sábado, 15 de dezembro de 2007

Worldwide Atonality Day

Segundo Alex Ross no dia 17 de Dezembro celebra-se, com os seus 100 anos, o "Worlwide Atonality Day"!

SchoenbergOp19ii

Para reforçar esta data deixo apenas esta pequena (grande) frase de Arnold Schoenberg...
Estou a ser levado por uma necessidade de brevidade, precisão, definição e clareza. Tenho a sensação que estou a dizer tudo de forma, mais clara e precisa, de forma menos ambígua e mais pessoal.

(Tradução pb)

sábado, 1 de dezembro de 2007

Piano Singular

Acabei de encontrar esta informação no Tonalatonal de Sérgio Azevedo e não resisti à tentação de reproduzir também aqui a notícia...

A Trem Azul acaba de lançar um novo disco de Olga Prats - Piano Singular - com música de autores tão variados como Bach, Schubert, Wagner, Berio, Chick Corea, Janacék e Sara Claro entre muitos outros.

(lançamento no CCB, Sala Lopes-Graça, dia 3 de Dezembro, às 18:30, entrada livre)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Contemporá/âneas de Volta!

Afinal ainda há boas notícias na blogosfera!
O Contemporâneas da Teresa voltou depois de um longo período de “férias”.
Voltou respondendo a um desafio meu antigo.

Entretanto, a Teresa, que, simpaticamente, me cativou há uns anos com o escritor Javier Marías, pergunta-me agora sobre Todas as Almas. Gostei, mesmo muito, das melhores formas de escrita das minhas últimas leituras, estou neste momento a ler os seus contos, Quando fui mortal.

Bom retorno!

domingo, 21 de outubro de 2007

Educação Artística FORUM

Foi inaugurado no dia 19 deste mês no Blogue Ideias Soltas o Educação Artística - FORUM.

Pense o que pensar sobre as temáticas lá abordadas, registe-se e participe. Nas palavras do próprio autor e coordenador do Forum:
Todos são convidados a participar activamente com textos próprios, com respostas a outros que já lá estejam, procurando incentivar o contraditório, com o único objectivo de, ouvindo as mais variadas opiniões, encontrar afinidades de pensamento que conduzam a acções o mais consentâneas e consequentes que for possível.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

de parabéns!

Alunos e ex-alunos do curso de Composição da ESML recentemente distinguidos com prémios, encomendas, etc.

Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim 2007
Hugo Ribeiro - Primeiro Prémio na categoria de Música orquestral e menção homrosa na categoria de Música de Câmara
Ana Seara - Segundo Prémio na categoria de Música orquestral Orquestra do Algarve -

Workshop 2007 / Atelier de leitura (8 e 9 Novembro) Seleccionados:
Luís Soldado
Rogério Medeiros
João Antunes
Carlos Marques (Kami)
Sara Claro
Hugo Ribeiro

Encomendas do Prémio Jovens Músicos, edição 2007
João Godinho
Hugo Ribeiro
Sara Claro
Ana Seara
Pedro Faria Gomes

(toda a informação retirada daqui)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

ensINo não espeCializadO em coisa nenhuMa a não ser, PEnsando bem, TalvEz, Não, mais TardE, pois...

No post anterior refere-se um, e apenas um, dos “factores do fracasso do sistema educativo português”, os chamados “cientistas da educação”...

Mas o que realmente me enerva é a incompetência, disfarçada de coisa boa, cheia de objectivos vazios, vestida com roupa nova, activa como uma barata tonta, repleta de trejeitos “estudados” em universidades de caca, em suma, o ser, não do verbo mas de humano, puro e duro, mal formado, humanamente e cientificamente!

Há pouca coisa neste meu “pequeno mundo” que me incomode mais do que isto.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Carta de um professor

"Convirá lembrar que, em grande parte, os factores do fracasso do sistema educativo português são os "cientistas da educação" que, com as suas teorias e o gosto pela papelada inútil, se instalaram no sistema educativo e continuam, de forma perniciosa, a influenciar as determinações dos ministros. Mais: continuam estes "cientistas" enredados numa visão panglossiana a falar em sucesso educativo nesta escola democrática massificada, sucesso esse que - com esta política educativa de torniquete e sopeamento dos professores- há-de vir numa manhã de nevoeiro envolvendo os ditos iluminados (...)"

in Pública, 7 de Outubro 2007

domingo, 30 de setembro de 2007

sábado, 29 de setembro de 2007

Os livros que mudaram a minha vida

Os livros que mudaram a minha vida!
Mais vale tarde do que nunca, portanto, vou tentar responder ao desafio lançado, já em 17 de Setembro, pelo Carlos do Ideias Soltas.
Não sei se estes livros me mudaram a minha vida, mas que cá ficaram, cá dentro, ai isso ficaram. Estou convencido que os livros não marcam uma pessoa apenas pela qualidade literária do seu interior, mas também, e essencialmente, pela vivência pessoal do leitor na época em que os leu.
Então, e se bem me lembro, cronologicamente, foi assim:

- Os inevitáveis Os Cinco de Enid Blyton;
- Os Capitães da Areia de Jorge Amado, que me trouxe os primeiros sonhos da pré-adolescência, num misto confuso de sentimentos, que até as lágrimas fizeram aparecer...;
- O Crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz, que revolta senti, o que eu me envolvi, também chorei;
- O Lobo das Estepes de Hermann Hesse, li tantas vezes que, acho, comecei a confundir nessa altura a vida real com o “Teatro só para Loucos” do livro;
- A Insustentável leveza do Ser de Milan Kundera, mais pelo filme, suponho:
- O conto O Covil de Franz Kafka, profundíssimo, perturbante, sem mais comentários...;
- Os Nós e os Laços de António Alçada Baptista, retrato de uma geração que devia ter sido a minha;
- Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, cegos? Todos nós? Talvez...

(Há outros com certeza, mas, neste momento, não me lembro...)

sábado, 15 de setembro de 2007

Mais, (não do mesmo) mas pior!

O novo cardápio está aqui.
No desNorte escreveu-se, muito bem, sobre o dito cujo, o "cardápio" claro, em estilo "embirração"!
A CdM por este andar vai acabar com programação estilo Paróquia/Junta de Freguesia/Associação Cultural-Desportiva!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Festival Expresso Oriente - 2007


Qua 26 Setembro · 21h30 · Palco do Grande Auditório da Culturgest

OrchestrUtopica

Solistas
Piano Filipe Raposo (participação especial)

Ahmed Essyad La mémoire de l’eau (1982)
flauta, clarinete baixo e piano Ana Seara Três telas de Barcelona (2007)
quinteto misto Filipe Raposo Urban Roots (2007)
piano e electrónica Iyad Mohammad Matemorphosis (2000)
clarinete e piano * Jamilia Jazylbekova Le refus de l’enfermement I (2001)
quarteto de cordas * Saed Haddad Le contredésir (2004)
flauta, clarinete, fagote, violino, viola, violoncelo e percussão * Sara Claro Versus (2007) #

* Primeira audição em Portugal
# Primeira audição absoluta

(toda a informação retirada daqui)

sábado, 1 de setembro de 2007

Terrorismo Social

Um total de 47.977 tentaram a sorte e candidataram-se a um contrato numa escola. Mas mais de 90 por cento não conseguiram nesta fase um lugar para dar aulas. As listas de colocação de contratados foram publicadas ontem à noite. E revelam que só 3252 professores obtiveram um horário completo; 44.725 não conseguiram.

in Público

terça-feira, 31 de julho de 2007

"a música da minha vida"!

Para férias vou deixar aquilo a que se pode chamar de "a música da minha vida"!
Apesar de ter consciência da dificuldade de sustentação de tais afirmações, neste caso, e nem sei por quê, é assim mesmo, foi sempre assim desde há muitos anos, ou como eu dizia em tempos, ab origine...
Tivesse eu que escolher apenas uma música, e apenas uma, para qualquer tipo de situação, era esta com certeza, nesta interpretação - Arturo Benedetti Michelangeli.

Na mesma obra deixo também duas sugestões para este período de férias:
a de Martha Argerich e a de Manuela Araújo, esta apenas em audio. Nenhuma delas é de perder, ouçam tudo e aproveitem bem.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

The fire alarm broke

Fleming visited Cage late in his life, and asked how he was doing. "Well, I'm just fine," Cage replied, "but all my neighbors in my apartment building are very upset." "Why is that?" "The fire alarm broke last night," Cage explained, "and rang all night. No one would come to fix it, and none of my neighbors got any sleep." "Then why are you all right?," Fleming asked. "Well," replied Cage, "I just lay there and worked the sound of the fire alarm into my thoughts and into my dreams, and I slept just fine."

Dreaming Reality

domingo, 29 de julho de 2007

no comments (1)

Vim há pouco do concerto de Ivo Pogorelich...
Só vi a primeira parte...

Quero recordar sempre Ivo Pogorelich assim, e só assim.
J. S. Bach, Suite No. 2 in A minor, BWV807 - Prelude

(para quem estiver interessado aqui está uma crítica a um concerto com programa semelhante)

sábado, 28 de julho de 2007

Dinu Lipatti

Mas o que une as pessoas que gostam mesmo de música é a capacidade de estarem abertas a surpeenderem-se a qualquer momento!
Assim disse Carlos A. A., com toda a razão, num comentário a um post que aqui coloquei - "Chopin e interpretação". Pois bem, o César Viana e o próprio Carlos A. A. aguçaram-me o apetite para ouvir as valsas de Chopin por Dinu Lipatti. E não é que a minha amiga Nívea Samovar, a propósito do tal post, me oferece um cd com as ditas cujas! Ouvi, e fiquei abismado, debaixo de um som "antigo" encontrei a clareza, a elegância e o equilíbrio de uma interpretação magistral.
Para ouvir deixo aqui a Valsa n°6 en ré b maior op.64 por Dinu Lipatti.
Obrigado César, Carlos e, claro, Nívea!

Tarefa concluída

DE VOLTA!
Sempre deu para publicar 199 posts do Tónica Dominante (1) e chegar ao fim vivo!
Já está na barra lateral nos anos de 2005 e 2006. Outra forma de consultar é clicar na etiqueta "Tónica Dominante (1)".
Ufa, ufa...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Republicação

Não tenho colocado posts por aqui...
por sugestão de algumas partes ando para aqui a republicar a primeira versão do Tónica Dominante todo à mãozinha, posts e comments. Tudo, tudo, com as datas da própria época, enfim, uma faina!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Splanky

Então aqui vai!
Este post, retribuição a Carlos A. A. do Ideias Soltas, propõem três contrabaixos, Christian McBride, músico da nova geração, e dois músicos da velha guarda, Milt Hinton e Ray Brown, ou "Dad", como alguns lhe chamam. A distribuição sonora é esta: Brown na esquerda, McBride ao centro e Hinton na direita. O cd, Gettin' to it de Christian McBride (1995), primeiro álbum da carreira deste jovem contrabaixista, e a música chama-se Splanky.
Swing é isto!

sábado, 14 de julho de 2007

by one's own hand (4)


George Crumb, Univ. of Pennsylvania stationary: "Pastorale" from Makrokosmos, 1974

2º Prémio Internacional de Composição da Póvoa de Varzim

De acordo com a acta de 28 de Abril de 2007, “(...) Depois de discutidas e analisadas todas as obras concorrentes, nas duas categorias a concurso, entendeu o júri [constituído pelos Professores Odaline de La Martinez, Luís Tinoco (Presidente), Fernando Lapa e Carlos Caíres], por unanimidade, seleccionar as obras: “Quatro Personagens Saídas de um Conto” de Hugo Ribeiro; “A Civilização” de Fátima Fonte Ferreira; e “Seis Peças para Piano” de Patrício Silva (para a final da categoria “Música de Câmara” / Prémio “Associação Pró-Música da Póvoa de Varzim”). Entendeu o júri, também por unanimidade, seleccionar as peças: “Reminiscências” de Hugo Ribeiro; e “Perpétuité” de Ana Seara (para a final na categoria “Orquestra” / Prémio “Câmara Municipal da Póvoa de Varzim”).

by one's own hand (3)


Philip Guston, Original magic marker drawing

sexta-feira, 13 de julho de 2007

29º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim

A 29ª edição do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim arranca hoje com o grupo italiano La Venexiana, dirigido pelo contratenor Cláudio Cavina, no primeiro dos 11 concertos previstos no programa do evento. Este grupo, especializado em música barroca, dedicará inteiramente a sua actuação, na Igreja Matriz, à obra de Domenico Scarlatti, na passagem do 250º aniversário da morte do compositor. Esta actuação é antecedida pela conferência do musicólogo Ruy Vieira Nery sobre “Domenico Scarlatti e a chegada dos modelos barrocos italianos a Portugal”, que constitui o primeiro evento da presente edição do FIMPV, este ano dedicado à música europeia, da Grécia clássica à actualidade. O festival decorre até 28 de Julho, com sessões na igreja matriz, na igreja de S. Pedro de Rates, no Auditório Municipal e no espaço cultural do Diana Bar, na Póvoa de Varzim, onde terá lugar a conferência e os encontros previstos no programa. Estarão presentes intérpretes oriundos de oito países, encontrando-se Portugal representado com 83 intérpretes em vários instrumentos. Além dos 250 anos de Domenico Scarlatti, o festival prestará também homenagem aos compositores Heitor Villa-Lobos e Maurice Ravel. O Quarteto de Cordas Prazak apresenta domingo no Auditório Municipal, um programa com obras de Haydn, Janácek e Dvorák. Nos dias seguintes, acontecem as actuações da violinista alemã Isabelle Faust, com o pianista russo Alexander Melnikov, num concerto com obras de Schubert, Fauré e Schumann, e dos pianista russos Nikolai Lugansky (Schumann, Brahms, Prokofiev e Ravel), dia 15, e Valentina Igoshina (Chopin, Liszt e Brahms), no dia 17. A 20 de Julho, a Orquestra Sinfónica da Póvoa de Varzim apresenta-se com Valentina Igoshina para tocar obras de Ana Seara, Hugo Ribeiro e Dmitry Shostakovich. No dia seguinte, a Camerata Sensa Misura apresenta as obras vencedoras deste prémio na modalidade Música de Câmara, enquanto dia 23 actua o (Des)concertante Trio, que executará obras de Sérgio Azevedo, Carlos Marques, Paulo Ferreira e Astor Piazzola. A música da Grécia clássica ouvir-se-á na igreja românica de S. Pedro de Rates no dia 24, com a soprano catalã Arianna Savall. Dois dias depois, o Coro Gulbenkian apresenta-se na Igreja Matriz, sob direcção de Jorge Matta. O concerto de encerramento está a cargo do grupo belga Il Gardellino, dirigido pelo oboísta Marcel Ponseele.

(Informação retirada daqui)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

XII Semana Internacional de Piano de Óbidos

A SIPO - XII SEMANA INTERNACIONAL DE PIANO 2007, promovida pela Associação de Cursos Internacionais de Música de Óbidos (ACIM) com o apoio da Câmara Municipal de Óbidos e do Ministério da Cultura – Instituto das Artes, realizar-se-á de 28 de Julho a 8 de Agosto de 2007, na magnífica vila medieval de Óbidos (Portugal), sendo orientada por professores de renome internacional: Vitaly Margulis (Rússia/EUA) piano; Luíz de Moura Castro (Brasil/EUA) piano; Manuela Gouveia (Portugal/Espanha) piano; Paul Badura Skoda (Áustria) piano; Boris Berman (Rússia/EUA) piano. Os cursos constituem o núcleo principal da Semana Internacional de Piano de Óbidos, e no seu décimo primeiro ano de existência são, hoje em dia, o evento mais importante no seu género em Portugal. O elenco dos professores é composto por artistas de renome internacional, ao mesmo tempo excelentes pedagogos. Os cursos destinam-se a estudantes de nível profissional, músicos no início da carreira, professores e jovens pianistas/violoncelistas especialmente motivados. Além das aulas individuais os duos violoncelo/piano aproveitarão da possibilidade de trabalhar sonatas com professores de ambos instrumentos. O número de lugares é limitado a 40, sem audição preliminar, sendo as inscrições aceites por ordem de entrada. Se necessário, os professores poderão fazer audições preliminares. Os alunos são distribuídos pelos professores de acordo com a ordem de preferência indicada no boletim de inscrição e as obras apresentadas, dentro do limite das possibilidades. Os cursos internacionais de piano d’Óbidos oferecem a todos os participantes activos a possibilidade de trabalharem com vários professores permitindo um enriquecimento musical muito diversificado. Cada participante deverá apresentar pelo menos três obras.Os participantes activos terão à disposição pianos para estudo - mínimo de 2h de estudo diário para cada participante. A todos os alunos é dada a oportunidade de actuar em concertos públicos. Será atribuído o prémio “Maria de Lurdes Avellar” aos estudantes que mais se destacarem nestes concertos. Este prémio será atribuído pelo público e pelos professores das master classes.No final dos cursos, todos os participantes recebem um diploma. A inscrição nas masterclasses engloba 3 aulas (duração de 60 minutos) com um ou mais professores, a assistência a todos os cursos, um mínimo de 2h de estudo diário, entrada em todos os concertos, alojamento com meia pensão do dia 28 Julho ao dia 8 de Agosto, transporte do aeroporto de Lisboa para Óbidos e regresso e uma visita turística de meio dia à região de Óbidos.

Curso acreditado pelo Conselho Científico/Pedagógico da Formação Continua
(toda a informação retirada daqui)

Andy Mckee


(O Paulo Mesquita enviou-me por email este video)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Gen Paul (9)


Gen Paul, Le Violoniste, 1928

Queen's College Choir of Oxford em Braga

A LM enviou-me um email com esta informação!

O Museu Nogueira da Silva, em Braga, apresenta no dia 07 de Julho, Sábado, pelas 21h30, um concerto pelo internacionalmente conceituado coro da capela do Queen’s College da Universidade de Oxford, que conta com os apoios do Colégio 7 Fontes, do ISAVE, do IPUMI e do Palácio da Igreja Velha.
O Queen’s College Choir of Oxford tem uma forte tradição. Com os seus vinte e cinco cantores, é considerado um dos melhores de Oxford e Cambridge. O coro é dirigido por Owen Rees, Fellow em música e organista do College. O repertório do coro é vasto e imaginativo. O seu mais recente CD, Paradisi , inclui as primeiras gravações de obras setencistas de Portugal e Espanha. O Coro executa, também, repertório moderno.
PROGRAMA

Pero de Gamboa (c1560-1638)
Estote fortes in bello

Duarte Lobo (c1565-1646)
Missa de Beata virgine
Kirie
Gloria
Credo
Sanctus
Agnus Dei

Aires Fernandez (séc. XVI)
Benidicamus Domino

Duarte Lobo
Audivi vocem de caelo

Pedro de Cristo (c1540-1618)
Dixit Dominus (7vv)

Intervalo

Henry Purcell (1659-1695)
Remember not lord our offences

Lord, how long wilt thou be angry

Gerald Finzi (1901-1956)
from Seven Poems of Robert Bridges, Op. 17 (1934-1937)
I praise the Tender Flower
My Spirit Sang all Day
Clear and Gentle Stream
Haste on, My Joys

Charles Villiers Stanford (1852-1924)
Justorum animae
Entrada: 7 euros
Estudante: 4 euros

Museu Nogueira da Silva/Universidade do Minho
Av. Central, nº.61
4710-228 BRAGA
Telef. 253.601275
Telefax 253.264036
sec@mns.uminho.pt
http://www.mns.uminho.pt

As últimas 5 leituras

Recebi este desafio do Carlos A. A. do Ideias Soltas – os últimos cinco livros que li?
Então aqui vão os cinco:
  • Introduction to post-tonal theory de Joseph Straus (2000)
  • Doutor Fausto de Thomas Mann (1947)
  • Mort ou Tranfiguration de l’Harmonie de Edmond Costère (1962)
  • Twentieth-Century Music – An Introduction de Eric Salzman (1988)
  • Serial Composition and Atonality: An Introduction to the Music of Schoenberg, Berg and Webern de George Perle (1991)
Neste momento, estou a ler:
  • Todas as Almas de Javier marias (1989)
O desafio segue para A Sinistra Ministra, para o Abaixo de cão, para o Anacruses, para o Contemporâneas, para o desNorte, para o Insustentável e para o Paixões e Desejos.

Expresssão musical

Encontrei, e tirei, esta maravilha do blogue El espía de Mahler e, mais não seja, valeu-me umas boas gargalhadas! Acho que é de pôr este senhor desde já a explicar nas Escolas de Ensino Especializado da Música conceitos como: forte, piano, crescendo, cantabile, súbito, etc..
Quem sabe até não fica mais claro para os alunos...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

sábado, 30 de junho de 2007

Mozart e interpretação

Para quem não conhece, para quem não lhe interessa conhecer e para os que estão acima deste tipo de coisas, aqui vai a interpretação que mais gosto das Sonatas de Mozart - a nº 13, também a que mais gosto - na magistral versão de Maria João Pires, na etiqueta Denon, gravadas em Tokyo, Lino Hall, em Fevereiro de 1974.
W. A. Mozart, Sonata para piano nº 13 em Si b maior, KV 333, Allegro, Andante cantabile e Allegretto grazioso - Piano, Maria João Pires, 1974

sábado, 23 de junho de 2007

Chopin e interpretação

Porque para mim as opiniões discutem-se!
No Artimanha encontrei uma discussão sobre interpretação de Chopin. O caso Pollini/Chopin foi debatido, embora, com algumas interrupções... daquelas de quem acredita que escrever uma opinião num blogue é um acto de auto-promoção ou coisa que o valha!
Agora venho eu fazer algumas sugestões para a audição desse grande compositor chamado Chopin. Digo grande compositor, porque o é. É muito comum menosprezar a produção de Chopin por este ter composto quase exclusivamente para piano. Asneira da grossa!!! Toda a produção de Chopin foi altamente inovadora, quer ao nível harmónico (avançou anos luz, numa série de coisas), quer na revolução técnica provocada nesse fantástico instrumento que é o piano. Acho piada à "acusação" de que só escreveu para piano, queriam o quê? Que escrevesse octetos de sopros sem ser esse o seu terreno composicional!? Atenção, que na moda composicional portuguesa não fica bem falar bem de Chopin! Os mais eruditos dizem até que o senhor compositor nem sabia orquestrar, que basta ver os concertos para piano, enfim, balelas! Os dois concertos de piano de Chopin (fora os ditos cujos de violino...) são muito bem orquestrados, tendo em atenção o estilo de escrita, as técnicas de composição e a especificidade da técnica pianística deste compositor.
Mas deixemo-nos de analisar este tipo de reacções tipificadas de determinados grupos pré-formatados senão ainda tenho que falar do caso Beethoven... sim, também é de bom tom, no meio composicional português, falar mal do mestre de Bona!
Voltemos ao Chopin. Para mim Chopin e a sua obra tem sido um livro aberto a constantes mudanças no que diz respeito às interpretações. A sua música é tão boa que há sempre quem possa surpreender-nos mesmo aqueles que nunca haviamos ouvido (tal como Ivan Moravec que conheci há pouco).
Vamos então às sugestões (3 apenas), às opiniões, à discussão de ideias, chamem-lhe o que quiserem!

Valsas - Vladimir Horowitz (desde sempre...)
Prelúdios - Evgeny Kissin e Maurizio Pollini (alguns são melhores por um, outros, por outro)
Estudos - Maurizio Pollini (sempre, perfeitos!)

Para ouvir, deixo esta monumental interpretação, seguramente a que mais gosto, do último prelúdio, op. 28 nº 24 em ré menor, tocada por Evgeny Kissin.

RAI Studio of Musical Phonology (3)


RAI Studio of Musical Phonology (2)


RAI Studio of Musical Phonology (1)


sexta-feira, 22 de junho de 2007

Novo ensino especializado da música (13)

O Rogério Matos escreveu uma apreciação muito interessante do Estudo de Avaliação do Ensino Artístico referindo um dos aspectos essenciais da sua falta de seriedade – Porque é que não houve nem um especialista da música na elaboração deste estudo? Cito o Insustentável:
(...) Mas constituir uma comissão em que nem um só, um só que seja, para amostra vá, é da área em estudo? Sinceramente, nunca tinha visto. Está-se sempre a aprender (...)
Pois é...
A ideia de colocar de fora os especialistas (um pelo menos) é, quanto a mim absolutamente intencional. Só não vê quem não quer! Basta olharmos de relance o dito relatório para se perceber que não passa dum monte de insultos aos próprios especialistas da música. Todo o discurso deste documento é apresentado numa perspectiva negativa, referindo-se sempre, e só, o que de mau há nesta área. Dessa forma não me parece estranho não estar por lá ninguém da música. Não poderia ser de outra forma, é que não há quem aguente! Neste relatório podemos encontrar todo o tipo de insultos mas passo a citar apenas o seguinte:
Um mundo de sujeitos iluminados que se contemplam e avaliam entre si, permanecendo inteiramente imunes à análise e avaliação dos profanos.
Assim caracterizam os ditos doutores a classe a que pertenço (mal ou bem), de uma forma insultuosa, esquecendo estes que o pouco (ou muito, apesar de tudo...) que há no Ensino Especializado da Música aos professores e alunos se deve! Não devemos nada com certeza ao ME que, ao longo de anos, desde o famoso 310/83 tem vindo a alterar tudo, de forma arbitrária, sem orientação, com experiências, sem ideias, e com dois únicos objectivos visíveis - o de tornar o menos acessível possível este tipo de ensino a todos e, finalmente, com este relatório, acabar com ele.
Depois ainda há (músicos, ainda por cima) quem diga que, eu, como a minha amiga Cláudia Nelson, levamos as coisas muito a peito!!!
Ora foda-se...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Aprender Compensa

Por entre a Dica da Semana, o “A pensar em si” do Minipreço e o “Eu é que não sou parvo” da Media Markt, encontrei na minha caixa de correio um panfleto pomposamente intitulado “Novas Oportunidades – Aprender Compensa*”! Trata-se de um papelito assinado pela União Europeia, Prodep, Ministério do Trabalho e Solidariedade Social e, claro, Ministério da Educação. Depois de ler com atenção o dito papelito, onde se pode encontrar sem dificuldade um curso de futuro para os nossos filhos, verifiquei que as profissões sugeridas pelas entidades acima referidas são, com muitas variantes, os Técnicos, 118 ao todo, Assistentes (3), Intérpretes (2), Acompanhante! (1), Programador (1), Modelista (1), Contramestre (1) Topógrafo (1), Actor (1) e, por fim, Instrumentista (1)! Segundo o panfleto ou papelito, como quiserem, tudo isto se pode adquirir em escolas e centros de formação. Penso que alguns destes cursos, que dão acesso imediato ao mercado de trabalho, podem mesmo ser dados no modelo “aula à distância”, por telefone, por carta e até por sms (simplex, né?). Não precisamos pois mais de nos preocupar com o futuro dos nossos filhos uma vez que o Ministério da Educação está atento, já fez este papelito (ou panfleto) e isso, por si só, pode deixar toda a gente mais descansada. Um reparo apenas na distribuição das áreas profissionais, porque diferenciar aqueles pobres coitados que vão seguir profissões estranhas tipo Instrumentista, Actor, Topógrafo, Contramestre, Modelista, Programador, Acompanhante, Intérprete e Assistente? Não era mais fácil chamar a tudo Técnicos, 130 TÉCNICOS? Técnico do programa, Técnico do instrumento, Técnico Acompanhante, e por aí adiante...
Porquê 118 e não 130 TÉCNICOS?

* Não aprender também compensa não é mesmo? Que o digam os mais altos representantes do nosso estado...
(Cuidado, que eles andam aí a perseguir os bandidos da blogosfera)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Be-Bop Tango

Esta preciosidade é parte de um DVD (edição caseira) que eu comprei no eBay. É com certeza um documento histórico uma vez que se trata de um concerto realizado já muito perto da morte de Frank Zappa. O maestro é Peter Rundel (sim, o mesmo, o do Remix Ensemble) e o grupo é o Ensemble Modern. Junto aqui a descrição que acompanha o dito DVD.

This great DVD features a performance in FZ’s Yellow Shark series from Frankfurt Germany in 1992, as broadcast on Polish television. This was one of Frank’s final performances and is (needless to say) amazing from start to finish. Songs performed: Overture, Dog/Meat, Outrage at Valdez, Time’s Beach II, The Girl in the Magnesium Dress, BeBop Tango, Food Gathering in Post-Industrial America 1992, Ruth is Sleeping, Amnerika, None of the Above I, Pentagon Afternoon, Time’s Beach III, Welcome to the United States, Pound for a Brown, Get Whitey, G-spot Tornado. Also includes a documentary on the rehearsals for the shows as bonus material.

domingo, 17 de junho de 2007

Kurtág - Játekók / Kocsis


György Kurtág, Játekók, Piano - Zoltán Kocsis

Novo ensino especializado da música (12)

A minha amiga e colega Cláudia Nelson enviou-me, em caixa de comentário do "Novo ensino especializado da música (8)", a sua reflexão sobre o tal relatório do Ensino Artístico. Pela sua importância e especificidade, com referências muito pertinentes em relação ao curso de Canto, resolvi publicar todo o comentário aqui em post.


Reflexão crítica sobre o Estudo de Avaliação do Ensino Artístico


Introdução

Relativamente ao documento em análise, não poderia deixar de ser referido e enaltecido o esforço feito pela tutela em analisar uma área que há tantos anos tem sido esquecida, negligenciada e abandonada. Este abandono a que esta área foi sujeita não pode é, de todo, ser atribuído a quem a ela se dedica e dedicou de corpo e alma, quer na vertente de investimento / formação / estudo / actualização / performance, quer na vertente de trabalho pedagógico. Quem fez uma opção desta natureza sabe que este compromisso é para a vida, não só porque materialmente dela dependa mas porque, acima de tudo, a música (e o seu estudo contínuo) é algo que passa a integrar a natureza do próprio músico, sem a qual este não vive, não se realiza ou sequer consegue ser feliz.

Há que destacar que, se por uma lado, o esforço de análise da matéria atrás referido é de louvar, já o de discussão não o parece ser, se não veja-se:
∙ a data de conclusão constante do estudo é a de "Fevereiro de 2007";
∙ o documento só esteve disponível para consulta no dia 21 de Março de 2007 - vinte e um dias depois;
∙ a data limite de discussão ou emissão de pareceres relativos ao estudo é 30 de Abril de 2007;
∙ o documento tem, aproximadamente, 350 páginas;
∙ os grupos disciplinares e/ou departamentos, do estabelecimento de ensino onde a docente se inclui tiveram de elaborar um parecer conjunto/síntese a apresentar até dia 18 de Abril de 2007, data de realização do Conselho Pedagógico desse estabelecimento de ensino;
∙ ainda que não fosse necessária a apresentação das sínteses no referido Conselho, restariam aproximadamente 40 dias para ler o documento, analisá-lo, discuti-lo e redigir um parecer.
Entre outros aspectos, depreende-se que um documento desta natureza, desta extensão, que levou quase um ano a elaborar, e que se reveste de uma importância tal teria de ser analisado, comentado e eventualmente enriquecido, num prazo muito mais dilatado do que um mês.
Um outro aspecto cuja referência parece ser pertinente é o facto de na equipa de docentes e investigadores que realizou este estudo de avaliação não estar integrado nenhum elemento directa ou indirectamente ligado à área em análise. Este aspecto é importante, não à luz da tão referida "especificidade" da música repetidamente enunciada no documento, porque explica e desculpa incorrecções, interpretações e acepções de termos e de conceitos relacionados com o tema e porque abre novas perspectivas profissionais aos músicos, que podem almejar incluir equipas de avaliação em campos tão diversos como os da engenharia, economia, sociologia, medicina, etc.

Passa-se, a partir desta pequena introdução, a abordar isoladamente alguns aspectos que pareceram ser assuntos fulcrais na elaboração deste relatório. Acrescenta-se que o Canto, por ser a área directamente ligada à autora desta reflexão, será a área a privilegiar em temáticas e comentários que lhe pareçam oportunos.
Quando houver referência a qualquer citação contida no documento registar-se-à apenas o número ou número da/s páginas citadas.


Génese do estudo de avaliação do ensino artístico e terminologia nele contida

Não podem deixar de referir-se a este propósito a falta de clareza, de rigor e de critério na utilização recorrente com diferentes acepções de certos termos que se pensa terem carecido de definições e de explicações prévias. Os exemplos mais óbvios relacionam-se com os termos: Ensino Artístico, Educação Artística, Ensino Artístico Especializado da Música, Ensino Vocacional da Música, Cursos Artísticos e De Natureza Artística, Ensino Especializado das Artes, disciplinas de foro artístico, etc.
Repetidamente, ao longo do trabalho, são usados dois ou mais termos distintos para designar uma mesma coisa, lançando uma confusão e uma imprecisão desnecessárias, que em nada abonam em favor de um estudo cujo objectivo primordial, de entre outros citados, é o da aferição de uma matriz orientadora comum por parte de todos os Conservatórios. Com que legitimidade se pode exigir esta prática, com a qual a autora desta reflexão se identifica, se se designam esses mesmos seis estabelecimentos de ensino usando cinco terminologias diferentes?
Passam a citar-se: Escolas Públicas de Ensino Vocacional de Música ( Quadro 2, p.143), Escolas Públicas do Ensino Especializado de Música (Gráfico 2, p.145), Conservatórios Públicos de Música ( Quadro 3, p.146), Escolas Públicas de Música (Quadro 10, p.153) Escolas Públicas do Ensino Artístico de Música (Quadro 11, p.153). Situação análoga poderá ser facilmente detectada em relação aos termos atrás referenciados.
Outro aspecto que não pode deixar de referir-se é o recurso, também sistemático, a expressões prenhes de um caráter e pendor "quase místicos" e com uma carga frequentemente negativa que se atribuem aos músicos, retratados sistematicamente de forma pejorativa, atrasada, corporativista e quase como se estes de uma "tribo" ancestral se tratassem. Passaremos a transcrever alguns:

∙ «Um dos grandes obstáculos à mudança, e aqui porventura com mais força e impacto que noutros domínios, reside justamente na facilidade com que se produzem, reproduzem e vulgarizam discursos e soluções pedagógicas sem que os respectivos subscritores de sintam obrigados a fundamentar e contextualizar as declarações que vão produzindo.» (p.6)
∙ «(...) procurar compreender os reais fundamentos de certas práticas que há anos estão instituídas, particularmente nas escolas públicas de Música e de Dança. Neste domínio, a investigação histórica e a investigação comparada revelaram-se fulcrais para que se pudesse descortinar a origem de algumas dessas práticas e rotinas instaladas, hoje tidas como naturais.» (p.7)

∙ «Esta equipa de avaliação quer começar a falar da possibilidade da discursividade artística, nos vários domínios em que se encontra decomposta, sair, pela mão da escola, dos núcleos assaz restritos que herdámos do século XIX e insistimos ainda em manter ao arrepio de todas as outras nações desenvolvidas.» (pp. 7/8)
∙ «(...) Estes são alguns factos que traduzem um lado necessariamente negativo da realidade que é hoje o ensino artístico especializado (...) Ou seja, parece urgente definir claramente as regras que devem organizar este sistema que, conforme mostram os dados deste estudo, está desregulado e parece não estar a obedecer a uma racionalidade que permita o seu normal funcionamento. Há uma variedade de modus operandi e de culturas que se foram institucionalizando aqui e ali, sem qualquer sustentação científica, pedagógica ou outra, e que se vêm perpetuando sem que se vislumbrem quaisquer vantagens para as instituições e para os seus alunos.» (p.22)
∙ «E são muitas e variadas as práticas que têm prevalecido, que aparecem como estratégias irrefutáveis e mesmo indiscutíveis, mas que não são mais do que modos de agir que não possuem qualquer fundamentação credível. Baseados em crenças. Quiçá respeitáveis. Mas apenas crenças.» (p.23)
∙ «A educação artística necessita de professores altamente qualificados que desafiem positivamente todos os estudantes e não só aqueles que são considerados como possuindo talento artístico.» (p.28)
∙ «O insucesso e a reprovação são considerados a regra e aceites como algo natural e absolutamente inevitável, em nome de uma “excelência” e de uma “qualidade” que não foi possível caracterizar.» (p.64)
∙ «A equipa de avaliação julga ter encontrado argumentos empíricos suficientes para mostrar como, entre nós, o ensino das artes se foi estruturando por fora do sistema educativo, as mais das vezes de forma arbitrária e casuística, isto é, sem nenhuma legitimidade de tipo pedagógico.» (pp.113,114)
∙ «Uma segunda linha genealógica sobre que se fundaria o devir do ensino artístico, no sentido da especificidade, está relacionada com a estabilização consensual do perfil do músico, como correspondendo a um actor social situado acima e fora dos condicionamentos comuns, e a uma visão da cultura como correspondendo a uma função de auto-encantamento.» (pp.116, 256)
∙ «Há que referir que, no que respeita ao tema da aptidão, as Ciências da Educação construíram uma tecnologia e uma base conceptual-experimental – que o século XX viu vulgarizar-se e disseminar-se por todos os continentes e realidades educativas as mais diversas, mesmo que as suas premissas nos possam parecer hoje datadas e obsoletas –, mas que permaneceu totalmente estranha a quem mais a invocava para estruturar um modelo específico de aprendizagem, ou seja, para os responsáveis pelo ensino da Música. Esta recusa, e disso se trata, deve ser entendida como correspondendo à operacionalização da proposição segundo a qual a natureza do artista só pode ser perceptível e inteligível por um outro seu equivalente. Um mundo de sujeitos iluminados que se contemplam e avaliam entre si, permanecendo inteiramente imunes à análise e avaliação dos profanos. O manto de silêncio científico que cobre esta realidade do exame das aptidões musicais parece-nos que aponta no sentido de que passem desapercebidas as condições históricas, sociais – em grande medida arbitrárias – sobre que foi efectivamente construída.» (p.117)
∙ «Numa linguagem psicanalítica poderíamos dizer que esta é, porventura, a zona cega ou discursivamente não pensada dos procedimentos práticos neste sector educativo.» (P.117)
∙ «O Mito Do Ensino Individualizado» (p.117)
∙ «Esta incursão é particularmente importante porque tornará mais inteligíveis as restantes rubricas que se seguem, uma vez que se tornará óbvio que, embora tratando de realidades diferentes entre si, na configuração que entre elas se estabelece mais se aprofunda e evidencia a distância em relação a Portugal, único país em que não existem sinais de que o ensino artístico se pretende regenerar e transformar em direcção ao futuro, já pela ausência de debate político, já pela desertificação no campo das propostas pedagógicas.» (p.219)
∙ (…) Esta posição viria a concretizar-se numa desvalorização explícita das aprendizagens técnicas em favor de uma formação de tipo espiritual do aluno, mas que só vagamente se enunciaria. Em contrapartida, passou a defender-se, também entre nós, o que Pierre Bourdieu e Alain Darbel (1969: 161-166) apelidaram de “mito do gosto inato”, que nada deveria às “restrições das aprendizagens e os acasos das influências”, já que seria dado desde o nascimento. A tese subjacente adivinha-se facilmente e corresponde a uma ilusão recorrente nos dias de hoje: a de que uma natureza culta preexistiria à educação ou de que a experiência da graça estética estaria perfeitamente liberta das restrições da cultura e muito pouco marcada pela longa paciência das aprendizagens.» (p.256)
∙ «A deriva que acabamos de fazer nesta secção justifica-se pela necessidade para explicitar a forma como, no que respeita ao tema da aptidão, as Ciências da Educação construíram uma tecnologia e uma base conceptual-experimental – que o século XX viu vulgarizar-se e disseminar-se por todos os continentes e realidades educativas as mais diversas, mesmo que as suas premissas nos possam parecer hoje datadas e obsoletas –, mas que permaneceu totalmente estranha a quem mais a invocava para estruturar um modelo específico de aprendizagem, ou seja, para os responsáveis pelo o ensino da Música. Esta recusa, e disso se trata, deve ser entendida como correspondendo à operacionalização da proposição segundo a qual a natureza do artista só pode ser perceptível e inteligível por um outro seu equivalente. Um mundo de sujeitos iluminados que se contemplam e avaliam entre si, permanecendo inteiramente imunes à análise e avaliação dos profanos. O manto de silêncio científico que cobre esta realidade do exame das aptidões musicais parece-nos que aponta no sentido de que passem desapercebidas as condições históricas, sociais – em grande medida arbitrárias – sobre que foi efectivamente construída. (p.263)

Relativamente à génese e essência deste trabalho ressaltam, de forma gritante, outros pressupostos de pendor negativista que, aliados ao atrás exposto, desconstroem e quase ridicularizam a acção até hoje desenvolvida especialmente pelos profissionais ligados à música e que sugerem uma completa ruptura com o passado do qual os actuais músicos também são fruto e que muitos nomes de reconhecido mérito artístico a nível nacional e internacional também formou. Passam a citar-se algumas dessas intenções:

• «O facto de este estudo de avaliação chamar a atenção para aspectos negativos ou disfuncionais, particularmente no que se refere ao ensino público da Música e da Dança, resulta das evidências empíricas encontradas e destina-se a induzir medidas que melhorem o actual estado das coisas. Esta é uma função da avaliação: tornar visível o que não funciona ou que está a funcionar mal para que se possam tomar as medidas necessárias para que passe a funcionar ou para que passe a funcionar melhor.» (p.23)
O facto de se tentarem induzir medidas que melhorem o actual estado das coisas é absolutamente crucial e pertinente o que, por outro lado, não parece ser correcto é tentar fazê-lo partindo da premissa negativista, à custa exclusiva da visibilidade do que não funciona ou o que está a funcionar mal, ignorando uma das vertentes mais pertinentes e pedagógicas da própria avaliação: "tornar também visível o que funciona, o que já funciona bem, para que daí se possam retirar ensinamentos para que o que ainda não funciona passe a funcionar melhor".
Relativamente ao valor das evidências empíricas, não poderá deixar de registar-se a definição do adjectivo "empírico" constante em qualquer dicionário de língua portuguesa - «Empírico - baseado na experiência vulgar ou imediata, não metódica nem racionalmente interpretada e organizada.» - e que por si só define a importância e fidelidade que se deve atribuir a esse mesmo tipo de evidências. O uso do mesmo adjectivo é recorrente durante todo o relatório.
• A equipa que elaborou o presente estudo, a propósito da sua natureza, refere que o que estava em causa era produzir um trabalho que permitisse retratar a organização e funcionamento do ensino artístico de forma a contribuir para a tomada de decisões de política educativa nessa área. Com essa orientação geral, a referida equipa decidiu que o estudo se deveria apoiar: «(...) tanto quanto possível, em dados estatísticos existentes, em dados empíricos recolhidos directamente pela equipa, em dados empíricos constantes em estudos realizados anteriormente e numa grande variedade de documentação que, de algum modo, dissesse respeito ao ensino artístico especializado» (p.6)
• O termo que é utilizado repetidamente para designar o grande objectivo deste estudo - "refundar" (o ensino especializado não superior da música ) - levanta também algumas dúvidas do ponto de vista do seu significado. Da consulta de dois dicionários diferentes (Dicionário da língua portuguesa da Porto Editora, 5ª edição e Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Instituto António Houaiss de Lexicografia, 1ª edição) puderam obter-se, respectivamente as seguintes definições de "refundar": «tornar mais fundo; profundar» (que significa tornar fundo ou profundo; escavar) e «tornar mais fundo, afundar, profundar, aprofundar». Como se pode facilmente verificar, a escolha deste verbo não parece obedecer a qualquer tipo de lógica do ponto de vista semântico.
Da leitura atenta do documento o que parece transparecer em relação ao uso deste termo, que só aplicado em relação à música, é uma manifesta vontade/intenção de reiniciar todo um processo, de novo, com uma assumida ruptura e cisão com o passado. Tal intenção é manifestamente expressa na seguinte afirmação: «Importa pois romper com este retraimento da memória e avançar para discussões que tenham em conta o horizonte e os bloqueios em que tem decorrido a nossa experiência, no que respeita à formação artística do escolar português.» (pp. 13, 14)
• Existem também algumas outras imprecisões que levaram a que não se conseguisse sequer perceber o que realmente estava a ser pretendido, em temáticas tão importantes como a questão do regime de frequência e dos resultados do próprio estudo, que a seguir se transcrevem: «(...) o regime de frequência dos alunos, que deverá ser obrigatória e essencialmente integrado (...) (p.26)»; «Os resultados do estudo sugerem que existem condições objectivas e subjectivas para que os cursos do ensino artístico especializado e os cursos de natureza artística em geral possam estar ao alcance de um maior número de alunos do ensino básico e secundário.» (p.37)
• Relativamente a este relatório transcreve-se também o seguinte: «Os dados obtidos directamente pela equipa junto das escolas e os que entretanto os serviços do Ministério da Educação foram sendo capazes e reunir, permitiram retratar com rigor o essencial das realidades relativas ao ensino artístico especializado; ou seja, permitiram elaborar análises e interpretações fundamentadas dos fenómenos de interesse para as finalidades que se pretendiam alcançar através deste estudo.» (p.4); «As opções metodológicas tiveram naturalmente em conta a natureza do problema de avaliação e as respectivas finalidades do estudo.» (p.9)
• Relativamente à metodologia não deixa de ser interessante reflectir e tentar interpretar o seguinte: «Em termos gerais utilizou-se uma metodologia eclética de avaliação, livre de qualquer ortodoxia teórica, filosófica ou metodológica, sendo por isso apenas limitada pelos propósitos do estudo.» (p.10)
• Apesar de no relatório ser referido que «a recolha de informação se baseou nas seguintes estratégias principais: a) inquéritos por questionário e entrevista (individual e em grupo), b) consultas mais ou menos formais junto de uma diversidade de participantes (e.g., especialistas, técnicos superiores da administração, professores, investigadores) (...) (pp.9,10) e «(...) sintetizam-se agora ideias e perspectivas veiculadas pelos responsáveis dos conservatórios e por grupos seleccionados dos seus professores relativamente ao desenvolvimento do ensino artístico.) (p.67). A docente que realiza a presente reflexão crítica lecciona num dos seis conservatórios públicos portugueses e nem ela nem nenhum dos docentes do seu departamento, cerca de vinte, conheciam a possibilidade de participação, não foram convidados ou sequer conheciam alguém que o tenha feito.
• Um dos aspectos muito referido neste trabalho é o suposto significado que os músicos portugueses atribuem a "talento", transparecendo a ideia que o uso de tal termo está unicamente reservado a essa classe profissional como se fosse um devaneio ou quase "fetiche" a que somente o músico português se continua a agarrar, que serão estes os únicos que o utilizam e que nem sequer entendem ou conseguem justificar. É uma palavra que aparece frequentemente no relatório entre aspas, sendo-lhe frequentemente pervertido o entendimento que os músicos têm dela. O que é curioso é que na parte do estudo comparativo do ensino artístico entre cinco países, escolhidos criteriosamente pelos autores, a mesma palavra "talento" apareça na terminologia desses mesmos países, sem qualquer espécie de comentário, como é natural, e de muitos outros não constantes neste estudo mas que qualquer consulta online pode facilmente confirmar. Consta também nesta parte do trabalho o seguinte: «(...) onde se concentra uma bolsa de escolas direccionada para alunos com talentos excepcionais (...)» (p.222) e «(...) a que podem apenas aceder alunos particularmente vocacionados» (p.224) e destas vezes sem o recurso ao uso de aspas.
• Devem também denunciar-se dados que não podem ser considerados correctos, bem como deduções que não são justificadas, fundamentadas ou sequer possíveis através do constante no documento.
O quadro 2. (p.143), que se refere ao número de alunos por curso e regime de frequência em 2005/2006 nas escolas públicas de ensino vocacional, pode servir como exemplo, de entre muitos outros, para o atrás referido. Quando é dito que este quadro «permite ainda constatar uma maior percentagem de alunos em regime supletivo em todas as escolas (...)» pode-se facilmente, pela leitura do mesmo, depreender que esta afirmação é verdadeira. Já o que se segue «(...) excepto o Conservatório de Braga, cujo número de alunos neste regime é muito residual. Assim, e do total de 3.329 alunos, 82% (2.746) estava no regime supletivo, 13% (430) no integrado e 5% (153) no articulado, estes dois últimos com pouca expressão nestas escolas.». O Conservatório de Braga, pela leitura do quadro apresentado, tem um total de 453 alunos, distribuídos pelos regimes integrado e supletivo. Constata-se que o curso supletivo é inexistente na iniciação e no curso básico, logo, o número de alunos destes cursos não pode, de forma alguma, ser tido em conta ou considerado para amostra nesta comparação. O que se pode afirmar e constatar é o seguinte: O regime supletivo no Conservatório de Braga tem um total de 95 alunos no curso complementar, dos quais 61.1% (58) frequentam o regime supletivo e 38.9% (37) o regime integrado. Logo, o número de alunos supletivos neste estabelecimento de ensino, além de não ser residual, é claramente superior em percentagem ao do regime integrado.
Além do atrás exposto, é também evidente que este estabelecimento de ensino, ao não ter cursos básicos em regime supletivo, está a difundir uma política que não considera os alunos neste tipo de regime. A oferta formativa dada aos alunos supletivos é insuficiente pois só contempla os três últimos anos - correspondentes ao curso complementar. Para se ingressar num curso complementar é necessário ter um curso básico completo (excepção feita ao curso de Canto, em todos os estabelecimentos de ensino à excepção, precisamente, deste). Como pode um aluno ingressar nesta escola se não pode ter acesso a formação básica e progressiva que assim lho permita?


O Curso de Canto, especificidades e o regime supletivo

«O desenvolvimento da voz acompanha e representa o desenvolvimento do indivíduo, tanto do ponto de vista físico como psicológico (...)» (O Especialista da Voz, M. Belhau:2001, 1ª edição, p.57)

O estudo do Canto em relação ao dos outros instrumentos tem uma especificidade que é o facto de necessitar de que quem o estuda tenha alcançado a maturidade físico-vocal (que acompanha o processo de crescimento) plena. Isto acontece, normalmente, aos 16 anos nas meninas e aos 18 anos nos rapazes.
A idade tardia, comparativamente aos outros instrumentos, a que se inicia o estudo do Canto deveria ser considerada, nunca como um condicionalismo mas, como uma inerência e especificidade resultantes de um desenvolvimento físico e emocional necessário que não se pode, nem deve, tentar antecipar.
Importa também esclarecer que quando se referem estes aspectos particulares do estudo do Canto não se está a fazer alusão ao Canto Coral. Está a referir-se o estudo do Canto lírico, individual e individualizante, na perspectiva solística cuja formação contempla, em Portugal e em todo o mundo: Árias Antigas, Ópera, Oratório, Lied, Melodie, Música Portuguesa, etc.; produção vocal de inúmeros compositores, representativa de todos os períodos da história da música, em diversos idiomas; textos de um elevado grau de complexidade, de Baudelaire, Goethe ou de Fernado Pessoa (entre muitos outros), com temáticas muitas vezes sensíveis que vão, por exemplo, desde a morte à maternidade/paternidade, da sedução à traição ou à fidelidade eterna. A abordagem de todos estes aspectos requer uma exigência técnico-interpretativa elevadíssima que pressupõe uma maturidade do ponto de vista físico-emocional correspondente.
É pelos motivos atrás expostos que se defende que o Curso de Canto deve incluir-se essencialmente no regime de frequência Supletivo. A experiência pessoal da autora, de 12 anos de prática como professora de Canto, nos dois regimes de frequência, Supletivo e Integrado, só lhe permitiu encontar uma única aluna que reunia as condições necessárias à frequência do Curso de Canto no regime Integrado. Pensa-se, então, que se deve manter também a possibilidade de frequência nesse regime, mas a título excepcional e sempre sujeita a uma avaliação prévia por parte de professores com formação específica na matéria.
Acaba de se identificar uma das especificidades inerentes ao curso de canto, tornando-se facilmente compreensível que, de facto, as especificidades entre cursos dentro de uma mesma área - neste caso a música - existem. É também facil de entender que uma especificidade entre cursos de uma mesma área gera problemas que, por serem mais aproximados, serão mais facilmente resolúveis e é por isso mesmo, entre outros aspectos, que diferentes cursos incluem um mesmo grupo ou área comum - por terem algo similar, que os une identifica e aproxima. A divisão e definição entre diferentes áreas e cursos (e as inerentes especificidades) não é algo de que se possa falar de "ânimo leve" ou tentar superficialmente explicar ou comprovar. Se o conseguíssemos, teríamos dado resposta a domínios importantíssimos com que os filósofos/pensadores se ocupam desde há mais de 2000 mil anos, bem como áreas tão importantes e complexas como são as da Filosofia da Arte e da Estética.
Voltando aos regimes de frequência, a problemática inerente ao Canto não é o único motivo pelo qual se defende a manutenção dos actuais três regimes (supletivo, articulado e integrado) de frequência do ensino especializado da música. Esses regimes, se forem desenvolvidos e aperfeiçoados, podem dar resposta a diferentes solicitações e expectativas de formação por parte dos diferentres alunos que pretendem aprender música na sua vertente de formação específica (profissionalizante ou não).

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Decisão

Depois de exaustiva apreciação do Programa da Casa da Música para os meses de Julho a Setembro, sem Agosto pelo meio, porque por aí há apenas dois espectáculos na Praça da cidade, decidi, não sem algum sofrimento, o que vou ver!

No dia 21 de Julho vou ver o Grupo de Bombos de Lavacolhos!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Novo ensino especializado da música (11)

É aqui que tudo continua a acontecer!
Destaco desde já isto:

(...) attendu qu’il peut être clairement démontré que l’éducation artistique permet de contribuer de manière significative à l’amélioration des performances des élèves pour les acquisitions des capacités de lecture, d’écriture et de calcul, et d’apporter les bénéfices susmentionnés sur le plan social et humain, nous invitons les gouvernements à accorder à l’éducation artistique une place centrale et permanente dans les programmes scolaires, un financement adapté et un personnel enseignant présentant les qualités et les compétences requises, à intégrer au cœur du processus d’apprentissage les partenariats entre écoles, artistes et organismes culturels, à enjoindre aux autorités responsables de l’éducation de prendre en compte la recherche dans les décisions concernant le financement et les programmes, et à définir de nouvelles normes pour l’évaluation de l’impact de l’éducation artistique (...)

Conferência Mundial sobre Educação Artística, Documento de trabalho referente à Europa


7463 partituras

Partituras em pdf, gratuitas, a notícia está aqui e o "local do crime" é aqui!
Chama-se International Music Score Library Project (the public domain music score library) e pelos vistos tem 7463 partituras para download!
Já dei uma vista de olhos, é obviamente generalista, mas não me parece mal...

segunda-feira, 11 de junho de 2007