Mostrar mensagens com a etiqueta CdM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CdM. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de abril de 2017

ao meu amigo Paulo Mesquita

A propósito do grande concerto de ontem deixo um pequeno texto que escrevi há tempos. Resume, de alguma forma, o que se ouviu ontem na Casa da Música ao fim da tarde: A música de Paulo Mesquita tem como contorno essencial a sua visão total do acto da performance, através de todos os parâmetros essenciais do som, começando pelo timbre total do instrumento (piano, guitarra, entre outros), passando por uma exploração rítmica de grande subtileza até à qualidade e consciência harmónica das suas démarche cadenciais de clara sonoridade urbana. No primeiro cd de Paulo Mesquita, “Piano Harp and Percussion”, ouvimos, porventura, o seu som mais original onde este explora abertamente o piano na sua perspectiva mais ampla, ou seja, nas suas cores como instrumento de teclado, de cordas e de percussão, ou, nas suas próprias palavras, “na endogenia das ressonâncias, dos harmónicos dos travejamentos e madeiras”. Para além do cd supracitado, nos seus vários trabalhos encontram-se dois cd’s de piano solo já terminados, música para bandas sonoras, bailados, teatro, entre outras experiências performativas. A generalidade da sua música revela, não só a formação clássica do pianista, o seu gosto pelo jazz, a sua experiência na manipulação de loops em tempo real, mas também, e principalmente, o requinte de execução instrumental percorrido em linha recta, a uma velocidade estonteante, entre o seu gosto eclético e o gesto musical propriamente dito. Paulo Mesquita, fora dos rótulos e circuitos tantas vezes sofríveis do mediatismo do meio musical, é ele próprio música!


(facebook | 1 de Outubro de 2014Foto: Lauren Maganete)

terça-feira, 19 de junho de 2012

comentários no facebook com APV a propósito de" Six Portraits of Pain"


Post de António Pinho Vargas que deu origem aos comentários:
o desejo secreto do compositor é poder chegar ao ponto de imaginar que com a sua obra, ou algumas delas, terá mudado a vida de, pelo menos, algumas pessoas. Neste caso posso afirmar que a peça Six Portraits of Pain mudou a minha. A partir d...esse momento milagroso e inexplicável não foram poucas as vezes em que recorri à lembrança da sua estreia para tentar afastar as angústias e as dúvidas da criação: "lembra-te que foste capaz de compor aquela peça". Comparado com isto, com a possibilidade de ter sentido algumas vezes esta exaltação solitária, o facto de o disco ser quase impossível de encontrar, de a música portuguesa em geral ser menosprezada ou desconhecida, mesmo em Portugal, acaba por ter uma menor importância, nem que seja por breves momentos.
__________________________
Comentários:
Paulo Bastos Fantástica obra... o que eu gostava de assim escrever! A melodia é sempre o ponto mais evidente numa depuração controlada e sofrida. Adorei, parabéns!
__________________________
26/3 às 18:54 · GostoNão gosto · 2
Gonçalo Gato Eu tenho o disco! Estou consigo na sua luta. 1 abç
26/3 às 18:57 · GostoNão gosto · 1
__________________________
António Pinho Vargas Caro Paulo Bastos, muito obrigado. E mantemos um contacto por interpostas pessoas - alunos seus que vêm de Braga estudar comigo e com outros colegas em Lisboa, sempre muito bons, há vários anos. Não é por acaso. Parabéns e obrigado. Tem razao. É a melodia que conduz tudo.
26/3 às 18:58 · Não gostoGosto · 1
__________________________
Paulo Bastos Um sustentação melódica quase Mahleriana. Eu não tenho o disco...
26/3 às 18:58 · GostoNão gosto · 2
__________________________
Paulo Bastos Obrigado pelas suas palavras APV!
26/3 às 19:00 · GostoNão gosto · 1
__________________________
António Pinho Vargas A minha (ou nossa luta) não tem nenhuma hipótese. Estudei o assunto da ausência, desmontei-lhe os mecanismos de poder e os discursos, mas um livro é um livro, é um livro, é um livro, como diria Godard. Não muda o mundo nem pouco mais ou menos. Trouxe alguma consciencia do facto a algumas pessoas - várias - "estávamos todos enganados" disse Sérgio Azevedo, "o seu livro transformou a ausência num monumento" disse-me Nuno Corte-Real. É importante mas não irá mudar dispositivos de poder seculares ou fortemente enraizados. Monumento será esta peça, talvez. Mas foi tocada em 2005, 2006 na Casa da Música, e pela Utópica em 2011. 3 vezes em 7 anos e meio. Uma peça que um director do Serviço de Música da Gulbenkian me disse ser "uma grande peça de música, repare que não digo de música contemporânea, digo de música". Mas lá não foi... A minha tese talvez explique porquê. É isso. Serve para explicar algumas coisas mas não é suficiente para as mudar.
26/3 às 19:10 · Não gostoGosto · 7
__________________________
Paulo Bastos No que à música diz respeito sou, francamente, um pessimista. Nada vejo de positivo no atual estado das coisas desde a cultura à educação. Penso mesmo que a parolice reinante é aquilo que, infelizmente, somos. Muitas vezes, sinto-me completamente só, e chego a pensar que eu é que estou errado... os tais intermediários são os que manipulam, os que fazem prescrever o objeto estético de qualidade, os que tudo fazem para a manutenção do gosto brejeiro. Há já alguns anos que sinto isto e penso que, hoje, nada há já para fazer. Ainda assim, penso que hei-de sempre escrever música, é mesmo uma necessidade estrutural, sem a qual nada fazia sentido.
26/3 às 19:24 · GostoNão gosto · 5
__________________________
CarlotaFranco Cppinto Muito densa e bonita! Gostei muito! Obrg, por nos dar a ouvir tão boa música. Linda a sonoridade do violoncelo. E o(s) texto(s) que aparecem de Manuel Gusmão, foram inspiração para... ou surgiram depois da composção? Desculpe a minha ignorância. Um abraço.
26/3 às 19:33 · GostoNão gosto · 3
__________________________
António Pinho Vargas Cara CarlotaFranco Cppinto, cada andamento, cada um dos 6 retratos, desta peça tem um poema ou um texto de Deleuze/Espinoza, Paul Celan, Manuel Gusmão (2), Thomas Bernhard, Anna Akhmatova. Enquanto compunha a ideia de retratos de dor ou da dor - daí ser em inglês o que me dispensou desta diferença - relativos a vários tipos de sofrimento humano, foram aparecendo à medida que ia compondo: por exemplo, o texto de Deleuze no início da peça é: "Espinosa conservava o casaco rasgado pela faca assassina para se lembrar que o pensamento nem sempre é amado pelos homens". Na peça apenas o de Anna Akhmatova é ouvido - lancinante - gravado e lido por mim - mesmo antes de começar a segunda parte da peça que está neste video. Os outros, estão escritos na partitura, os músicos são convidados a lê-los, mas não são ouvidos. Que afectaram o compositor fortemente enquanto trabalhava nem se pergunta: marcaram o carácter da peça de forma indelével.
26/3 às 21:00 · GostoNão gosto · 6
__________________________
António Pinho Vargas Sabem uma coisa: num romance de Vergílio Ferreira, há um personagem amigo do principal que é pintor e a certa altura lhe diz: "às vezes, no meu delírio, até penso que o que faço é bom". Pois bem. Neste caso, no meu delírio (seguramente), até penso que esta peça é das melhores que já ouvi nos últimos 50 anos, ou talvez mesmo, 100. Já não ouvia esta gravação há uns largos meses ou anos. Hoje, como fiz este video, já vou na quarta ou quinta vez!. Ah, grande convencido que és - no teu delírio - mas que posso fazer? Encanta-me, comove-me, sei lá... Sou um ser humano e tenho defeitos como este. Como disse no início o meu amigo Paulo Bastos, é fantástica esta obra (julgo, no meu delírio).
26/3 às 23:32 · Não gostoGosto · 4

Pierre-Laurent Aimard na Casa da Música



Já foi há algum tempo, mas quem não ouviu...
Ontem assisti a um fenomenal concerto de um grande pianista francês. Tocou um dos melhores programas que eu já pude ver e ouvir. E não se trata de gostar ou não das obras ou compositores aí interpretados. É, aliás, bem mais do que isso! Trata-se de um fio condutor que só um pianista do mais alto nível poderia propor a um público. Para iniciar, algumas das peças dos “Játékok” (jogos) de Kurtág, que, de um só gesto, deslizam (numa espécie de “glissement” françes) para Schumman, op 99, e voltam a deslizar para “Splinters”, op 6d, também do mestre húngaro. No momento seguinte, o último Liszt, que vai preparar definitivamente, nomeadamente com “Les jeux d’eau” a la Villa d’Este, a segunda parte, o segundo caderno de prelúdios de Debussy. O fio condutor referido é a total unidade de uma linguagem musical aparentemente diversa, mas que está unida pelas escolhas de um pianista muito inteligente, que reuniu a intensidade de uma série de miniaturas musicais, em vez de pesadas e longas obras, que decidiu, sem hesitar, tocar duas partes seguidas, sem aplausos e a seu pedido expresso, que me deu a maravilhosa sensação de fazer ouvir uma nota em vez de muitas.
De assinalar dois aspetos negativos do concerto, por uma lado um piano que rangeu o concerto todo com uma altura, vulgo nota, que aparecia sempre que o pianista retirava o pedal. Enfim, não sei o que lá foi fazer o afinador no intervalo uma vez que na segunda parte o problema da maldita frequência mantinha-se! O outro lado negativo, é, irremediavelmente mais difícil de resolver... O comportamento de um público que não sabia ao que ia, o chamado público de “convites”, frio nos aplausos, as tosses do costume, acho que nem são da época, uma vez que se repetem em qualquer estação do ano, e, o mais lamentável, nos últimos momentos do segundo caderno, em “Feux d’artifice”, um destemido e irritante telemóvel a tocar desenfreadamente. Quanto ao resto, e ainda em relação ao público, foi o costume, a “fina nata portuense”, que não conheço apesar lá ter vivido até há muito pouco tempo e durante mais de trinta anos, a dormir profundamente (literalmente ao meu lado) e até a ressonar (um pouco atrás de mim) e a passagem habitual de, posso jurar, alguma centena, ou mais, de casacos de pele com senhoras lá dentro. Nesta dita “fina nata” não se incluem, obviamente, as pessoas que, como eu, compraram o bilhete para ir ao concerto e lá estiveram com muito gosto.

Braga, 5 de fevereiro de 2012.

sábado, 15 de setembro de 2007

Mais, (não do mesmo) mas pior!

O novo cardápio está aqui.
No desNorte escreveu-se, muito bem, sobre o dito cujo, o "cardápio" claro, em estilo "embirração"!
A CdM por este andar vai acabar com programação estilo Paróquia/Junta de Freguesia/Associação Cultural-Desportiva!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Decisão

Depois de exaustiva apreciação do Programa da Casa da Música para os meses de Julho a Setembro, sem Agosto pelo meio, porque por aí há apenas dois espectáculos na Praça da cidade, decidi, não sem algum sofrimento, o que vou ver!

No dia 21 de Julho vou ver o Grupo de Bombos de Lavacolhos!

sexta-feira, 23 de março de 2007

"Remover"

Se desejar ser retirado da nossa lista de envio da Programação Casa da Música, por favor, responda a este e-mail com "Remover" em assunto.

Confesso que me tenho sentido tentado...
Esta programação deixa-me frequentemente mal disposto, bem, eu lá acabaria por saber mesmo que não por e-mail, porque afinal não se trata de ser ou não a casa de todas as músicas, mas sim, e apenas, de milhões de euros investidos em produtos que não justificam tantos "ões"!

Já não são questões só da CdM, da cidade do Porto (que tanto gosto mesmo com todos os dissabores), mas sim, deste Portugal! Um dia destes gostava de receber um e-mail com a seguinte proposta: "Se desejar ser retirado do nosso país à beira mar plantado, por favor, responda a este e-mail com "Remover" em assunto".

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Mitsuko Uchida na CdM

Há umas horas atrás ouvi Mitsuko Uchida nas três últimas sonatas de Beethoven.
Que programa para um concerto! (por mais que se goste de Beethoven...) Na primeira parte com as sonatas 30 e 31 foi bom mas faltou convencer uma plateia sempre ruidosa (pelo menos três telemóveis ouvi – isto de concertos no norte é outra coisa, é pessoal muito ocupado, não há que perder tempo com concertos e deixar de lado os negócios e algum telefonema importante – está correcto, sim senhor!).
Na segunda parte, com a 32, Uchida, deixou o público aos seus pés, suspenso nos seus trilos em pianíssimo! (Há muito tempo que não ouvia uma sala tão silenciosa como que a pairar sobre o nada...) No fim, agradeceu, agradeceu, “desculpando-se” por não tocar mais.
Acabou, nem um encore!
Realmente, depois da sua intensa interpretação da op. 111 era complicado tocar o quer que seja mas, quem sabe, se não foi eventualmente, e apenas, uma resposta aos três toques de telemóvel da primeira parte... Afinal não é habitual termos no Porto nomes como Mitsuko Uchida todos os dias e, como diz o outro, cada público tem aquilo que que vai fazendo por merecer. Não há encores para ninguém!
6 Comments:
At Terça-feira, 10 Maio, 2005, Oficial e Comentadeiro said...
Medidas de profilaxia contra plateias ruidosas

1. No caso dos telemóveis 1.1.Imediatamente antes do começo do concerto, passar um aviso sonoro: «Ai e tal...É favor desligar os telelés senão o artista chateia-se» Isto em português, inglês, francês e svenska (não sei que lingua é, mas vem sempre no menu dos dvd, por isso deve ser importante) 1.2.Em alternativa, revistar a assistência à entrada, obrigando todos os portadores a deixarem o dito aparelho no bengaleiro. Não se faria nenhuma identificação dos tlms, porque isso ficaria muito caro e a CdM é um exemplo de poupança; no fim do concerto, a devolução resolvia-se distribuindo os aparelhos fazendo uma correspondência, que me parece justa,entre o modo de vestir e a marca de telemóvel. Ex.:os telemóveis da quarta geração iriam para quem usasse peles, mostrasse as chaves de um Mercedes ou exibisse dente de ouro; os aparelhos pré-históricos (+ de 3 anos)para quem se apresentasse de t-shirt ou tivesse ar de artista (ainda que vagamente).
2.No caso dos ataques de tosse:
2.1.Os prevaricadores (aqueles que tossissem mais de 1,5 vezes), no fim do concerto, seriam atirados aos donos dos telemóveis que tivessem ficado a perder com a devolução.

At Terça-feira, 10 Maio, 2005, pb said...
Valente “oficial e comentadeiro”!!!
No ponto de 2.1 quase rebentava de rir!!!
Assim sim, vale a pena...

At Terça-feira, 17 Maio, 2005, sasfa said...
Não é só no norte que estas coisas acontecem... Lembro-me do último recital da Maurizio Pollini na Gulbenkian, onde aconteceu exacatamente a mesma coisa. Bom, não três telemóveis, só um, mas já nos encores!! O ar incrédulo de Pollini...

At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, Anonymous said...
Admira-me que tenham sido 3 telemóveis apenas... ou teria sido o mesmo telemóvel a tocar três vezes?


At Sexta-feira, 20 Maio, 2005, pb said...
Ai Paulinho, Paulinho! Com que então Anonymous? Pois, pois...

At Sábado, 04 Junho, 2005, pb said...
Afinal não era o Paulinho o ou a Sr(a) Anonymous. É o que acontece quando não se assina os comments...

terça-feira, 26 de abril de 2005

ainda na CdM (sala 1)

a sala 1 é linda;

o edifício CdM um portento;

o público que me rodeava (fila c) tinha um ar absolutamente esclarecido e asseado, mas, no entanto, não pareciam ter pago o bilhete. Fiquei mesmo com a sensação de que bilhetes pagos nas primeiras filas, só eu e mais alguma outra alma perdida...;

se calhar foram apenas sensações;

tosses entre andamentos até foram poucas (Brendel fez questão de levar rebuçados...);

não conheci quase ninguém do público habitual deste tipo de eventos no Porto, embora tenha ficado com a sensação de ter visto uma série de vendedores de carros (a avaliar pelas boas vestimentas e conversa fluida), correctores de seguros (pelo olhar inquisidor com que observavam tudo atentamente) e funcionários da banca (porque ocupavam, com a sua aura, mais do que um lugar da plateia, e claro, traziam as miúdas giras);

as caras mais conhecidas, curiosamente, foram as que costumo ver quando me desloco a Lisboa aos concertos da Gulbenkian;

não encontrei, portanto, muita da fina nata cultural da cidade invicta do Porto.
14 Comments:
At Terça-feira, 26 Abril, 2005, Pedro Aniceto said...
Olá! E então a polémica do fosso da orquestra? Justifica-se ou não? Tenho de ir
fazer uma visita à cDM rapidamente. Abraços

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, pb said...
Olá Pedro Aniceto! Que grande honra!
Na minha modesta opinião a questão do fosso não é coisa relevante. É que para fazer uma ópera de repertório tradicional (século XVIII e XIX essencialmente) há outras salas na cidade, destacando-se o coliseu. Para fazer óperas mais modernas (XX e XXI) com encenações bem arrojadas tudo é possível. Basta para isso que haja imaginação e meios técnicos (o fosso pode deixar de ser fosso para passar a ser elemento de encenação, quem sabe um “fosso” pendurado em cima do público, hehe). De qualquer forma sobre isto podem falar os especialistas... é um facto que a Opéra de la Bastille em Paris, que já tive o privilégio de conhecer, tem tudo, um fosso, legendas em painel electrónico, e é um dos mais modernistas locais de realização de ópera (XX e XXI) da actualidade! Bem, mas também só se faz ópera lá! Por isso a CdM, que vai servir muito mais do que a função da ópera e bailado, não me parece que precise assim tanto de um fosso!!!
Mas isso digo eu que também gosto de dizer coisas como o outro.
Um abraço e obrigado pelo comment.
Atenção: PB é Satie do #macintosh

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, samovar said...
E se eu lá tivesse estado, onde é que me encaixavas tu, afinal?...

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, pb said...
Nas que pagavam o bilhete pois claro! Pasmada com o Brendel! :-)

At Terça-feira, 26 Abril, 2005, Patrícia said...
Achas que tenho perfil para a “fina nata cultural da cidade invicta do Porto?”
Alta, loura, de olhos azuis.....????? Que dizes, Paulo? Em relação á sala 1, tive a pouca sorte de, no intervalo, ouvir um comentário estúpido e depreciativo da Casa, enquanto estava a apreciar o edifício e ainda maravilhada com o concerto.
Enfim, é a parte terrível dos concertos.
São os encontros tenebrosos.....!
Em relação à Casa,acho que é um pouco perigosa. Saí de lá com uma vontade imensa de comprar bilhetes para mais e mais concertos. Gostei bastante e apetece-me mesmo experimentar diversos lugares para usufruir bem a sala.
Tudo o resto, é conversa.

At Sexta-feira, 29 Abril, 2005, ADSUM said...
O edifício cDM é belíssimo. A sala 1 é majestosa e clara, mas confesso que tenho uma admiração especial pela 2. É mais intimista e muito bela: toda em vermelho...
Os camarins têm metade da parede envidraçada, facto q permite q as pessoas q passam no exterior observem o que lá se passa dentro, e vice-versa... Gostei. A decoração é minimal e de muito bom gosto. A vontade que me deu, foi d alugar lá um cantinho para a habitar por uns tempos... E respira-se música. A programação é mesmo muito boa. Entre outras ansiedades musicais, confesso que mal posso esperar pelo dia 5 de Novembro!

At Sábado, 30 Abril, 2005, pb said...
Mas agora este “adsum” ficou!?
Toca a assinar os seus comments Dra. B.!
Mau...

At Segunda-feira, 02 Maio, 2005, Luís Aquino said...
Ainda não assisti a nenhum concerto na CdM, portanto não conheço nenhuma das salas. Mas como tive que ir levantar uns bilhetes para a minha ‘patroa’, aproveitei para deambular pelas áreas de acesso livre. Não há dúvida quea polémica instalada—seja pelo atraso das obras, seja pela escandalosa sobre-orçamentação (ainda ninguém explicou como é que é possível um ‘budget’ passar de 15 para 100 milhões de euros!)ou ainda pelo conflito com o futuro edifício vizinho—teve uma virtude: chamar visitantes! Nessa deambulação por halls e foyers, deu para perceber que muitas das pessoas que também por lá deambulavam não são visitantes de espaços culturais, provavelmente muitos dos que com quem me cruzei estavavam a satisfazer a curiosidade aguçada mediaticamente ou simplesmente tomaram a CdM como um destino de passeio. Dei por mim surpreendido a passar por átrios e ver pessoas a tirar retratos a outras que, em pose, tiravam partido fotográfico do colorido dos sofás. Ou outras a fotografar o hall do tal janelão envidraçado que dá para o terreno do futuro edifício bancário...

Independentemente das interpretações que possamos ter sobre estes comportamentos (e eu não faço nenhuma em especial, a não ser que cada um tem o direito de fruir o espaço como quiser, desde que o respeite)o que me parece importante é que a administração da Casa devia aproveitar este afluxo anormal de visitantes para os cativar e fidelizar como público de espectáculos. Para isso ajudaria muito que todas as áreas da CdM estivessem a funcionar, nomeadamente as de restauração.

At Segunda-feira, 02 Maio, 2005, Luís Aquino said...
No episódio que contei acima, em que duas jovenzinhas de 20 anos curtiam delícias fotográficas proporcionadas pela CdM, uma de máquina na mão, outra alapada no sofá, não pude deixar de achar graça ao facto de elas terem ficado um pouco embaraçadas quando eu, ao descer as escadas que dá acesso a esse hall, as ter surpreendido com a minha aproximação. Não percebi o que disseram uma à outra, mas já agora não custa imaginar:

- Olha lá e se te chegasses mais p’ró centro do sofá? - sugere a de máquina na mão
- Não...Acho que me vou espraiar assim...- respondeu a outra, reclinando-se de lado e ao comprimento do sofá.
- Não percebes? Ao centro é que é, na Caras é assim que aparece...!
- Tens a certeza?...Mas se eu estiver quase deitada, o verde do sofá combina melhor com os meus olhos...- E dito isto, afastou a repa do cabelo ,tentando convencer a objectiva da máquina
- Mas que raio, tu tens olhos azuis!
- Chiu! Vem ali um gajo a descer as escadas...
- ....
- ....
Como o ‘gajo’ passou entre elas , mas não saiu logo do hall, decidido a ficar ali uns segundos a fazer que vê uma pinturas que estão em exposição, as duas visitantes mordem os lábios à procura de um pretexto de conversa que as salve do embaraço. As ideias estavam inibidas, até que a fotógrafa atira à outra um sussurro:
- Diz ‘ai e tal...’
- Ãh?
- Esquece..- E começa a assobiar, rodopiando sobre si e fazendo festinhas à máquina como se esta tivesse pó.
- Que chato!...Nunca mais se vai embora—bichana a outra, subitamente desconfotável no belo sofá verde. A cor da cara dela combinada com a do assento lembrava agora a bandeira nacional.
- Aposto que nunca deve vir a estes sítios, deve ser só para dizer que esteve na Casa da Música - continua a fotógrafa sempre em surdina - parece um boi a olhar para um palácio!
- Parece mas é o cota do teu tio...!
Estas últimas palavras abateram-se sobre a coroa deserta de cabelos do gajo, que lá decide retirar-se e deixar o cenário fotográfico.
Ao descer mais um lanço de escadas, ainda teve tempo de perceber que atrás
de si foram soltados uns abafados risinhos histéricos, imediatamente precedido
por um
- Click!

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, pb said...
Este último comment é uma verdadeira crónica by Luís Aquimo!
Se calhar era uma boa ideia para um blogue de Aquino...

At Terça-feira, 03 Maio, 2005, Luís aquino said...
Estou mesmo decidido com a história do blog, mas mais parea a ideia que te tinha falado de remeter para a actualidade (ou de a actualidade ser um pretexto para outro assunto não quotidiano ou assim). Só me falta arranjar um nome.

ACEITAM-SE SUGESTÕES!

At Quarta-feira, 04 Maio, 2005, pb said...
Não sei não...
aquitidiano...
ou aqui-tidiano, não, talvez não...

At Quarta-feira, 04 Maio, 2005, luis aquino said...
Isso ia parecer um blog sobre o império romano eh, eh...Mas nesse caso preferia qualquer coisa como...

Tribuno Inocêncio... ou...
Deito-te às feras e já eras...

At Terça-feira, 31 Janeiro, 2006, Bjarni Frímann said...
Mon nom e Bjarni. Je suis de Islande, et j’étude composition e direction orchestrale en LHÍ. Je ne comprends pas beaucoup de Portugés, mais je croix que vous disputez musique classique. Merci beaucoup.

domingo, 24 de abril de 2005

Alfred Brendel na CdM

Sábado, 23 Abril de 2005
Alfred Brendel

1a Parte:
W. A. Mozart
Nove Variações sobre um minuete de J. P. Dupont em Ré K573
Robert Schumann
Kreisleriana Op.16

2a Parte:
Franz Schubert
Momentos Musicais D780
L. van Beethoven
Sonata para Piano No.15 em Ré, “Pastoral”

Alfred Brendel apresentou-se no Porto num concerto que, no género, talvez possa ser classificado como o mais importante da fase inaugural da Casa da Música, a interpretar o que mais o caracteriza, o repertório dos Clássicos de Viena. Começar um concerto por umas variações de Mozart, pouco conhecidas do grande público é, desde logo, algo a que só um pianista da craveira de Brendel é permitido. É que, quanto mais não seja pelo risco que estas peças apresentam na sua simplicidade e debilidade quase infantil, é uma obra que aparentemente cria pouco impacto para um início de um concerto. Mas não! Foi, desde o primeiro ao último momento em que o pianista colocou as mãos no teclado, muito especial fazendo-nos acreditar que se ouvia o repertório habitué dos concertos.
Na Kreisleriana Op.16 de Robert Schumann, Brendel surpreendeu também, mas pela unidade dada ao desenrolar de todo o discurso musical. Em muitas versões que ouvi desta obra nunca tinha sentido um fio condutor de tal perfeição e linearidade. Como se sabe a Kreisleriana, e outras obras de carácter cíclico de Schumann, perdem em algumas interpretações de concerto pelo facto de ouvirmos, separadamente, momentos excelentes em alguns quadros, mas na totalidade da obra nos escapar a direcção global da música. Nos Momentos Musicais D780 de Schubert o pianista levou a plateia, por um fio muito ténue, a um estado de emoção contida. Tudo foi realizado no limiar da perfeição: fraseado, sonoridade geral, controle das dinâmicas, respiração e pulsação rítmica.
O concerto não ficaria completo sem a sublime interpretação que Brendel deu à Sonata em Ré, “Pastoral” nesta noite. Não é, com certeza, por esta ser a minha sonata preferida de Beethoven, que vou afirmar que o que se ouviu foi magistral. Esta sonata, que já foge à herança mozartiana, mas que ainda não se apresenta no patamar final das últimas e mais complexas de Beethoven, representou o momento de maior concentração de emoções na sala 1 da CdM, em que Alfred Brendel fez aparecer todo o espectro dinâmico, dos pianíssimos aos fortíssimos. Além disso, a forma como nos fez ouvir ligados os segundo, terceiro e quarto andamentos foi brilhante, como se estivéssemos a ouvir contar uma história, com poucas interrupções, a alguém que conhecia todos os seus pequenos pormenores, contando-os sempre com mais interesse e entusiasmo. Só um grande “amigo de Beethoven” podia contar com tal clareza, veracidade e cumplicidade esta história chamada “Pastoral”. Foi o que aconteceu.
Um grande concerto!
7 Comments:
At Domingo, 24 Abril, 2005, aniversariante said...
Texto digno de um verdadeiro crítico musical!
E assim se perdem os verdadeiros talentos na blogosfera...

At Domingo, 24 Abril, 2005, Luís Aquino said...
Concordo! Nem demasiado técnico, portanto acessível a qualquer não especialista, nem superficial (apreciações suficientemente justificadas), e capaz de sugerir ao leitor o ambiente criado na sala. Temos crítico! (Já agora... quem é que faz anos? E paga alguma coisa...?)


At Domingo, 24 Abril, 2005, Oficial e comentadeiro said...
Sim, até pode ser isso tudo que vocês dizem, crítica bonita e tudo, mas por outro lado, é uma tristeza profunda isto ter corrido tão bem; quer dizer, o cenário dos títulos de jornal sai defraudado... Pronto,fica para próxima!


At Domingo, 24 Abril, 2005, aniversariante said...
Quando for a Portugal nas férias, prometo pagar qualquer coisa em grande ao profissionalíssimo comentador deste blog!

(Mas tb gostava de uma cura qualquer de acupuntura ;)

At Segunda-feira, 25 Abril, 2005, oficial e comentadeiro said...
Ok. Combinado, aniversariante.

At Segunda-feira, 25 Abril, 2005, Patrícia said...
“Além disso, a forma como nos fez ouvir ligados os segundo, terceiro e quarto andamentos foi brilhante, como se estivéssemos a ouvir contar uma história, com poucas interrupções, a alguém que conhecia todos os seus pequenos pormenores, contando-os sempre com mais interesse e entusiasmo.”

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Lou Reed / Clã esgotado!

Amanhã começa oficialmente a época inaugural da Casa da Música com um concerto de Lou Reed e Clã. No dia de abertura das bilheteiras às 11 horas, estava eu na fila para comprar bilhetes para Alfred Brendel, quando vejo o anúncio Lou Reed / Clã esgotado! Duas horas depois, no máximo, depois de abertas as bilheteiras!? Fiquei a pensar, será que vamos ter, num concerto de abertura bem rockeiro, uma plateia repleta de individualidades engravatadas?...
2 Comments:
At Terça-feira, 19 Abril, 2005, Oficial e comentadeiro said...
Sim se, por acaso, o pessoal se enganar e trocar de concertos. O que quer dizer que íamos ter um mar de gravatas no Lou Reed e uma nuvem de fumo cool no Brendel. No dia seguinte ao Brendel, já estou a ver as manchetes dos jornais:
DN: ‘Desorganização da Casa da Música defrauda portuenses’
Público: ‘Ausência de Pedro Burmester da CM criou confusão entre concertos’
JN: ‘Polícia faz rusga de emergência na CM’
Correio da Manhã: ‘Pianista estrangeiro assustou-se ao ver-se perante plateia de extra-terrestres’
24 Horas:’Marisa Cruz e João Pinto vistos no camarote a partilhar um charro’
Expresso: ‘Fonte do interior do Conclave confidenciou-nos que foi tudo uma manobra da Opus Dei para desviar as atenções da eleição do novo papa de modo a discretamente multiplicar sósias de Policarpo na Capela Sistina’
Avante: ‘Casa da Música finalmente devolvida ao Povo: Festa do Avante deslocou-se da Atalaia e foi ao Porto comemorar revolução de Abril’
Blitz: ‘As novas correntes musicais do século xxi vieram criar oportunidades de fusão jamais pensáveis no século passado. Estamos perante a pós-new wave’

At Terça-feira, 19 Abril, 2005, pb said...
Não dá!
Ri durante meia hora, simplesmente muito bem visto!!!
Ufa...