
É assim que me sinto, todos os dias, todas as horas, e há tantos anos. Tanto sítio no mundo para onde poderia ter ido e ficar, e logo havia de ser neste pardieiro que tinha que me deixar ficar...
"fatalidade do lugar de enunciação" | por António Pinho Vargas no facebook em 2012
"fatalidade do lugar de enunciação" | por António Pinho Vargas no facebook em 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2017
castradores e desabilitados
O que não se pode é colocar intermediários castradores e desabilitados (não me refiro a habilitação académica, mas sim, aos que vivem felizes sem o mínimo de saberes culturais) a organizar programas culturais de instituições, programas mal conduzidos, ou, até, in extremis, a gerir a própria cultura.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
entre o Musical e o amusical
(parabéns José Diogo, Francisco, Júlia e Pedro)
relembrando um parágrafo final de um texto que escrevi em 2012.
relembrando um parágrafo final de um texto que escrevi em 2012.
ele há coisas que nunca se
escondem, e a maior é, sem dúvida, a ignorância. A minha questão fundamental em
relação à música, quer seja ela a portuguesa ou outra, é sempre a mesma e
contradiz o espírito das regras “sociais” e democráticas, é aquela que banaliza
a célebre frase de que “o gosto não se discute”! Discute, pois. E,
concretamente, o gosto musical discute-se e educa-se. Só é pena é que já
ninguém esteja para isso, nem para educar nem para ser educado.
in “sobre a ausência de
gosto musical”
texto integral em http://tonicadominante.blogspot.pt/2012/06/sobre-ausencia-de-gosto-musical_8240.html
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Confusão, decidam-se!
"Para ensinar bem é preciso saber bem o que se vai ensinar"
Nuno Crato
Inacreditável, andei anos e anos da minha vida como professor a pensar que este premissa era verdade. Entretanto fui ficando convencido do contrário, que nem sequer era importante saber alguma coisa do que se ia ensinar, e que bastava fazer umas "flores" bem feitas, andar nas escolas com ar de quem sabe o está a fazer, e colocar-se ao lado dos mandantes com um ar sorridente e patético.
Agora vem este senhor da pedagogia moderna confundir-me...
domingo, 4 de maio de 2014
Tónica Dominante fez 9 anos em 19 de Março!
Para quem ainda se lembra…
começou em 2005, já lá vão 9 anos!
O que eu passei para manter isto online, ninguém imagina. A censura sempre existiu, antes e depois do 25 de abril. Na altura em que escrevia muita coisa sobre o ensino especializado da música tinha visitas diárias de "bufos" que imediatamente colocavam a par os que tinham o poder de me excluir, de me espezinhar o quanto pudessem, agiam de forma organizada na sua mediocridade e mesquinhez.
agradecimento de uns versus "não fazes mais do que a tua obrigação" de outros
Ora aqui está!
Um agradecimento formal de uma fundação em Basel ao Kla-Vier Duo pela estreia nacional de uma obra de Morton Feldman, "Work for two pianists".
Foi um momento musical mágico no Auditório Adelina Caravana em Braga com casa praticamente vazia.
Se tivesse havido uma salva de morteiros, antes ou durante o concerto, possivelmente estaria mais gente.
Assunto: AW: for Ms Patricia Ventura, Ms Sonia Amaral - Work for two pianists on behalf of Dr Felix Meyer | Morton Feldman Collection - unpublished work
Dear Ms Ventura, dear Ms Amaral
Thank you very much indeed for the recording of your feldman performance of March 26. I look forward to listening to it and can assure you that it was a Portuguese first performance.
Yours sincerely
Felix Meyer
PAUL SACHER STIFTUNG
PAUL SACHER FOUNDATION
Dr Felix Meyer, Director
Münsterplatz 4
CH - 4051 Basel
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!
“Como toda a gente sabe, vendo opiniões.” Transformou-se numa das pessoas mais influentes, e, nesse sentido, poderosas, em Portugal. É uma coisa em que pensa?Nada. Vivo num buraco. Não faço vida social. Não ando nos salões. Nem poderia escrever o que escrevo se o fizesse. Tomei o compromisso de não ceder a ser simpática com pessoas que não valem um pataco. Fazer esse tipo de vida obrigar-me-ia a compromissos numa zona onde não me quero comprometer. Também sou punida por isso, mas foi o que escolhi. Dou-me com muito pouca gente. Amigos íntimos que são uma espécie de família, e que me põem no meu lugar porque não acham que sou poderosa. Nunca fiz nada para ter poder, não quero ter poder, não me interessa nada o poder. O único poder que gostava de ter, e que não tenho, era o de disciplinar a minha vontade. Sou extraordinariamente disciplinada, mas não o suficiente. É de mim para mim. O segundo poder que gostava de ter era o de me conhecer melhor. “Conhece-te a ti mesmo”, como dizia Sócrates. Não conheço."Clara Ferreira Alves
A primeira coisa que me lembrei quando li esta parte do texto de Clara Ferreira Alves foi de um conto que li, ainda muito jovem, demasiado jovem talvez, "O Covil" de Franz Kafka. Aquilo que este conto incompleto, descrevia era o de uma criatura não definida de forma clara que vivia dentro de uma toca, um covil, e, de quando em vez, espreitava cá fora recolhendo-se rapidamente, um livro muito metafórico, inesquecível. Li este e outros livros do género demasiado novo, talvez aí com uns 13, 14 anos. Só de Kafka li, num ápice, nesses anos, não necessariamente nesta ordem, O processo, A metamorfose, O Castelo, Amerika, Carta ao pai e os Contos todos. Mas a verdade é que, independentemente da tenra idade com que devorei estes livros e muitos outros de Herman Hesse, Milan Kundera (todos), Eça de Queirós, Jorge Amado, entre muitos outro escritores que não me apetece enumerar agora, essas obras fazem parte da minha vida, ou como diz Clara Ferreira Alves noutro momento deste artigo, reflectem instrução, logo, a minha vida interior. Não vivo na margem sul com 4 ou 5 livros, mas também não tenho um enorme casarão cheio de enormes vazios, vivo em Braga, cidade pequena, mas com uma vivência de sempre cheia de livros e outras coisas boas.
Ainda que nada disto diga nada vezes nada a ninguém é assim que me devo posicionar, como um tipo que claramente não pretende nada mais do que o que tem.
Que se lixem os Relvas deste "nobre" e podre país que somos!
Como dizia o poeta, os Relvas usam CEROULAS DE MALHA, cheiram MAL DA BOCA, são uns SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!
Pim!
segunda-feira, 8 de abril de 2013
RESISTIR É VENCER
Canto Dos Torna-Viagem
Foi no sulco da viagem
Já sem armas nem bagagem
Nem os brazões da equipagem
Foi ao voltar
Pátria moratória
No coração da história
Que consumiste a glória
Num jantar
Foi como se Portugal
P’ra bem e p’ra seu mal
Andasse em busca dum final
P’ra começar
Ávida violência
Reverso da inocência
Sal da inconsciência
Que há no mar
Império tão pequenino
De portulano caprino
Bolsos de sina e de sino
Em cada mão
Pátria imaginária
De consistência vária
Afirmação diária
Do teu não
As malas do portugueses
São como os olhos das rezes
Que se mastigam três vezes
Em cada chão
Cândida ignorância
Grande desimportância
Os frutos da errância
Já lá estão
Melodia 2
Ai Senhora dos Navegantes me valei
De África, do sal e do mar só eu sobrei
Foi p’ra me encontrar que amanhã já me perdi
Longe vai o tempo que eu já não estou aqui
Ai Senhora dos Talvez-Muitos-Mais- Sinais
Socorrei estes desperdícios coloniais
Foi na noite fria que o dia me cegou
Inda agora fui, inda agora cá não estou
Ai Senhora dos Esquecidos me lembrai
O caminho que p’ra lá vem e p’ra cá vai
Etecetera e tal, Portugal é nós no mar
Inda agora vim e estou longe de chegar
Ai Senhora dos Meus Iguais que eu subtraí
Foi pataca mim e não foi pataca a ti
Se é tão grande a alma na palma do meu ser
Algum dia eu vou finalmente acontecer
Melodia 3
Porque não tentar outro ponto de vista
A história dos outros quem a contará
Se qualquer colónia sem colonialista
São os que já estavam lá
Tentemos então ver a coisa ao contrário
Do ponto de vista de quem não chegou
Pois se eu fosse um preto chamado Zé Mário
Eu não era quem eu sou
Os navegadores chegaram cá a casa
E foi tudo novo p’ra eles e p’ra mim
A cruz e a espada e os olhos em brasa
Porque me trataste assim?
Não é culpa nossa se quem p’ra cá veio
Não se incomodou ao saber do horror
A história não olha a quem fica no meio
E o que foi é de quem for
letra e música de José Mário Branco
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O desembaraçado, o opinioso e o consequente analfabetismo musical português
(...) Segundo Manuel Pedro Ferreira, “para mal dos
nossos pecados a necessidade de habitar um terreno musical próprio tem sido
reconhecida por muito poucos”. No momento de encontrar responsáveis o autor
recorre a figuras de retórica: “Os principais responsáveis por essa falta de
reconhecimento têm sido, segundo julgo, a tacanhez e o snobismo, qualidades que
vejo representadas, na minha galeria de tipos sociais, pelas figuras do desembaraçado
e do opinioso. [...] Para o desembaraçado, a música pode bem viver numa tenda,
desmontável à mínima tempestade orçamental. Para o opinioso, a boa arquitectura
sonora nasce das recensões fonográficas e dos escritórios dos agentes e
prescinde de alicerces. Ambos acham que os verdadeiros compositores são
super-homens cujo génio se manifesta independentemente das condições de
aprendizagem e exercício do seu ofício, ignorando que o desabrochar criativo
exige estímulos sociais e um diálogo permanente, através dos executantes com o
resultado sonoro” (Ferreira, 2007: 16).
Ferreira considera que “a comparação com a vida
musical de outros países europeus, conjugada com uma maior preparação técnica e
teórica dos organizadores musicais, possa vir num futuro próximo a sapar a
tradicional influência do snobismo e da tacanhez nacionais. Tal expectativa não
impede que essa influência tenha marcado de forma extremamente negativa o
século findo” (ibid.). Chegando a conclusões relativamente próximas, Paulo
Ferreira de Castro tinha afirmado na sessão comemorativa do Dia Mundial da
Música em 1991: “Confrontemo-nos de uma vez por todas com esta realidade brutal
e incompreensível num país que é parte integrante da Comunidade Europeia: a
esmagadora maioria da população portuguesa é absolutamente analfabeta em
matéria de música, porque o sistema escolar português é praticamente omisso em
matéria de formação geral nesta área”. Mais adiante: “O público português,
sobretudo o lisboeta – ou pelo menos uma parte significativa dele – é
seguramente o mais snob e ao mesmo tempo o mais ignorante da Europa”. E
prossegue: “Portugal tem, apesar de tudo, uma cultura musical antiga – quase
completamente desconhecida, aliás, do cidadão comum – [...] mas – e o facto
constitui motivo de verdadeira vergonha nacional – talvez nenhum outro país da
Europa preste tão pouca atenção à conservação e valorização do seu património
musical. Com excepção de algumas iniciativas da Fundação Calouste Gulbenkian, e
outras pontuais, da Divisão de Música da Direcção Geral da Acção Cultural
(nomeadamente da publicação aliás muito irregular de discos consagrados à
música portuguesa) e do Departamento de Musicologia do Instituto Português do
Património Cultural, muito pouco se tem feito no sentido de divulgar a herança
musical no nosso país, e mesmo o investigador especializado esbarra em
múltiplas dificuldades na tentativa de aprofundar o conhecimento desse sector
fundamental da cultura portuguesa” (Castro, 1991).
Quanto mais se avança nesta direcção mais facilmente
se chega a zonas profundas da sociedade portuguesa. Nos textos que acabamos de
ver, no momento em que se trata de apontar os responsáveis recorre-se
normalmente ao défice estrutural ou a figuras de retórica, evitando, deste
modo, a identificação explícita de responsáveis directos e uma análise de
práticas institucionais concretas. Paulo Ferreira de Castro aponta
responsabilidades genéricas ao analfabetismo musical do público, ao snobismo
lisboeta e à insuficiente acção dos organismos oficiais, e a interpretação de
Manuel Pedro Ferreira não identifica com total clareza os responsáveis da falta
de reconhecimento: “a situação do compositor em Portugal está, de resto, ligada
ao tratamento de que a Música em geral tem sido objecto, até há pouco, por
parte das instituições do Estado” (Ferreira, 2007: 14). Onde está a raiz deste
conjunto de problemas?
Nós – a
tacanhez – e os outros, in MÚSICA E
PODER – Para uma sociologia da ausência da música portuguesa no contexto
europeu de António Pinho Vargas
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