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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!


“Como toda a gente sabe, vendo opiniões.” Transformou-se numa das pessoas mais influentes, e, nesse sentido, poderosas, em Portugal. É uma coisa em que pensa?
Nada. Vivo num buraco. Não faço vida social. Não ando nos salões. Nem poderia escrever o que escrevo se o fizesse. Tomei o compromisso de não ceder a ser simpática com pessoas que não valem um pataco. Fazer esse tipo de vida obrigar-me-ia a compromissos numa zona onde não me quero comprometer. Também sou punida por isso, mas foi o que escolhi. Dou-me com muito pouca gente. Amigos íntimos que são uma espécie de família, e que me põem no meu lugar porque não acham que sou poderosa. Nunca fiz nada para ter poder, não quero ter poder, não me interessa nada o poder. O único poder que gostava de ter, e que não tenho, era o de disciplinar a minha vontade. Sou extraordinariamente disciplinada, mas não o suficiente. É de mim para mim. O segundo poder que gostava de ter era o de me conhecer melhor. “Conhece-te a ti mesmo”, como dizia Sócrates. Não conheço." 
Clara Ferreira Alves


A primeira coisa que me lembrei quando li esta parte do texto de Clara Ferreira Alves foi de um conto que li, ainda muito jovem, demasiado jovem talvez, "O Covil" de Franz Kafka. Aquilo que este conto incompleto, descrevia era o de uma criatura não definida de forma clara que vivia dentro de uma toca, um covil, e, de quando em vez, espreitava cá fora recolhendo-se rapidamente, um livro muito metafórico, inesquecível. Li este e outros livros do género demasiado novo, talvez aí com uns 13, 14 anos. Só de Kafka li, num ápice, nesses anos, não necessariamente nesta ordem, O processo, A metamorfose, O Castelo, Amerika, Carta ao pai e os Contos todos. Mas a verdade é que, independentemente da tenra idade com que devorei estes livros e muitos outros de Herman Hesse, Milan Kundera (todos), Eça de Queirós, Jorge Amado, entre muitos outro escritores que não me apetece enumerar agora, essas obras fazem parte da minha vida, ou como diz Clara Ferreira Alves noutro momento deste artigo, reflectem instrução, logo, a minha vida interior. Não vivo na margem sul com 4 ou 5 livros, mas também não tenho um enorme casarão cheio de enormes vazios, vivo em Braga, cidade pequena, mas com uma vivência de sempre cheia de livros e outras coisas boas. 

Ainda que nada disto diga nada vezes nada a ninguém é assim que me devo posicionar, como um tipo que claramente não pretende nada mais do que o que tem. 

Que se lixem os Relvas deste "nobre" e podre país que somos!

Como dizia o poeta, os Relvas usam CEROULAS DE MALHA, cheiram MAL DA BOCA, são uns SONETOs D'ELLEs-PRÓPRIOs!

Pim!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

o fino gosto estético

Perante a grande intelectualidade e fino gosto estético por que estou cercado, devo redimir-me, quiçá penitenciar-me, e com os meus pobres e desafinados ouvidinhos, nada mais fazer do que colocar por aqui alguma música pimba francesa!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Antes quase, do que nada...


Hoje, quando penso em mim e no meu percurso enquanto ser humano ocorrem-me muitas coisas, umas boas outras más, que a memória não soube apagar. Vejo aquilo que quase fui e aquilo que quase sou e chego serenamente, e conformado, a uma conclusão. Antes ser quase um compositor, antes ser quase um bom professor, antes ser quase um ser humano livre, um daqueles que vive pela sua própria consciência, do que estar em vão a pavonear as vaidades supérfluas dos que se acham coisa alguma. Estou, agora com a idade a avançar, a perceber como tudo isto é tão verdade. Não me revejo naqueles que acham que são mais do que quase nada. Pessoalmente acho muito mais compensador ser quase nada do que nada ser. Quase tudo e todos os que me rodeiam assim são, cheios de certezas, glórias e aparentemente “felizes” com a sua prestação cada qual no seu pequeno mundinho. Olho para eles com algum desdém uma vez que o que entendo, do meu infinito e quase nada íntimo, é a inutilidade das suas vidinhas que debaixo da aparência do todo total nada mais são do que nada.